A economia brasileira em 2026 deve crescer de forma moderada, com ritmo inferior ao pós-pandemia e distribuição desigual entre setores.
Setores sensíveis ao crédito sentirão mais os efeitos da taxa básica ainda elevada, enquanto o consumo das famílias deve avançar, apoiado por salários reais em recuperação.
Os números e as avaliações foram apresentados por Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, em painel de abertura do evento, conforme informação divulgada pelo Seu Dinheiro, parceiro do Money Times.
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ToggleCrescimento do PIB e mercado de trabalho
Mansueto projeta expansão do PIB entre 1,8% e 2% em 2026, abaixo dos 2,2% estimados para 2025 e bem inferior aos ritmos acima de 3% observados no pós-pandemia, segundo o BTG.
Ele resume a expectativa com a frase, “É uma economia que vai crescer, mas de forma desigual”, destacando que setores atrelados ao crédito sofrerão mais por conta dos juros altos.
O desemprego, que estava em 5,2%, mínima histórica nos dados mais recentes, deve subir levemente para cerca de 6% ao final do mandato atual, patamar ainda historicamente baixo.
Inflação sob controle, mas pressão em serviços
A inflação deve fechar 2026 em torno de 4%, após a surpresa positiva de 2025 quando fechou em 4,26%, e a média do governo atual deve ficar em 4,4%, considerada baixa historicamente.
Fatores como apreciação do real em 2025 e política monetária restritiva ajudaram a conter pressões, embora a inflação de serviços permaneça elevada, em cerca de 6%.
Selic, juros reais e impacto sobre investimentos
O Banco Central deve iniciar o ciclo de corte da Selic ainda no primeiro trimestre, possivelmente com 0,25 ponto em janeiro ou mais provavelmente em março, dadas as sinalizações recentes.
O consenso de mercado aponta para uma redução total de 200 a 300 pontos-base ao longo do ano, levando a taxa básica a cerca de 12% no fim de 2026, ainda uma das maiores taxas reais do mundo.
Mansueto observa que, “É o segundo ano consecutivo de Selic elevada, o que continua atrativo para renda fixa”, mas que juros reais altos limitam investimentos e o crescimento do PIB.
Câmbio, eleições e o calcanhar de Aquiles fiscal
O dólar deve seguir volátil em ano eleitoral, com oscilação e possibilidade de apreciação ou depreciação conforme o debate fiscal e a clareza do plano pós-eleições.
O BTG projeta fechamento em torno de R$ 5,20 em 2026, com chance de queda abaixo de R$ 5 caso o plano fiscal pós-eleições seja claro e crível para o mercado.
No centro da análise está o risco fiscal, que Mansueto classifica como o maior calcanhar de Aquiles. Ele alerta que, sem um novo arcabouço fiscal com credibilidade, 2027 pode ser binário, com recuperação sustentada ou retorno a juros elevados e ativos pressionados.
O déficit primário deve ficar em 0,4% a 0,5% do PIB, melhora em relação aos 2,4% de 2023, mas impulsionada mais por arrecadação do que por controle de gastos, e a dívida pública deve subir cerca de 12 pontos percentuais do PIB, para cerca de 83,6%.
Os gastos federais cresceram cerca de 20% em termos reais nos últimos quatro anos, o dobro do ritmo entre 2014 e 2022, e programas como Bolsa Família, com custo anual de R$ 160 bilhões, e Previdência Social, com cerca de 70% atrelada ao salário mínimo, pressionam as contas.
Mansueto reforça a necessidade de debate político sobre cortes e novo arcabouço, afirmando, “Candidatos precisam discutir corte de gastos e um novo arcabouço fiscal”.
Para investidores, a recomendação é cautela, mas existe potencial para surpresas positivas caso o debate avance em direção a maior disciplina fiscal, o que poderia reduzir volatilidade e melhorar perspectivas de crescimento.

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