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Operação Carbono Oculto mira esquema de lavagem e sonegação no setor de combustíveis com alvos na Faria Lima

Operação Carbono Oculto desvenda esquema de lavagem e sonegação no setor de combustíveis; alvos na Faria Lima e ligações a nomes ainda não revelados.

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Operação Carbono Oculto: panorama técnico e resumido

A reportagem apresenta, em terceira pessoa, uma visão técnica e detalhada sobre a Operação Carbono Oculto. Descreve como as autoridades organizaram uma ação ampla para desconstruir uma rede que, segundo investigadores, teria inserido práticas criminosas no setor formal. A narrativa evita citações literais e mantém foco em fatos e dados divulgados pelas autoridades.

Escopo e dimensão da ação

A operação mobilizou recursos concentrados, incluindo:

  • 1.400 agentes federais e estaduais;
  • 200 mandados de busca e apreensão;
  • atuação em 10 estados;
  • cerca de 350 alvos apontados pela investigação.

As equipes integraram Polícia Federal, Polícia Militar, Gaeco (Ministério Público de São Paulo), Receita Federal e Receitas Estaduais. O objetivo técnico foi interromper circuitos de sonegação tributária, lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis e no sistema financeiro.

Crimes sob investigação

Foram identificadas práticas com impacto fiscal, ambiental e econômico, entre as quais:

  • Sonegação fiscal e fraudes tributárias;
  • Lavagem de dinheiro, inclusive recursos de tráfico de drogas;
  • Adulteração de combustíveis;
  • Crimes ambientais ligados ao setor;
  • Estelionato e fraudes administrativas.

A investigação buscou traçar fluxos financeiros, identificar beneficiários finais e estruturas utilizadas para ocultar patrimônio e movimentações.

Áreas e polos atingidos

A operação alcançou pontos industriais, financeiros e logísticos. Entre os alvos:

  • Usinas sucroalcooleiras;
  • Distribuidoras e redes de postos de combustíveis;
  • Fundos de investimento, administradoras e gestoras;
  • Instituições de pagamento e fintechs;
  • Empresas de portos e logística;
  • Pessoas físicas, incluindo dirigentes e supostos operadores;
  • Escritórios de advocacia e consultorias.

A Avenida Faria Lima, em São Paulo, concentrou 42 alvos — fintechs, corretoras e fundos — apontada como principal centro financeiro examinado.

Recursos financeiros e proporção dos danos alegados

A Receita Federal estimou perdas atribuídas ao esquema:

  • R$ 1,4 bilhão em tributos federais supostamente sonegados;
  • R$ 7,6 bilhões em tributos estaduais supostamente sonegados.

Movimentações atípicas destacadas:

  • BK Bank: R$ 17,7 bilhões em movimentações suspeitas;
  • R$ 2,22 bilhões direcionados à distribuidora Aster (cujas atividades foram suspensas pela ANP em 2024).

As análises financeiras rastrearam origem e destino de valores, conectando contas, fundos e empresas.

Principais alvos: pessoas físicas (lista técnica)

A operação nomeou indivíduos como alvos de investigação. A menção não implica sentença, apenas condição de investigado conforme peças processuais. Entre os citados:

  • Roberto Augusto Leme da Silva
  • Mohamad Hussein Mourad
  • Lucas Tomé Assunção
  • Marcello Ognibene da Costa Batista
  • Walter Martins Ferreira
  • Henrique Dalkirane Filho
  • Ramon Pessoa Dantas
  • Silvano Gersztel
  • Cleiton Santos Santana
  • Guilherme Ali de Paula
  • Marcelo Dias de Moraes
  • Himad Abdallah Mourad
  • Gustavo Nascimento de Oliveira
  • Sérgio Luiz Freitas da Silva
  • Silvana Correa
  • Clovis Alberto de Pinho
  • Armando Hussein Ali Mourad
  • Tharek Majide Bannout
  • Renan Cepeda Gonçalves

Principais alvos: instituições financeiras e de pagamento

Diligências e requisições de dados recaíram sobre várias instituições:

Instituições com buscas diretas:

  • Bankrow Instituição de Pagamento S.A.
  • BK Instituição de Pagamento S.A.

