JPMorgan reduz recomendação da Braskem (BRKM5) e alerta para riscos na reestruturação da dívida
O JPMorgan rebaixou a recomendação para as ações da Braskem (BRKM5) de ‘overweight’ (equivalente a compra) para ‘neutra’. A instituição financeira também cortou o preço-alvo para dezembro de 2026 pela metade, passando de R$ 15 para R$ 7,50 por ação. Essa mudança de visão ocorre após uma análise que considera um cenário menos favorável para o setor petroquímico e o aumento dos riscos relacionados à reestruturação da dívida da empresa.
A decisão do JPMorgan se dá em um momento de atenção para os investidores de BRKM5. Anteriormente, em meados de maio, uma elevação na recomendação pelo mesmo banco impulsionou as ações da Braskem em 29% em uma única sessão. Agora, a instituição revisa sua perspectiva, focando nos desafios que podem impactar a relação risco-retorno do papel.
A nova avaliação do JPMorgan, divulgada por analistas como Milene Clifford Carvalho, Henrique Cunha e Rodolfo Angele, aponta para a perda de força de fatores que sustentavam uma visão mais otimista. Dois pilares dessa tese eram a melhora na governança corporativa, após a mudança de controle da empresa, e uma recuperação nos spreads petroquímicos, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio. Contudo, ambos os fatores perderam relevância recentemente.
Cenário Petrolequímico e Dívida em Foco para BRKM5
Embora os spreads petroquímicos ainda se mantenham acima dos níveis prévios à escalada do conflito entre Israel e Irã, as expectativas para o setor foram revisadas para baixo. Isso se deve ao cessar-fogo e ao avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã. Como resultado direto, o JPMorgan reduziu suas projeções operacionais para a Braskem.
A estimativa de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da companhia para 2026 foi ajustada para US$ 2,2 bilhões, representando uma queda de 20,1% em relação à previsão anterior. A alta alavancagem financeira da Braskem é um ponto de atenção, pois torna a empresa mais suscetível a impactos significativos no valor do patrimônio dos acionistas, mesmo com revisões moderadas nas perspectivas operacionais.
Reestruturação Financeira e Incertezas para Acionistas da Braskem
A publicação de materiais sobre a reestruturação financeira da Braskem trouxe mais transparência ao processo de negociação com os credores. O JPMorgan destaca que o principal fator a ser observado para o desempenho das ações agora é o desfecho dessa reestruturação. O banco considera um acordo extrajudicial como o cenário mais provável, mas ressalta que a proposta inicial da administração foi prontamente rejeitada pelos credores.
Documentos divulgados indicam que os credores buscam uma participação maior dos acionistas nos esforços de reequilíbrio financeiro da companhia. O JPMorgan aponta incerteza sobre o formato dessa participação, que pode envolver apoio operacional, aportes de capital, instrumentos vinculados ao capital ou soluções potencialmente dilutivas para os atuais acionistas de BRKM5. Caso as negociações falhem, uma recuperação judicial é vista como o principal risco de baixa.
Avanços na Governança e Perspectiva do JPMorgan
Apesar das preocupações com a reestruturação, o JPMorgan reconhece avanços relevantes na governança corporativa da Braskem. Em junho, a transferência do controle da Novonor para a IG4 Capital foi concluída. Por meio do fundo Shine I, a IG4 passou a deter 50,1% das ações votantes, enquanto a Petrobras manteve sua participação de 47%.
O novo acordo de acionistas prevê uma governança compartilhada entre IG4 e Petrobras, com a presidente da estatal, Magda Chambriard, assumindo a presidência do conselho e Helcio Tokeshi (indicado pela IG4) como CEO. A nova administração tem a missão de reorganizar a estrutura financeira e melhorar a eficiência operacional. No entanto, o JPMorgan entende que esses avanços não compensam totalmente o aumento das incertezas ligadas à reestruturação financeira. A nova avaliação do banco não incorpora, por enquanto, cenários explícitos de diluição acionária, que representariam um risco adicional de queda para o valor justo das ações de BRKM5.
JPMorgan Prefere Aguardar Clareza na Reestruturação de BRKM5
Diante do quadro atual, os analistas do JPMorgan preferem aguardar maior clareza sobre os termos finais da reestruturação financeira da Braskem. A instituição conclui que o potencial de valorização das ações BRKM5 se tornou mais limitado do que o previsto anteriormente. A recomendação ‘neutra’ reflete essa cautela e a necessidade de mais informações sobre o desfecho das negociações com credores.

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