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Irã ameaça atacar bases dos EUA em países vizinhos caso Washington intervenha em protestos internos

O Irã elevou o tom das tensões no Oriente Médio ao alertar países vizinhos que bases militares dos Estados Unidos poderão ser alvo de ataques caso Washington avance com qualquer tipo de intervenção nos protestos que se espalham pelo território iraniano. A informação foi confirmada por uma autoridade iraniana de alto escalão à Reuters nesta quarta-feira (14).

Segundo a fonte, Teerã comunicou formalmente governos da região — incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Turquia — de que considera as instalações militares americanas nesses países como alvos legítimos de retaliação, caso os EUA atuem direta ou indiretamente no apoio aos manifestantes.

Alerta afeta bases estratégicas dos EUA no Oriente Médio

Três diplomatas ouvidos pela Reuters relataram que parte do pessoal foi orientada a deixar temporariamente a Base Aérea de Al Udeid, no Catar — principal centro de operações do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) na região.

Apesar da medida, as fontes ressaltaram que não há indícios de retirada em larga escala de tropas, como ocorreu em 2025, pouco antes de ataques iranianos com mísseis contra instalações americanas. Um diplomata descreveu o movimento como uma “mudança de postura preventiva”, e não uma evacuação formal.

Até o momento, a embaixada dos EUA em Doha não comentou oficialmente a situação, e o Ministério das Relações Exteriores do Catar também não respondeu aos pedidos de esclarecimento.

Trump ameaça intervenção e pressiona Teerã

As tensões aumentaram após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que nos últimos dias passou a ameaçar publicamente intervir no Irã, alegando violações graves de direitos humanos durante a repressão aos protestos.

Em entrevista à emissora CBS News, Trump afirmou que haverá uma “resposta muito forte” caso o regime iraniano execute manifestantes.

“Se eles os enforcarem, vocês verão algumas coisas”, disse o presidente.

Trump também incentivou os iranianos a manterem os protestos e afirmou que “a ajuda está a caminho”, sem detalhar o formato ou o momento de uma eventual ação.

Mortes em protestos elevam pressão internacional

De acordo com a organização de direitos humanos HRANA, sediada nos Estados Unidos, ao menos 2.403 manifestantes morreram desde o início da repressão, além de 147 pessoas ligadas ao governo iraniano. Uma autoridade de Teerã, no entanto, reconheceu cerca de 2.000 mortes, número já considerado elevado por observadores internacionais.

A dimensão da violência transformou os protestos em um dos maiores desafios ao regime clerical iraniano nas últimas décadas, ampliando o debate internacional sobre sanções, intervenção diplomática e possíveis ações militares.

Israel acompanha cenário e vê risco de colapso do regime

Fontes israelenses afirmaram que o gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi informado sobre a possibilidade de intervenção americana ou até colapso do regime iraniano.

Israel e Irã travaram um conflito direto de 12 dias em 2025, que terminou com ataques coordenados e envolvimento dos Estados Unidos na fase final do embate. Desde então, a região permanece em estado de alerta máximo.

Diplomacia suspensa e contatos interrompidos

Segundo a autoridade iraniana ouvida pela Reuters, os contatos diretos entre o chanceler iraniano Abbas Araqchi e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, foram suspensos, refletindo o agravamento das relações diplomáticas.

A mídia estatal iraniana informou que:

  • Ali Larijani, chefe do principal órgão de segurança do país, conversou com o ministro das Relações Exteriores do Catar;

  • Araqchi manteve contato com autoridades dos Emirados Árabes Unidos e da Turquia, reforçando o discurso de defesa da soberania iraniana.

Em conversa com o chanceler dos Emirados, Sheikh Abdullah bin Zayed, Araqchi afirmou que o Irã está determinado a “defender sua segurança e integridade territorial contra qualquer interferência estrangeira”.

Internet bloqueada dificulta apuração no Irã

A apuração independente dos acontecimentos tem sido dificultada por um apagão quase total da internet no Irã, medida adotada pelo governo para conter a disseminação de informações e a organização dos protestos.

Autoridades iranianas acusam Estados Unidos e Israel de fomentarem a instabilidade interna e classificam parte dos manifestantes como “terroristas”, narrativa rejeitada por organizações internacionais de direitos humanos.

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