As principais bolsas de valores europeias encerraram o pregão desta quinta-feira em território positivo, impulsionadas por um notável alívio nas tensões geopolíticas. A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de recuar de ameaças comerciais que envolviam aliados europeus, além de um acordo preliminar relacionado à Groenlândia, restaurou o apetite dos investidores por ativos de maior risco.
A diminuição do estresse comercial global favoreceu especialmente os setores mais dependentes do comércio internacional. Paralelamente, os mercados ajustaram suas posições em antecipação a novos indicadores econômicos e à iminente reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central americano.
Em Londres, o índice FTSE 100 registrou uma valorização de 0,12%, fechando em 10.150,05 pontos. Frankfurt viu seu índice DAX avançar 1,28%, atingindo 24.876,24 pontos. Em Paris, o CAC 40 obteve ganhos de 0,99%, terminando o dia em 8.148,89 pontos. Milão acompanhou a tendência de alta com o FTSE MIB subindo 1,36% para 45.091,23 pontos. Em Madri, o Ibex 35 somou 1,37%, alcançando 17.678,90 pontos, enquanto Lisboa viu seu índice PSI 20 crescer 1,70%, finalizando em 8.604,45 pontos. As cotações apresentadas são preliminares.
A resolução, ainda que parcial, das discussões envolvendo a Groenlândia e a retirada das ameaças tarifárias foram cruciais para a recuperação do sentimento do mercado. Analistas apontam que a ausência de riscos imediatos permitiu um foco renovado em fundamentos macroeconômicos, com especial atenção para os próximos passos do Fed em relação às taxas de juros.
No desempenho corporativo, as montadoras foram protagonistas, beneficiadas pela suspensão das tarifas. A Volkswagen, por exemplo, registrou uma alta expressiva de mais de 6% em Frankfurt. A Deutsche Börse também apresentou um desempenho notável, com uma valorização de aproximadamente 4% após anunciar a aquisição da Allfunds, um movimento que analistas do JPMorgan consideram positivo para os resultados da empresa já no primeiro ano.
Na contramão, ações de empresas do setor de defesa apresentaram recuo. Rheinmetall e Leonardo, por exemplo, caíram cerca de 3,4% e 3,1%, respectivamente, refletindo a menor percepção de risco geopolítico. Em Londres, o setor de metais também enfrentou pressão, com as mineradoras registrando quedas e o subíndice do setor cedendo aproximadamente 0,5%, em um dia de ajuste para o preço do ouro.
Nos Estados Unidos, dados econômicos divulgados ao longo do dia ofereceram um quadro de resiliência, indicando um crescimento sustentado da atividade econômica e uma inflação sob controle relativo. As expectativas do mercado, monitoradas pelo CME Group, apontam para um primeiro corte na taxa de juros apenas em junho.

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