Potencial Investe Pesado em Biocombustíveis Impulsionada pela Guerra no Irã, Elevando Planos para R$ 6 Bilhões
A empresa brasileira Potencial, atuante nos setores de distribuição de combustíveis e agronegócio, anunciou uma revisão significativa em seu plano de investimentos. A companhia agora mira um aporte de cerca de R$ 6 bilhões até 2030, com foco na expansão de suas operações de etanol de milho e na ampliação de sua esmagadora de soja, essencial para a produção de biodiesel.
Essa decisão estratégica surge em um cenário de instabilidade geopolítica, especialmente com o conflito entre os Estados Unidos e o Irã, que tem pressionado os preços do petróleo globalmente. A Potencial enxerga no aumento do custo dos combustíveis fósseis uma oportunidade de ouro para o fortalecimento do setor de biocombustíveis no Brasil, um país com grande potencial agrícola e industrial.
A expansão visa não apenas aumentar a capacidade produtiva, mas também reforçar a busca pela soberania energética nacional, reduzindo a dependência de combustíveis importados. Conforme informações divulgadas pela Reuters, a empresa pretende dobrar a capacidade de processamento de milho para a produção de etanol e também a capacidade de sua esmagadora de soja, garantindo matéria-prima para sua crescente indústria de biodiesel.
Expansão Estratégica em Etanol de Milho e Biodiesel
O projeto de etanol de milho, originalmente anunciado no ano passado, foi mais do que dobrado em sua ambição. A Potencial agora planeja processar 2,6 milhões de toneladas de milho anualmente. O investimento total na usina de etanol foi elevado de R$ 2 bilhões para R$ 3,5 bilhões, com a expectativa de que a produção seja iniciada em fases a partir de 2028, atingindo a capacidade total de 1 bilhão de litros em 2030.
Paralelamente, a esmagadora de soja da empresa, inaugurada recentemente no Paraná, terá sua capacidade mais que duplicada para 2,5 milhões de toneladas por ano. Essa expansão é crucial para suprir a demanda da fábrica de biodiesel da Potencial. A usina de biodiesel, que já é a maior unidade individual das Américas com capacidade para 900 milhões de litros anuais, passará a ter uma capacidade de 1,65 bilhão de litros até o início de 2027.
Guerra no Irã Como Catalisador de Investimentos
Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente Comercial, Relações Institucionais e Novos Investimentos da Potencial, destacou que a guerra entre EUA e Irã foi um dos principais gatilhos para a revisão dos planos de expansão. Ele ressaltou a crença da empresa na verticalização dos processos produtivos.
“A Potencial é uma empresa que acredita na verticalização dos processos”, afirmou Hammerschmidt. “E um dos ‘starts’ para os planos de expansão foi a questão da guerra dos EUA com o Irã”, completou o executivo, integrante da família fundadora da companhia. Essa conjuntura reforça a importância estratégica dos biocombustíveis para a economia brasileira.
Novos Dutos e Geração de Energia Renovável
Para otimizar a logística e reduzir custos, a Potencial investirá na construção de dois dutos de 55 km cada, um para etanol e outro para biodiesel. Essas estruturas conectarão a produção da empresa ao polo de distribuidoras em Araucária, na região metropolitana de Curitiba.
Além disso, a companhia está implementando uma estação de tratamento de efluentes que gerará 9 milhões de metros cúbicos de biogás anualmente. Este combustível renovável, junto com biomassas como cavaco de madeira, será utilizado para mover as caldeiras do complexo, gerando energia de forma sustentável e permitindo o tratamento da água para resfriamento da planta industrial.
Biocombustíveis e a Busca pela Soberania Energética Nacional
Hammerschmidt enfatizou que os recentes eventos globais evidenciaram a vulnerabilidade do Brasil em relação ao suprimento de combustíveis. O país ainda depende da importação de 25% a 30% de diesel fóssil, um percentual considerado de risco, especialmente em cenários de instabilidade internacional. O aumento da mistura de biodiesel no diesel é visto como uma solução para mitigar esse risco.
“Hoje o Brasil é dependente de 25% a 30% de diesel fóssil importado”, declarou o executivo. Ele também apontou que a reconstrução de infraestruturas afetadas em conflitos pode levar anos, mantendo os preços do petróleo elevados. “Os biocombustíveis são a solução para o Brasil se tornar independente da importação”, concluiu.
O executivo lembrou que outros países já estão ampliando o uso de etanol e biodiesel em suas matrizes energéticas, e que o Brasil, com suas safras recordes de soja e milho e sua consolidada indústria de etanol de cana-de-açúcar, tem capacidade para aumentar significativamente o uso de biocombustíveis. A meta de um B20 (diesel com 20% de biodiesel) é totalmente factível. “O biodiesel e o etanol são garantia da soberania energética nacional”, finalizou Hammerschmidt.

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