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Selic a 14,50%: Poder de Compra Restrito Impacta Balanços de Varejistas no 1T26; Farmácias Resistem, Alimentos Preocupam

Primeiros balanços de 2026 para o varejo apontam para cenário desafiador, com Selic a 14,50% e poder de compra em baixa

A temporada de divulgação dos resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026 para as empresas varejistas já começou, com as expectativas gerais indicando um desempenho pouco animador. A persistente alta da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,50%, somada ao elevado endividamento das famílias, tem gerado um cenário de poder de compra restrito, impactando diretamente o consumo.

A inflação acumulada nos últimos anos também contribuiu para elevar os preços de forma estrutural, diminuindo o poder de compra real dos consumidores. Essa conjuntura, aliada a uma desaceleração econômica, preocupa analistas de grandes instituições financeiras, que veem a maioria dos segmentos do varejo sentindo os efeitos negativos.

Em meio a este panorama, há um consenso entre os bancos sobre a resiliência do setor farmacêutico, que tende a apresentar resultados mais sólidos. Por outro lado, o varejo alimentício figura entre os segmentos que mais preocupam, devido à sensibilidade do consumidor a preços em um cenário de renda limitada. Essas informações foram compiladas com base em análises divulgadas por instituições como BTG Pactual e Santander.

Selic em Queda, Mas Efeitos Marginais no Consumo

O Comitê de Política Monetária (Copom) recentemente reduziu a taxa Selic para 14,50%. No entanto, os juros altos têm sido um fator de pressão para o varejo há algum tempo. A taxa chegou a 15% em junho do ano passado e permaneceu nesse patamar até março deste ano, quando iniciou um ciclo de cortes, embora mais gradual do que o esperado pelo mercado.

Ainda que a taxa tenha começado a cair, o analista Gabriel Mollo, do Daycoval Corretora, aponta que os efeitos dessa política monetária nos balanços ainda não são significativos. “Ainda não dá para ver que os efeitos do ciclo de corte, até porque foram marginais. Ainda não tivemos cortes significativos para que eles se materializem no balanço”, explica Mollo.

Segundo Mollo, a taxa de juros ainda se encontra em patamar elevado, as famílias continuam endividadas e as margens de lucro do varejo não apresentaram melhora substancial nos últimos resultados divulgados. Para ele, esse cenário de cautela e baixo desempenho deve se prolongar. “Não acredito que vale a pena investir no varejo por enquanto. Precisamos esperar por mais sinais e principalmente uma melhora nas margens para começar a investir”, ressalta.

Desempenho Setorial: Farmácias em Destaque, Alimentos em Alerta

No segmento de varejo de alimentos, o BTG Pactual observa sinais claros de fraqueza nos últimos trimestres, uma tendência que deve ter se mantido no primeiro trimestre de 2026, apesar de sua natureza não discricionária. A pressão sobre o poder de compra dos consumidores é um fator determinante para essa performance.

Em contrapartida, o setor farmacêutico demonstra resiliência. O BTG Pactual espera que os resultados da Raia Drogasil continuem sólidos, impulsionados pela demanda por medicamentos, incluindo os de alta procura como os GLP-1. Embora possa haver uma leve desaceleração em relação ao final de 2025, o setor se mantém como um ponto positivo.

O setor de vestuário, que vinha de um desempenho inferior, especialmente em receita, começa a dar sinais de uma recuperação gradual. Já no e-commerce, o dilema entre crescimento e lucratividade continua em pauta. Empresas como o Mercado Livre são esperadas com destaque em volume bruto de mercadorias, mas a competição acirrada pressiona a rentabilidade.

E-commerce e a Busca por Lucratividade em Meio à Concorrência

Os analistas do BTG Pactual destacam que o setor de e-commerce tem passado por uma transição de um modelo focado em crescimento a qualquer custo para um mais voltado à monetização. Contudo, essa dinâmica mudou novamente desde meados do ano passado.

A intensificação da concorrência de plataformas como Shopee, Amazon e TikTok Shop, além de agregadores como iFood e Rappi, tem levado a investimentos pesados em logística, aquisição de clientes e precificação. Esses fatores, segundo os analistas, exercem pressão sobre a rentabilidade do setor.

Como resultado, o primeiro trimestre de 2026, assim como os anteriores, deve refletir os impactos de subsídios de frete e os esforços contínuos em aquisição de clientes, que impactam diretamente as margens de lucro das empresas.

Recomendações e Destaques para o 1T26

O BTG Pactual prefere empresas de alta qualidade com crescimento consistente e forte histórico de execução, como varejistas farmacêuticos, SmartFit e marcas premium de vestuário como Track&Field e C&A. A instituição mantém cautela com empresas cíclicas e alavancadas, onde a visibilidade de resultados ainda é limitada.

Por outro lado, o Santander aponta C&A (CEAB3), Riachuelo (RIAA3) e Arcos Dourados (ARCO) como potenciais destaques positivos no período. Em contrapartida, os balanços do Grupo Mateus (GMAT3) e Azzas 2154 (AZZA3) devem apresentar desempenho mais fraco. O banco também recomenda atenção a Mercado Livre (MELI34), Smart Fit (SMFT3) e Vivara (VIVA3) nesta temporada de divulgação de resultados.

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