IVA no Brasil: Passagens Aéreas Podem Subir 30% e Afastar 10 Milhões de Passageiros, Alerta IATA
O setor aéreo da América Latina e Caribe demonstra um **potencial de crescimento expressivo** até 2040, com projeções de evolução anual de 3,7%. Contudo, desafios como a regulamentação, tributação e infraestrutura precisam ser superados para que essa meta seja alcançada.
A carga tributária sobre companhias aéreas na região, que chega a 29%, representa um custo adicional de US$ 44 por passagem, valor significativamente superior ao da América do Norte (15%) e Europa (25%). No Brasil, a introdução do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) surge como um ponto de atenção.
Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), a alíquota prevista para o novo IVA pode **reduzir a demanda por passagens aéreas em até 30%**. Essa estimativa foi apresentada por Peter Cerdá, vice-presidente regional para as Américas da IATA, durante a assembleia anual da entidade realizada no Rio de Janeiro. Conforme informação divulgada pela IATA, o impacto do IVA pode levar a uma queda de 10 milhões de passageiros anualmente no Brasil.
Impacto do IVA nas Tarifas Aéreas Brasileiras
A projeção da IATA indica um aumento considerável nas tarifas aéreas brasileiras com a implementação do IVA. A tarifa doméstica média, atualmente em US$ 130, pode saltar para **US$ 160**. Já as passagens internacionais, que custam em média US$ 740, poderiam chegar a **US$ 930**.
“É preciso encontrar soluções. Com a proposta atual do IVA vai ser impossível manter um crescimento sustentável no curto prazo. Chega de novos impostos”, declarou Cerdá. Ele destacou que a associação tem dialogado com o governo, apresentando exemplos de países como Barbados e Guiana, que adotaram estratégias de isenções ou tarifas reduzidas para impulsionar o setor.
Desafios e Alternativas Regionais
O Paraguai, por exemplo, eliminou recentemente uma tarifa extra de US$ 15, tornando as passagens aéreas mais acessíveis. Cerdá lembrou que o Brasil atingiu a marca de 100 milhões de passagens vendidas no ano passado, e a previsão com o novo cenário tributário é de uma queda para 90 milhões de passagens anuais.
“A indústria trabalha para reduzir o custo da passagem, mas os custos adicionais a deixam inacessível”, comentou o executivo. Ele ressaltou que a **interconectividade na região é fundamental** para popularizar o transporte aéreo.
Preferência por Ônibus e Custos Elevados
Pesquisas indicam que, em viagens de 6 a 18 horas, muitos brasileiros ainda optam pelo transporte de ônibus. Voos que poderiam ser realizados em 2 ou 3 horas tornam-se menos atrativos devido ao **preço das passagens, inflado pelos custos adicionais**.
A situação brasileira não é isolada. Na Argentina, apesar das políticas de abertura econômica, as tarifas aéreas permanecem as mais caras da região. Recentemente, o país autorizou dois reajustes que totalizaram 18% nas tarifas aéreas, mesmo após promessas de consulta à indústria.
O Papel da IATA e o Futuro do Transporte Aéreo
A IATA enfatiza a importância de políticas que incentivem o crescimento do setor, permitindo que mais pessoas tenham acesso ao transporte aéreo. A entidade busca dialogar com governos para encontrar um equilíbrio que favoreça tanto as companhias aéreas quanto os consumidores, garantindo a sustentabilidade e a expansão do mercado.

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