Embraer (EMBJ3) enfrenta volatilidade no mercado após divulgação de resultados do 1º trimestre de 2026, com ações em queda significativa.
A Embraer (EMBJ3) registrou uma performance financeira no primeiro trimestre de 2026 que não agradou os investidores, resultando em uma queda de 11,45% no valor de suas ações, que fecharam o pregão a R$ 73,78. A fabricante de aeronaves apresentou um lucro líquido ajustado de R$ 145,4 milhões, um recuo considerável em comparação com os R$ 299,9 milhões apurados no mesmo período do ano anterior.
Essa performance abaixo do esperado gerou reações negativas imediatas no mercado financeiro. Diversos bancos de investimento, incluindo Itaú BBA, JPMorgan e Goldman Sachs, apontaram em suas análises que os números divulgados pela Embraer vieram abaixo das expectativas do consenso, impactando a confiança dos acionistas.
Apesar do cenário de curto prazo desafiador, a tese de investimento na Embraer permanece intacta para muitos analistas. O setor de defesa, por exemplo, mostrou um crescimento expressivo, e projeções de longo prazo indicam um potencial de recuperação e valorização da empresa. Conforme informações divulgadas ao mercado nesta sexta-feira, a companhia reiterou seu guidance para o ano, sinalizando otimismo para os próximos trimestres.
Decepção com Lucro e EBIT Gera Queda nas Ações da Embraer
O lucro líquido ajustado da Embraer no 1T26 totalizou R$ 145,4 milhões, significativamente inferior aos R$ 299,9 milhões do primeiro trimestre de 2025. O Itaú BBA classificou os dados como fracos, destacando uma pequena perda de 3% em relação ao consenso, mas com baixa qualidade devido a margens mais fracas que o projetado e ganhos não recorrentes.
O JPMorgan também sinalizou preocupação, pois o EBIT ajustado da Embraer foi de US$ 94 milhões, 12% abaixo do consenso, e o EBITDA ficou 7% menor. Apesar disso, o banco ressaltou que o trimestre foi positivo em relação às suas expectativas pessoais, impulsionado por receitas acima do esperado e um evento não recorrente de US$ 25 milhões na área de defesa, cujos detalhes ainda precisam ser mais claros.
A margem EBIT atingiu 6,5%, o nível mais alto para um primeiro trimestre desde 2016. Contudo, este resultado incluiu um impacto negativo de aproximadamente 90 pontos-base, cerca de US$ 13 milhões, devido a tarifas dos EUA. A companhia ainda tem US$ 11 milhões a serem reconhecidos em tarifas sobre seus estoques, e a margem ficou 40 pontos-base abaixo da projeção do banco.
Setor de Defesa da Embraer se Destaca Positivamente
Em contrapartida aos resultados gerais, o segmento de Defesa da Embraer apresentou um desempenho notável. A receita líquida dessa área saltou 63% anualmente, com uma margem EBIT ajustada de 6,0%, uma melhora expressiva em relação aos -1,6% registrados no 1T25. Este é um ponto de atenção positivo, demonstrando a força e o potencial de crescimento deste setor.
A XP avaliou os resultados como “incertos”, observando que as iniciativas de nivelamento da produção estão começando a se refletir no ritmo de entregas, mas ainda não resultaram em margens recorrentes mais elevadas. A expectativa é que a materialização dessas melhorias se intensifique nos próximos períodos.
Analistas Mantêm Visão Positiva para Embraer Apesar dos Desafios
Apesar da forte queda nas ações, analistas de mercado reiteraram uma visão positiva para a Embraer. O JPMorgan, com recomendação “overweight” (exposição acima da média) e preço-alvo de US$ 84 para o ADR EMBJ, destacou a satisfação com a contínua melhora na rentabilidade e no balanço patrimonial da empresa.
O Itaú BBA vê a Embraer como uma “história de crescimento”, com riscos positivos ainda não precificados, como o desenvolvimento da Eve, e o potencial na aviação de defesa na Índia e nos EUA. O banco acredita que a empresa está bem posicionada para uma reprecificação quando o ambiente geopolítico melhorar, mantendo recomendação “outperform” com preço-alvo de US$ 75.
O Goldman Sachs mantém recomendação de compra com preço-alvo de US$ 80, enquanto o Bradesco BBI também recomenda a compra, com um preço-alvo ainda maior, de US$ 88. O Bradesco BBI avalia que a venda de mais KC-390s e A-29 Super Tucanos no exterior impulsionará uma tendência positiva para preços e margens.
Guidance Reafirmado e Potencial com Isenção de Tarifas nos EUA
A Embraer reafirmou seu guidance para o ano de 2026, mesmo com os resultados do 1T26 aquém do esperado. As projeções incluem a entrega de 80 a 85 jatos comerciais, 160 a 170 jatos executivos, receita total entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões, margem EBIT ajustada entre 8,7% e 9,3%, e fluxo de caixa livre ajustado superior a US$ 200 milhões.
O Bradesco BBI ressalta que a projeção da empresa para 2026 ainda considera a tarifa de 10% dos EUA, mesmo que estas tenham sido revogadas. A isenção tarifária, se mantida, representa um potencial de aumento de margem significativo para a Embraer, aproximando as projeções da empresa dos números projetados pelo mercado. A XP também aponta que a ausência dessas tarifas remove um obstáculo e cria potencial de alta para a margem.
Apesar da reação inicial do mercado, os analistas da XP não acreditam que os resultados do 1T26 impliquem em mudanças materiais em suas projeções de lucros para o ano fiscal de 2026, considerando a queda de 9% na projeção para a EMBJ3 como uma reação exagerada.

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