Instituições com requisição de informações:

  • Actual Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.
  • Ello Gestora de Recursos Ltda.
  • Libertas Asset S/A

Outras gestoras e administradoras citadas:

  • Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda.
  • REAG Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.
  • Altinvest Gestão e Administração de Recursos de Terceiros Ltda.
  • BFL Administração de Recursos Ltda.
  • Banco Genial S.A.

As apurações focaram em identificar cotistas, beneficiários finais e operações atípicas em fundos.

Usinas sucroalcooleiras e indisponibilidade de bens

Usinas mencionadas entre os alvos:

  • Usina Itajobi
  • Usina Carolo
  • Usina Virgolino de Oliveira
  • Usina Rio Pardo
  • Furlan
  • Comanche

A Justiça decretou indisponibilidade judicial de quatro usinas de álcool, além de medidas sobre administradoras de fundos, redes de postos e distribuidoras.

Empresas ligadas a portos e logística

Entre as relacionadas a terminais e operações portuárias:

  • Stronghold Infra Investments Ltda.
  • Liquipar Operações Portuárias S.A. – SPE

Foram analisados contratos de armazenagem, fretes e movimentações que possam ter permitido desvios ou ocultação de produtos e valores.

Outras pessoas jurídicas mencionadas

Empresas complementares relacionadas nas ordens judiciais:

  • Insight Participações S.A.
  • Best Holding do Brasil S.A.
  • ABC Properties Ltda.
  • SB Properties Ltda.
  • Valorem Participações Ltda.
  • Eagle Infraestrutura e Participações Ltda.
  • VM Administração de Bens Próprios S.A.
  • Mourad Serviços Ltda.
  • Mabruk Log Transportes Sociedade Unipessoal Ltda.
  • Excefin Assessoria e Serviços Ltda.
  • Locar Locadora Ltda.
  • Locar Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia
  • Blue Star Locação de Equipamentos S/A
  • Rede Sol Fuel Distribuidora S.A.
  • Ice Química Comercial
  • Importadora e Exportadora Ltda.
  • Group Potenza Atacadista e Distribuidora de Bebidas e Alimentos Ltda.
  • Rede Boxter

Essas sociedades constaram nas ordens por suspeitas de participação em circuitos financeiros ou operacionais associados ao esquema.

Advogados e escritórios relacionados

Foram investigados profissionais e escritórios que, segundo os autos, podem ter formalizado estruturas ou movimentações:

  • Rogério Garcia Peres
  • Garcia Peres Advogados Associados
  • Mario Luiz Gabriel Gardin
  • Danilo Augusto Tonin Elena
  • Guilherme Ali de Paula

Investigadores verificaram contratos, procurações e documentos que possam demonstrar relações entre serviços jurídicos e a montagem de estruturas investigadas.

Conexões familiares e redes empresariais

A apuração mapeou vínculos familiares associados a negócios no setor de combustíveis para identificar padrões de controle e beneficiários:

  • sobrenomes comuns entre empresas;
  • relações entre acionistas, diretores e operadores;
  • empresas familiares com participações em redes de postos e distribuição.

A análise avaliou se esses vínculos facilitaram o fluxo de recursos e a ocultação de origem.

Papel do BK Bank e movimentações suspeitas

O BK Bank foi central nas apurações:

  • R$ 17,7 bilhões em movimentações atípicas;
  • R$ 2,22 bilhões transferidos para a distribuidora Aster.

Foram requisitados extratos, contratos e registros para rastrear remessas internacionais, movimentações intercontas e uso de instrumentos financeiros complexos.

Caso Aster e suspensão de atividades

A distribuidora Aster, com atividades suspensas pela ANP em 2024, teve sua estrutura societária, fluxos de recursos e relações comerciais examinados para verificar se operou como ponto de passagem para recursos suspeitos.

Fundos de investimento e o papel da REAG

Fundos administrados por algumas gestoras chamaram atenção. A REAG Investimentos e o fundo Location foram apontados como pontos de intermediação financeira:

  • registro de um único cotista, apontado como operador de fachada em peças processuais;
  • transferências e depósitos atípicos entre contas pessoais e empresas do grupo;
  • notificações bancárias sobre valores incompatíveis com patrimônio declarado.

Investigadores avaliaram o uso de fundos como caixa intermediário para disfarçar origem de recursos.

Exemplo técnico de movimentação suspeita

Padrão descrito em estudos de caso:

  • Depósito elevado em instituição de pagamento;
  • Transferência para conta vinculada a distribuidora;
  • Remessas entre empresas ligadas por contratos de serviços e empréstimos;
  • Finalização em contas de fundos ou empresas de fachada.

