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Ambipar obtém tutela cautelar contra credores; ações caem cerca de 50% e S&P rebaixa nota
A Ambipar recorreu à Justiça e obteve liminar que concede proteção temporária contra cobranças de credores, medida entendida como etapa prévia à recuperação judicial. Em reação, as ações AMBP3 registraram queda acentuada, chegando a perder metade do valor na B3 nesta quinta-feira (25). Agências de risco também agiram: a S&P rebaixou a nota de crédito da companhia para nível compatível com calote. Mais detalhes podem ser consultados em https://www.seudinheiro.com/2025/empresas/ambipar-ambp3-pavimenta-caminho-para-recuperacao-judical-com-nova-blindagem-contra-credores-miql/.
Medida judicial e prazo
Segundo despacho judicial consultado, a ordem cautelar:
- Tem validade inicial de 30 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 30 dias.
- Nomeou quatro administradores judiciais para acompanhar o processo. A companhia pleiteou, entre outros pontos, a suspensão de contratos que poderiam antecipar o vencimento de dívidas e a exigibilidade de obrigações vinculadas a esses acordos.
Motivo: perdas em operações ligadas a green bonds
Relatórios divulgados pela empresa indicam que perdas recentes decorrentes de derivativos atrelados a green bonds emitidos no exterior provocaram efeitos financeiros negativos. A Ambipar informa que a medida busca garantir a continuidade das atividades e proteger ativos enquanto negocia soluções com credores.
Risco financeiro e exposição contratual
A companhia alertou para cláusulas de vencimento cruzado (cross-default) em grande parte dos contratos financeiros do grupo. Em termos financeiros:
- Endividamento líquido ao fim do 2º trimestre: cerca de R$ 6 bilhões.
- Alavancagem: 2,56x o Ebitda anualizado.
- Estimativa de risco total apontada pela empresa: possibilidade de rombo superior a R$ 10 bilhões se todas as obrigações fossem exigidas de forma imediata. Documentos judiciais indicam também o risco de instituições financeiras bloquearem valores bilionários em contas e aplicações sem necessidade de ação judicial.
Outras medidas corporativas e saída de executivos
A companhia anunciou emissão de debêntures da ordem de R$ 3 bilhões destinada a resgatar emissões anteriores. No mesmo período, houve mudanças na alta direção:
- Saída do diretor financeiro, João Arruda, após pouco mais de um ano.
- Renúncia de Pedro Borges Petersen ao cargo de diretor de relações com investidores.
Investigações e contexto de mercado
A Ambipar enfrenta ainda um processo administrativo sancionador na CVM sobre possível irregularidade na recompra de ações. O episódio se soma ao histórico recente das ações:
- Em 2024, os papéis saltaram de cerca de R$ 8 em maio para o pico de R$ 268 em dezembro.
- Esse movimento foi impulsionado por aquisições do controlador, programas de recompra e entradas de fundos que provocaram um short squeeze. Relatórios técnicos da CVM chegaram a cogitar inflação artificial do preço das ações e a necessidade de uma oferta pública de aquisição, hipótese que acabou rejeitada pela diretoria da autarquia, segundo fontes do mercado.
Onde acompanhar
Para cobertura completa e atualizações sobre a situação da Ambipar, consulte:
https://www.seudinheiro.com/2025/empresas/ambipar-ambp3-pavimenta-caminho-para-recuperacao-judical-com-nova-blindagem-contra-credores-miql/

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