Ibovespa salta 2%, superando 177 mil pontos com dados de inflação positivos e juros em queda
A bolsa brasileira, representada pelo Ibovespa, registrou um forte avanço nesta sexta-feira, superando a marca dos 177 mil pontos pela primeira vez desde maio. O principal índice da B3 foi impulsionado por dados de inflação mais baixos que o esperado e pela consequente queda nos juros futuros, refletindo um cenário econômico doméstico mais favorável.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho apresentou uma alta de 0,16%, um resultado significativamente inferior às projeções de 0,31% e também abaixo da taxa de 0,58% registrada em maio. Essa desaceleração da inflação reforça as expectativas de que o Banco Central possa promover novos cortes na taxa Selic já em agosto, possivelmente em 0,25 ponto percentual.
Enquanto o mercado interno reage positivamente aos indicadores, o cenário internacional permanece volátil, com tensões no Oriente Médio e o desempenho do setor de tecnologia em foco. A estreia das ações da sul-coreana SK Hynix na Nasdaq, em Nova York, trouxe otimismo para o setor de semicondutores, mas os conflitos entre Estados Unidos e Irã continuam a gerar cautela.
As informações são da Reuters e do Estadão Conteúdo, que acompanharam de perto os desdobramentos do dia nos mercados financeiros.
Desaceleração da Inflação e Possível Corte na Selic
O IPCA de junho, divulgado pelo IBGE, veio com alta de 0,16%, um alívio considerável para a economia brasileira. A taxa anualizada caiu para 4,64%, abaixo dos 4,72% de maio. Essa desaceleração, segundo analistas como Leonardo Costa, do ASA, aumenta a probabilidade de um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic em agosto, embora ele ressalte que o resultado, por si só, é insuficiente para alterar drasticamente o diagnóstico da política monetária, visto que a inflação ainda está acima do teto da meta e as expectativas permanecem desancoradas.
O economista André Valério, do Inter, destacou que o resultado do IPCA foi ainda mais baixo que o esperado, reforçando a normalização da inflação e indicando que as pressões recentes foram influenciadas por condições adversas de oferta em combustíveis e alimentos. Ele projeta leituras mais amenas nos próximos meses, mas alerta para o impacto do fenômeno El Niño nos preços de alimentos no final do ano e início do próximo.
Mercados Globais: Tecnologia em Alta, Geopolítica em Tensão
No cenário internacional, o setor de tecnologia foi um dos grandes destaques, impulsionado pela estreia das ações da SK Hynix na Nasdaq. A oferta de ações da empresa sul-coreana, avaliada em US$ 26,5 bilhões, sinaliza um forte entusiasmo dos investidores por companhias ligadas à inteligência artificial. No entanto, as ações de fabricantes de chips perderam parte do impulso recente devido a preocupações com a desaceleração dos gastos com IA.
Paralelamente, as tensões entre Estados Unidos e Irã continuam a pesar sobre os mercados. Ataques aéreos e a escalada militar na região afetam o tráfego no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o fornecimento global de petróleo. Apesar de uma trégua considerada frágil, os preços do petróleo voltaram ao radar dos investidores, com a Agência Internacional de Energia (AIE) alertando que a escalada pode comprometer a previsão de um superávit no mercado de petróleo para o próximo ano.
Dólar em Baixa e Juros Futuros Recuam
O dólar comercial apresentou queda, aproximando-se dos R$ 5,10, em sintonia com o movimento de outras moedas de países emergentes. A valorização do real reflete o otimismo com a economia brasileira e o cenário de juros em queda.
Os juros futuros também ampliaram as perdas, com o DI1F27 caindo 0,393 ponto percentual, o DI1F28 recuando 0,999 p.p., e o DI1F29 com baixa de 1,197 p.p., indicando a expectativa do mercado por uma política monetária mais expansionista.

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