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Juros Altos no Brasil Freiam Crédito Privado, Mas Dívida Corporativa nos EUA Ganha Atrativos em Meio a Tensões Globais

A mudança nas projeções para a taxa básica de juros (Selic) no Brasil está gerando ondas de cautela no mercado de crédito privado. A perspectiva de que o Banco Central possa realizar cortes mais moderados nos juros, influenciada por fatores como a guerra no Irã e a alta do petróleo, pressiona a dívida das empresas locais.

Embora juros elevados geralmente beneficiem a renda fixa, a manutenção de taxas altas por um período prolongado começa a se tornar um fator de preocupação. Isso tem levado a resgates em fundos de crédito privado e à venda de títulos no mercado secundário, resultando em quedas de preços e aumentos de taxas, segundo Eduardo Arraes, sócio da BTG Pactual Asset Management.

A dificuldade de algumas companhias em arcar com os altos custos de remuneração de suas dívidas, especialmente em um cenário de cortes menos expressivos na Selic, eleva o risco de reestruturações e recuperações judiciais. A BTG Asset, por exemplo, já vinha reduzindo o risco de suas carteiras de crédito privado, buscando mais caixa e títulos de menor duração. Conforme informações divulgadas pela BTG Asset, a gestora está alocando cautelosamente em alguns ativos de crédito privado, priorizando títulos com rating AA ou A e evitando os de alto risco (high yield) e empresas muito alavancadas.

Crédito Privado Local Sob Pressão: O Custo da Dívida Elevada

As taxas de juros elevadas por tempo prolongado são vistas como o principal risco para o mercado de títulos de dívida corporativa no Brasil. A expectativa inicial de quedas mais significativas na Selic, que diluiria o custo da dívida, foi substituída por uma projeção de cortes mais brandos. Isso torna o cenário mais desafiador para empresas que dependem de financiamento.

Setores como o imobiliário e o varejo, que demandam alto financiamento e são intensivos em capital, sentem o impacto de forma mais acentuada. Contudo, o custo da dívida afeta uma gama mais ampla de setores, incluindo agronegócio, saúde e petroquímico, que já enfrentaram ou enfrentam dificuldades.

Arraes ressalta que, embora o risco de refinanciamento ainda não seja o maior receio, a preocupação com a venda de nomes com remunerações acima de CDI + 6% no mercado secundário já é perceptível. A cautela se torna a palavra de ordem, especialmente para investidores brasileiros que, em geral, preferem evitar volatilidade e não buscam aumentar o risco para obter um carrego maior.

Cenário Internacional: Oportunidades no High Yield Global

Em contrapartida ao cenário brasileiro, o mercado de renda fixa corporativa no exterior apresenta oportunidades mais atrativas, especialmente no segmento de crédito high yield. Brett Collins, gerente de portfólio de crédito da Nomura Asset, indica que este é um bom momento para investir em crédito corporativo global de alto rendimento.

A Nomura Asset projeta que a guerra no Irã possa ter um desfecho em breve, o que, somado a um cenário de crescimento forte nos EUA em 2026, impulsionado por políticas fiscais mais flexíveis e cortes de juros pelo Federal Reserve, favorece o crédito high yield. Espera-se que o nível de calote das empresas emissoras permaneça baixo, em torno de 2%.

O carrego médio atual dos títulos high yield globais está em cerca de 7,5%, um patamar considerado muito atrativo diante da baixa taxa de inadimplência esperada. Os spreads, embora próximos de mínimas históricas, ainda oferecem espaço para valorização dos títulos, segundo Collins.

Riscos e a IA no Mercado de Crédito Estrangeiro

Para Collins, os maiores riscos para o crédito high yield no exterior não residem na solvência das empresas, mas sim em fatores macroeconômicos, como a instabilidade geopolítica. Ele destaca que os balanços das empresas estão em excelente forma e que o impacto da inteligência artificial (IA) tende a ser mais restrito a empresas de software com menor participação no mercado de high yield.

O gestor da Nomura Asset aponta que as empresas de menor qualidade de crédito estão mais presentes em carteiras privadas, que possuem menor transparência e não contam com marcação a mercado. No mercado high yield, as empresas de setores mais tradicionais, como energia e indústria química, tendem a ser menos disruptadas pela IA. O impacto de uma eventual crise no mercado privado sobre o high yield seria indireto, com investidores buscando liquidez em títulos negociados publicamente.

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