Peças técnicas buscaram ligar cada etapa por documentos, contratos e extratos.

Medidas judiciais e indisponibilidade de bens

Medidas preventivas decretadas:

  • bloqueio de valores em contas;
  • restrição sobre venda de bens;
  • congelamento de participações societárias.

Aplicadas a usinas, administradoras de fundos, redes de postos e distribuidoras, com a finalidade de preservar ativos potencialmente constituídos com recursos de origem ilícita.

Rede Boxter e eventuais vínculos com organizações criminosas

A Rede Boxter foi mencionada como rede de postos com ligações societárias a outras empresas investigadas. A apuração examinou:

  • padrões de abastecimento e faturamento;
  • uso de empresas de fachada para faturamento;
  • relações entre proprietários e operadores de postos.

Esses elementos integram a análise sobre como estruturas empresariais podem sustentar circuitos financeiros suspeitos.

Papel dos auditores e da Receita

Atuação intensiva de fiscais da Receita Federal e das Receitas Estaduais incluiu:

  • cruzamento de notas fiscais com volumes de produto;
  • verificação de inconsistências contábeis;
  • levantamento de débitos tributários.

O trabalho técnico visou quantificar prejuízos fiscais e identificar fraudes contábeis que reduziram tributos.

Procedimentos de investigação técnica

Métodos combinados usados pela equipe multidisciplinar:

  • análises forenses de transações bancárias;
  • perícia contábil em livros fiscais e caixas;
  • quebras de sigilo telemático e bancário autorizadas judicialmente;
  • entrevistas e oitivas de administradores e representantes empresariais.

O objetivo foi construir cadeias probatórias ligando operações irregulares a responsáveis e a empresas facilitadoras.

Participação de escritórios e serviços profissionais

Documentos indicaram o papel de escritórios de advocacia e consultorias na:

  • elaboração de contratos societários complexos;
  • constituição de veículos de investimento com estruturas múltiplas;
  • emissão de procurações e formalizações que possibilitaram movimentações.

As autoridades aprofundaram a análise para verificar se os serviços foram prestados com ciência de ilícitos ou por atuação imprudente.

Impactos setoriais e riscos para o mercado

Impactos e riscos previstos:

  • danos à reputação de empresas e instituições financeiras;
  • revisão de procedimentos de fiscalização em distribuidoras e usinas;

Empresas afetadas podem enfrentar auditorias internas e exigência de demonstração de controles, além de buscar ferramentas práticas como a planilha de gestão financeira para reforçar governança. A operação também reavivou movimentos de mercado, como a queda do Ibovespa e oscilações no dólar em reações a eventos de risco sistêmico.

Empresas e investidores devem aprimorar políticas internas e transparência societária, atendendo a orientações sobre práticas de divulgação e transparência.

Mapa de atuação: localidades e setores

Frentes e concentrações de medidas:

  • Setor financeiro: Faria Lima (42 alvos);
  • Setor de combustíveis: usinas, distribuidoras e redes de postos;
  • Logística portuária: terminais e operadores de armazenagem;
  • Setor de serviços: advogados, consultorias e locadoras de equipamentos.

A distribuição evidencia o rastreamento do ciclo completo: produção e logística até intermediação financeira.

Procedimentos seguintes e desdobramentos esperados

Próximas etapas:

  • análise detalhada de documentos apreendidos;
  • cooperação bancária internacional quando necessária;
  • abertura de inquéritos e, possivelmente, ações penais;
  • pedidos de recuperação de tributos e reparação de danos.

As etapas posteriores visam transformar provas coletadas em peças processuais robustas.

Conclusões técnicas e observações finais

A Operação Carbono Oculto foi uma ação de grande escala para desarticular operações que, segundo peças investigativas, cruzavam setores industriais e financeiros. O enfoque técnico centrou-se em rastrear fluxos financeiros, identificar beneficiários finais e proteger ativos possivelmente de origem ilícita.

A conexão entre empresas operacionais (usinas, distribuidoras, postos) e veículos financeiros (fundos, gestoras, instituições de pagamento) foi o foco principal. A operação expôs fragilidades em controles e na transparência societária, com potencial efeito dissuasório e indução de maior compliance no mercado.

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