CEO de gigante da saúde sugere que a busca incessante por equilíbrio trabalho-vida pode indicar insatisfação com a carreira, contrastando com a visão de gerações mais novas.
Enquanto millennials e a Geração Z priorizam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, Iñaki Ereño, CEO da Bupa, uma das maiores empresas de saúde do mundo, oferece uma perspectiva diferente. Para ele, a constante preocupação com o “equilíbrio” pode ser um sintoma de que o problema não são as horas trabalhadas, mas sim o próprio trabalho.
Ereño defende que, quando o assunto “equilíbrio da vida” se torna um tema recorrente, é um sinal de alerta. Ele acredita que a paixão genuína pelo que se faz pode eliminar a necessidade de uma separação rígida entre trabalho e vida pessoal, a ponto de não sentir a necessidade de “equilibrar” as duas esferas.
Essa visão desafia a percepção comum, especialmente em um mundo pós-pandemia que valoriza cada vez mais o bem-estar e a flexibilidade. Contudo, a opinião de Ereño ecoa a de outros líderes de sucesso, que veem a dedicação total como um componente essencial para alcançar feitos extraordinários. Conforme informação divulgada pela Fortune, a busca por esse equilíbrio pode ser um indicativo de que é hora de reavaliar a trajetória profissional.
A paixão que elimina a necessidade de “equilíbrio”
Para Ereño, com 61 anos, a ideia de uma separação drástica entre trabalho e vida pessoal, como um corte às 17h, perde o sentido quando há um amor profundo pela atividade profissional. Ele admite que pensa em assuntos de trabalho até mesmo durante atividades de lazer, como na academia com seu filho de 23 anos, e que gosta de dedicar tempo aos fins de semana para responder e-mails e ler jornais. “Sinto que isso é uma grande pressão? Não. Eu gosto de fazer isso”, afirma.
Seu conselho para quem vive contando os minutos para o fim do expediente é simples: “Acho que o conselho aqui é reservar um tempo para pensar no que você gosta de fazer. Não faça um trabalho de que você não gosta, para depois precisar de equilíbrio.” A mensagem é clara, a necessidade de “equilíbrio” pode ser um chamado para uma mudança de carreira, e não apenas de rotina.
A rotina intensa de um líder de sucesso
A rotina de Iñaki Ereño é um reflexo de sua filosofia. Ele começa o dia por volta das 6h30 com café e a leitura de seis jornais no iPad, antes de seguir para o escritório no metrô de Londres. As reuniões preenchem o dia, geralmente das 8h até as 18h, seguidas por um momento de reflexão pessoal e resposta a e-mails.
Sua jornada de volta para casa é uma caminhada de 50 minutos, que se tornou um hábito diário inegociável. Após o expediente, ele frequenta a academia seis vezes por semana, alternando musculação e esteira, e aproveita esses momentos para discutir desafios de trabalho com seu filho, que atua como personal trainer. Ele considera essa rotina “100% totalmente” necessária para gerenciar mais de 100 mil funcionários e atender milhões de clientes globalmente.
Visões de outros líderes sobre o “equilíbrio”
A perspectiva de Ereño é compartilhada por outros nomes de destaque. A bilionária Lucy Guo, da Scale AI, que acorda às 5h30 e trabalha até a meia-noite, concorda: “Eu diria que, se você sente necessidade de equilíbrio entre vida pessoal e profissional, talvez não esteja no trabalho certo.” Ela ama o que faz, a ponto de o trabalho não parecer trabalho.
Will.i.am, artista e empreendedor, sugere que o “equilíbrio entre vida pessoal e profissional significa que você está trabalhando para o sonho de outra pessoa”. Reid Hoffman, cofundador do LinkedIn, vai além, afirmando que quem busca esse equilíbrio “não está comprometido em vencer”. Jensen Huang, CEO da Nvidia, cuja empresa se tornou a mais valiosa do mundo, trabalha sete dias por semana, pois “se você quer fazer coisas extraordinárias, não deveria ser fácil”.
Carreiras de destaque exigem sacrifícios
Até mesmo o ex-presidente Barack Obama reconheceu que “haverá momentos da sua vida em que você estará desequilibrado, focado apenas em trabalhar” ao buscar a excelência em qualquer área. Alex Karp, CEO da Palantir, tem uma mensagem direta para a Geração Z: “Nunca conheci alguém realmente bem-sucedido que tivesse uma vida social incrível aos 20 anos.”
O conselho geral desses líderes é encontrar um trabalho que valha o sacrifício, focando em atividades talentosas e prazerosas, e organizando a vida em torno delas. A dedicação intensa, quando alinhada a uma paixão genuína, pode não ser sentida como um fardo, mas sim como a própria realização.

O Pra Quem Investe é um portal dedicado a transformar informação financeira em conhecimento acessível. Aqui, você encontra notícias, análises, insights e conteúdos educativos criados para ajudar investidores — iniciantes ou experientes — a entender o mercado, tomar decisões mais seguras e construir um futuro financeiro sólido. Nosso objetivo é simplificar o mundo dos investimentos e mostrar, na prática, como uma boa gestão financeira pode mudar vidas.







