Dólar pode rumar para R$ 4,90 impulsionado por fatores globais, sugere análise de mercado.
O dólar tem apresentado uma forte tendência de queda frente ao real nas últimas semanas, atingindo patamares não vistos anteriormente. Essa desvalorização da moeda norte-americana tem sido influenciada por uma série de eventos internacionais e políticas econômicas globais.
Notícias otimistas sobre um cessar-fogo entre Líbano e Israel, a abertura do Estreito de Ormuz pelo Irã e a expectativa de negociações entre Estados Unidos e o país persa contribuíram para o recuo do dólar. Esses fatores, somados ao enfraquecimento global da moeda americana, criam um cenário favorável para o real.
A análise de Lucca Bezzon, especialista de inteligência de mercado da Stonex, indica que o movimento de desvalorização do dólar já vinha sendo observado desde 2025, impulsionado pela política tarifária dos Estados Unidos, levando investidores a buscarem maior diversificação fora da moeda americana. Conforme informação divulgada pela Stonex, o real ganhou atratividade, com o fluxo de investimento estrangeiro atingindo recordes na B3 e a taxa de juros elevada também favorecendo a moeda brasileira neste contexto.
Ceticismo com o Dólar e Busca por Diversificação
Lucca Bezzon destaca que o enfraquecimento do dólar é um fenômeno global, e não apenas uma questão de fortalecimento do real. Ele aponta que o **ceticismo em relação ao dólar está diretamente ligado às políticas comercial e econômica do presidente dos Estados Unidos**, Donald Trump. Essa desconfiança tem levado investidores a procurar alternativas, beneficiando moedas como o peso mexicano e o real.
Bezzon explica que, em momentos de incerteza, o dólar é tradicionalmente visto como um porto seguro, pois facilita a compra de outros ativos. No entanto, as dúvidas sobre a moeda americana têm contribuído para sua perda de força em relação a outras divisas, como o real, o que tem favorecido significativamente a moeda brasileira no último ano.
Fundamentos para a Queda do Dólar e Previsão para o Real
A queda do dólar, que recuou 0,97% na última semana, com perdas de 4,19% no mês e 9,60% no ano, é sustentada por fatores que reduzem o apetite pelo risco, como o aparente arrefecimento da guerra no Oriente Médio. Bezzon prevê que o **piso para o dólar esteja na faixa dos R$ 4,90 no curto prazo**, a menos que ocorram eventos inesperados que causem forte reação no mercado.
O especialista ressalta que, embora os fundamentos atuais sejam positivos para o real, a proximidade do período eleitoral pode introduzir maior volatilidade no câmbio, um padrão já observado em anos anteriores. Essa volatilidade pode afetar a trajetória de queda do dólar.
Juros e o Futuro do Câmbio Brasileiro
A expectativa de redução nas taxas de juros pelo Federal Reserve (o banco central americano) para dezembro deste ano, com uma probabilidade majoritária de um corte de 25 pontos-base, pode influenciar o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Atualmente, as taxas de juros americanas estão na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
Bezzon explica que, com o Banco Central do Brasil seguindo com os cortes na Selic, enquanto o Federal Reserve mantém sua taxa, o diferencial de juros tende a diminuir. Essa mudança pode fazer com que a moeda brasileira perca uma de suas âncoras de valor. Por essa razão, o especialista da Stonex espera uma **trajetória ascendente para o câmbio no fim do ano**, com uma recuperação do dólar ao longo do período.

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