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Petróleo a US$ 110 e Dólar Forte: O “Colchão” que Amortece a Inflação Pode Ter Limites, Dizem Especialistas

Câmbio e petróleo: um alívio temporário contra a inflação global? Entenda os riscos e limites

A desvalorização do dólar frente ao real e as altas exportações de petróleo têm sido apontadas como os principais responsáveis por amortecer o impacto da inflação global no Brasil. Especialistas veem nesses fatores um “colchão” que protege o país dos choques inflacionários, especialmente em um cenário de tensões geopolíticas no Oriente Médio.

No entanto, essa dinâmica, embora benéfica, pode não ser suficiente para conter a escalada de preços a longo prazo. A inflação já mostra sinais de se espalhar para além dos itens mais voláteis, afetando componentes mais persistentes da economia brasileira, o que levanta preocupações sobre a eficácia dessas medidas.

A análise detalhada do cenário econômico revela que, apesar das vantagens conjunturais, os efeitos secundários da alta do petróleo e a persistência de pressões inflacionárias podem limitar o espaço para cortes na taxa de juros, conforme informações divulgadas pelo InfoMoney.

Impacto do petróleo e a logística brasileira: um entrave inesperado

A alta do petróleo, que impulsiona as exportações e atrai dólares, valorizando o real, tem um lado negativo para a inflação interna. Como a malha logística do Brasil é predominantemente rodoviária, o aumento do preço do petróleo se reflete diretamente nos custos de diesel e gasolina. Isso, por sua vez, eleva os custos de frete, impactando diretamente preços de itens essenciais como carnes, leite e produtos de panificação.

Andréa Ângelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, destaca que a valorização do câmbio ainda não surtiu o efeito esperado no alívio dos bens industriais, que normalmente são os primeiros a sentir essa descompressão. “A leitura do IPCA-15 de abril trouxe a primeira evidência de espalhamento do choque do petróleo para os núcleos de inflação”, afirma.

Caso o conflito no Oriente Médio se prolongue, o risco adicional estimado para o IPCA é de +0,35 ponto percentual. Isso poderia elevar a inflação de 2026 para 5,20%, superando o cenário-base atual de 4,85%.

Petrobras e Governo: medidas paliativas e seus limites

A Petrobras tem tentado segurar os repasses de preços para evitar um choque imediato nas bombas. Como o Brasil importa cerca de 10% da gasolina que consome, há uma margem para que os preços não subam instantaneamente nas refinarias. Contudo, a defasagem em relação ao mercado internacional já atinge aproximadamente 64%.

Para mitigar os efeitos, o Governo Federal estuda usar a arrecadação extraordinária gerada pela alta do petróleo para desonerar tributos federais sobre combustíveis. A Warren calcula que o cenário mais provável seja um corte parcial de impostos aliado a um aumento nas refinarias, resultando em impacto neutro para o consumidor final.

Apesar das ações governamentais, as distribuidoras já anteciparam repasses, elevando as margens de distribuição em cerca de R$ 0,29 por litro antes mesmo de qualquer reajuste oficial. José Alfaix, economista da Rio Bravo, avalia que o câmbio apreciado não dá conta de zerar uma defasagem internacional que pode chegar a 70% em alguns cálculos.

Impacto na política monetária e expectativas de juros

A escalada do petróleo eleva a inflação global e pressiona os juros internacionais em patamares altos. Isso, consequentemente, limita a capacidade de queda dos juros no Brasil. Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro IBRE da FGV, aponta que a questão principal não é o choque de oferta em si, mas os desdobramentos sobre as expectativas de inflação de prazos mais longos.

Indicadores de desancoragem nas expectativas de inflação para 24 a 36 meses mostraram uma deterioração adicional em abril. Por outro lado, o professor de economia da USP, Paulo Feldmann, pondera que a inflação não deve vir com força total, pois a taxa de juros alta segura o consumo.

O espaço para alívio monetário parece ter se encurtado. A Warren projeta que os cortes da Selic sigam em ritmo de 0,25 ponto percentual, encerrando 2026 em 13%. A XP projeta três cortes de 0,25 p.p., chegando a 13,75%. Há o risco de o Copom interromper os cortes caso as projeções de inflação não converjam para a meta.

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