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MRV (MRVE3): UBS-BB corta recomendação para Neutro e reduz preço-alvo em 40%, ação despenca com juros altos e riscos nos EUA

UBS-BB rebaixa MRV para Neutro e corta preço-alvo para R$ 7, ação reage com queda forte em dia negativo na bolsa

O banco de investimentos UBS-BB tomou a decisão de reduzir a recomendação das ações da MRV (MRVE3) de compra para neutro. Além disso, o preço-alvo foi significativamente ajustado de R$ 12 para R$ 7, representando uma queda de 40%. Essa revisão reflete uma análise mais cautelosa sobre o futuro da construtora.

A principal motivação por trás dessa mudança de perspectiva reside na deterioração das projeções macroeconômicas brasileiras. Os analistas do UBS-BB apontam para taxas de juros que devem permanecer elevadas por um período mais longo do que o esperado anteriormente. Esse cenário eleva os custos de financiamento e pode impactar a demanda por imóveis.

Adicionalmente, o relatório destaca o aumento nos riscos de provisões por perdas na Resia, a subsidiária de desenvolvimento imobiliário da MRV nos Estados Unidos. A performance da operação americana tem gerado preocupações, exigindo uma postura mais defensiva por parte do banco. Conforme informação divulgada pelo UBS-BB.

Piora no cenário macroeconômico e riscos nos EUA pesam sobre MRV

Em um dia que já se mostrava desafiador para o mercado acionário, as ações da MRV (MRVE3) sentiram o impacto da notícia, registrando uma queda expressiva de 4,38%, negociadas a R$ 5,67 por volta do meio-dia. A decisão do UBS-BB foi detalhada em um relatório divulgado nesta quarta-feira (3).

Os analistas do UBS-BB fundamentaram o rebaixamento em uma piora projetada no crescimento dos lucros da operação nacional. O documento aponta para uma previsão de cenário adverso no desempenho doméstico da companhia, o que afeta diretamente as perspectivas de rentabilidade.

“Nosso rebaixamento para neutro é sustentado por uma perspectiva pior para o crescimento do lucro líquido na operação do Brasil em meio a um cenário mais desafiador para margens e resultados financeiros”, explicou o relatório. Essa avaliação indica que a empresa pode enfrentar dificuldades para manter sua lucratividade no mercado brasileiro.

Resia, braço americano da MRV, apresenta riscos de provisões e baixa contábil

Paralelamente, os analistas adotaram uma postura bem mais defensiva com a subsidiária norte-americana, a Resia. Houve uma redução nas projeções para a marca devido à forte “possibilidade de uma nova baixa contábil” em ativos imobiliários. Isso sinaliza que o valor de mercado de alguns empreendimentos pode ser menor do que o registrado nos balanços.

O UBS-BB elevou suas estimativas para a taxa Selic, prevendo 13,50% até o final de 2026 e 11,25% até o encerramento de 2027. O IPCA também foi reajustado para cima, com projeções de 4,8% e 4,3% para os mesmos períodos. Esse encarecimento do custo de carregamento das dívidas corporativas deve ter um impacto severo sobre o resultado líquido consolidado da MRV.

A dinâmica de avaliação da construtora também mudou. A tese de investimento deixou de se basear na capacidade de caixa da empresa para se concentrar na entrega de resultados nominais. O banco reconheceu que suas estimativas anteriores de fluxo de caixa e desalavancagem foram “fora da curva”, não se concretizando como esperado.

Vendas de recebíveis e cenário internacional pressionam resultados da MRV

Diante desse cenário pressionado, o UBS-BB revisou o ritmo de expansão para a MRV, reduzindo a velocidade de recuperação esperada. A projeção agora gira em torno de uma evolução de 30 a 40 pontos-base por trimestre, um ritmo considerado “mais em linha com as expectativas do mercado”.

Outro fator de peso para o resultado financeiro da construtora será a necessidade de recorrer a vendas de recebíveis muito maiores para os anos de 2026 e 2027, estimadas agora em R$ 2,1 bilhões e R$ 1,8 bilhão, respectivamente. Esse volume deve pesar de forma relevante em seus resultados financeiros, sendo uma saída para cumprir amortizações trimestrais e evitar cláusulas restritivas de endividamento.

Com essas revisões, o lucro líquido estimado para a operação da MRV foi cortado em 34% para 2026 (para R$ 650 milhões) e em 31% para 2027 (para R$ 854 milhões). No consolidado da holding, o lucro projetado ficou em R$ 305 milhões e R$ 779 milhões, respectivamente.

Desafios na Resia e outras subsidiárias da MRV

No braço internacional da companhia, os desafios operacionais da Resia continuam pressionando o balanço de forma negativa. Os analistas classificaram a situação financeira da subsidiária como fraca e sem horizonte claro de melhora, prevendo novos prejuízos líquidos de R$ 299 milhões e R$ 20 milhões para 2026 e 2027, respectivamente.

O forte alongamento nos prazos de desinvestimento dos empreendimentos após o início da fase de locação também é um ponto de atenção. Projetos como o Tributary levaram 10 trimestres para serem vendidos, e outros ativos como Rayzor Ranch e Ten Oaks registram média de 9 trimestres em maturação.

Para a Luggo, as projeções de prejuízo líquido aumentaram para R$ 29 milhões em 2026 e R$ 47 milhões em 2027. Já na Urba, os passivos de cessão subiram para R$ 726 milhões, e os analistas agora esperam prejuízos líquidos de R$ 16 milhões em 2026 e R$ 8 milhões em 2027.

Pontos de virada para a tese da MRV

Para que a recomendação das ações da MRV (MRVE3) volte a ser positiva, o mercado precisa recuperar a confiança nos resultados futuros da holding. Isso exige “uma perspectiva mais clara com visibilidade aprimorada em torno do lucro líquido recorrente”.

Na prática, uma reviravolta para um cenário otimista demandaria inflação controlada, queda acelerada de juros no ambiente doméstico e internacional, além da venda dos prédios da Resia sem descontos agressivos. O papel também ganharia atratividade caso passasse a negociar com um “desconto significativo em relação aos seus principais pares”.

Em contrapartida, o cenário piora caso a inflação de insumos suba ou se houver uma perda de fôlego nas margens operacionais da MRV no Brasil. O risco aumenta diante de uma eventual “configuração de deterioração mais acentuada no ritmo de recuperação das margens”.

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