Corte do preço-alvo e mudança de recomendação ocorrem em meio a forte alta do papel, questionamentos sobre valuation e sinalizações de menor atratividade frente a outras alternativas de retorno
A recomendação sobre as ações da TIMS3 foi revista para uma postura mais cautelosa pelos analistas do Citi, após forte valorização do papel nos últimos 12 meses.
O banco reduziu o preço-alvo para R$25, ante R$27 anteriormente, e avaliou que parte das perspectivas positivas já foi refletida em múltiplos, reduzindo a assimetria de risco-retorno.
As informações constam em relatório citado pelo Citi, apresentando mudança na visão sobre o setor de telecomunicações, conforme informação divulgada pelo Citi.
Motivos do rebaixamento
O Citi afirma que a revisão reflete expectativas menos favoráveis para o segmento móvel. Em relatório, os analistas afirmaram, “Fomos otimistas com TIM por algum tempo, não apenas como um veículo mais ‘limpo’ para capturar tendências favoráveis do móvel no pós-consolidação, mas também em função de perspectivas mais fortes de crescimento de fluxo de caixa e valuation mais barato”, escreveram os analistas André Cardona, Leandro Bastos, Luiz Felipe e Renan Prata.
Além disso, a equipe apontou sinais recentes que justificam “uma visão menos construtiva quanto à competição no segmento móvel, como os “ventos contrários de portabilidade e continuidade da diluição de participação das incumbentes no pós-pago””, reduzindo a convicção sobre a trajetória de ganho de mercado.
Avaliação e sinais de mercado
Segundo o Citi, a alta das ações da TIM nos últimos meses foi, em grande parte, impulsionada por expansão de múltiplos, o que, na visão do banco, “piorou” a relação de risco-retorno sob a ótica de valuation.
O banco também destacou que, “Com a recente valorização das ações, amplamente impulsionada por expansão de múltiplos, a assimetria de valuation já não é a mesma: os dividend yields [rendimento de dividendos]agora estão em dígitos simples, os múltiplos de P/L [preço sobre lucros] em patamares de baixos a médios, e os TIRs (Taxa Interna de Retorno) implícitos parecem menos atraentes em relação ao risco livre no Brasil e/ou a outras ações vistas como ‘bond proxies’.”
Na prática, o Citi reduziu o preço-alvo de R$27 para R$25, o que representa um potencial de valorização de 3,1% sobre o preço de fechamento do dia 20, quando o papel encerrou a R$24,25.
Reação no pregão e números relevantes
Após o comunicado, as ações da operadora chegaram a recuar 2,35%, para R$23,68, assumindo a ponta negativa do Ibovespa nos primeiros minutos de negociação no dia 21.
Mais tarde, por volta de 10h50, a TIMS3 registrava baixa de 0,37%, a R$24,16, figurando entre as raras quedas do principal índice da bolsa brasileira, ao lado de Gerdau e Metalúrgica Gerdau.
O banco lembra que, nos últimos 12 meses, a TIM acumulou valorização de 63%, ante alta de 39% das ações da Telefônica Vivo, VIVT3, e de 35% do Ibovespa.
Perspectiva para o setor e próximos trimestres
O Citi adotou postura mais cautelosa para o setor de telecomunicações, citando desaceleração contínua da Receita de Serviços Móveis, MSR, e diluição de participação de mercado no pós-pago.
Nas contas do banco, a TIM oferece um dividend yield de 8,3% e a Vivo, 6,7%, considerando os níveis de valuation atuais. Para o quarto trimestre, os analistas esperam um quadro misto na receita, com Vivo mostrando recuperação e TIM apresentando desaceleração, mas ambas com tendências resilientes de geração de caixa, segundo o relatório.
A recomendação para VIVT3 foi mantida em neutra, enquanto a revisão em TIM aponta para uma leitura mais cautelosa do mercado e menor margem para valorização adicional no curto prazo.

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