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Minerva (BEEF3): BTG Pactual corta preço-alvo e alerta sobre desalavancagem lenta e pressão no caixa em 2026

BTG Pactual rebaixa Minerva Foods e ajusta preço-alvo para R$ 7, mantendo recomendação neutra

O banco BTG Pactual divulgou uma revisão em suas estimativas para a Minerva Foods (BEEF3), resultando em um corte no preço-alvo da ação de R$ 8,50 para R$ 7. A recomendação de investimento permanece neutra, refletindo as preocupações dos analistas com uma desalavancagem mais lenta e pressões sobre a geração de caixa da companhia em 2026.

Apesar de alguns sinais positivos, como a disciplina de capital demonstrada pelo pagamento mínimo de dividendos e um menor interesse em aquisições após a transação com a Marfrig, o cenário futuro apresenta desafios. O BTG Pactual aponta que a menor oferta de gado no Brasil e margens de lucro mais apertadas devem impactar negativamente a velocidade com que a Minerva Foods conseguirá reduzir seu endividamento.

Os analistas Guilherme Guttilla e Thiago Duarte, responsáveis pelo relatório, destacam que, embora a empresa tenha apresentado resultados operacionais sólidos ao final de 2025, a estrutura financeira ainda gera preocupações. Um ponto de atenção é o elevado nível de caixa que a companhia precisa manter para suas operações, o que gera um custo implícito alto para a dívida líquida. Essa situação ocorre porque o rendimento obtido com o caixa é inferior ao custo da dívida bruta, estimado em cerca de 17%.

Baixa conversão de Ebitda em caixa e riscos no capital de giro

Outro fator que demanda atenção é a baixa conversão do Ebitda em caixa. Em 2025, a Minerva Foods reportou um Ebit de R$ 3,8 bilhões, mas as despesas financeiras totais somaram R$ 3,1 bilhões. Essas despesas incluem custos com hedge de commodities, impostos e comissões, resultando em uma geração de fluxo de caixa livre antes de impostos de aproximadamente R$ 700 milhões.

O BTG Pactual também alerta sobre os riscos associados ao capital de giro da Minerva Foods. A empresa encerrou o ano com um capital de giro positivo de R$ 1,9 bilhão e depende de cerca de R$ 10 bilhões em linhas de financiamento. Essa dependência pode pressionar o caixa da companhia caso não haja um crescimento consistente nos volumes de produção ou na rolagem dessas operações de financiamento.

Otimização do capital de giro e a necessidade de reduzir a alavancagem

A estratégia de otimização do capital de giro, que historicamente tem sido um ponto forte da Minerva Foods, pode estar, segundo os analistas, impactando as margens. Nos últimos anos, observou-se um ciclo de conversão de caixa mais negativo, acompanhado por uma leve deterioração na margem Ebitda, que atingiu 8,8% em 2025.

Para o BTG, a prioridade para a Minerva Foods deve ser a redução da alavancagem. O banco estima que cada queda de uma vez na relação dívida líquida/Ebitda poderia gerar uma economia de cerca de R$ 850 milhões em despesas financeiras anualmente. Essa redução de custos seria mais benéfica para os acionistas no curto prazo do que a distribuição de dividendos.

As projeções do BTG Pactual indicam um fluxo de caixa ao acionista de R$ 407 milhões para 2026, o que representa um yield de aproximadamente 9%. Esse cálculo é feito antes de considerar eventuais necessidades adicionais de capital de giro, reforçando a postura mais conservadora do banco em relação às ações da Minerva Foods (BEEF3).

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