Janja defende mulheres evangélicas e critica Silas Malafaia em evento do PT
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, reagiu com veemência às críticas do pastor Silas Malafaia, que minimizou os encontros que ela tem promovido com mulheres evangélicas. Em sua fala no “IV Encontro de Evangélicos e Evangélicas do PT”, em Brasília, Janja classificou o pastor como “insignificante” e ressaltou a relevância de cada mulher.
“Ele teve a cara de pau de ir numa rede social e falou que eu estava conversando com mulheres insignificantes. Insignificante é ele porque toda mulher para mim é importante”, declarou Janja, recebendo aplausos da plateia presente no evento do Partido dos Trabalhadores.
A primeira-dama também reforçou seu posicionamento ao concordar com uma militante que criticou Malafaia, fundador da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. “Eu também não chamo ele de pastor”, emendou Janja, demonstrando alinhamento com as críticas direcionadas ao líder religioso.
Janja reforça importância de diálogo com o público evangélico
Janja iniciou sua participação em encontros com mulheres evangélicas no ano passado, buscando aproximar o PT desse segmento religioso. Os evangélicos representam uma parcela significativa da população brasileira, correspondendo a 26,9% segundo o Censo do IBGE de 2022, sendo 55,4% mulheres.
Essa estratégia se dá em um contexto de desafio para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que enfrenta dificuldades em atrair votos do eleitorado evangélico e feminino. Silas Malafaia, por sua vez, apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro.
O PT tem se esforçado para dialogar com os evangélicos, mesmo com a ausência de Lula na Marcha para Jesus. O presidente argumentou que não queria se aproveitar politicamente da fé, escalando o ministro Jorge Messias para representá-lo. Janja, por sua vez, destacou que, embora Lula seja católico, é preciso considerar que, se o espaço não for ocupado pelo campo progressista, ele será usado por outros.
PT busca reaproximação e autocrítica com o eleitorado evangélico
Na visão de Janja, a disputa de narrativas é essencial em “todos os espaços”, e o PT se isolou das igrejas. “A gente acabou vestindo uma carapuça que não é nossa e precisa voltar para dentro das igrejas. Somos nós, mulheres, que vamos decidir essa eleição”, afirmou com convicção.
Pesquisas indicam que a maioria dos evangélicos se alinha ao bolsonarismo, e o PT busca reverter esse cenário. Janja fez uma autocrítica ao reconhecer que tem buscado entender os obstáculos que mulheres evangélicas encontram no “campo progressista”.
“É muito difícil falar ‘esquerda e direita’. Se a gente continuar nisso, a gente vai ficar patinando igual a um carro encalhado na lama”, disse Janja, ressaltando que as dificuldades enfrentadas pelas mulheres em seus territórios são as mesmas, independentemente de rótulos políticos.
Estratégias do PT para conquistar o voto evangélico
O presidente do PT, Edinho Silva, compartilha da mesma linha de raciocínio, coordenando esforços para construir uma nova estratégia de aproximação com o segmento evangélico. Termos que ressoam positivamente entre os evangélicos, como a figura de Maria Madalena, têm sido incorporados aos discursos de Lula e dirigentes do partido.
Edinho Silva chegou a citar a Bíblia em seus pronunciamentos, comparando a escolha eleitoral entre “o caminho das armas e o do Evangelho”, onde se encontra “vida em abundância”. Essas ações demonstram o empenho do PT em dialogar e conquistar a confiança do eleitorado evangélico, buscando ampliar sua base de apoio.

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