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Mercado de Capitais Brasileiro Atinge Recorde Histórico em 2025: R$ 838,8 Bilhões Captados

O ano de 2025 marcou um ponto de virada para o mercado de capitais brasileiro, consolidando-o como uma das principais ferramentas de financiamento para a economia do país. Dados divulgados pela Anbima revelam que o volume total de ofertas atingiu a impressionante marca de R$ 838,8 bilhões, o maior valor já registrado desde o início da série histórica em 2012. Este desempenho representa um crescimento expressivo de 6,43% em relação a 2024, quando o setor movimentou R$ 788,1 bilhões.

Cesar Mindof, diretor da Anbima, comentou sobre os resultados: “Enxergávamos o crescimento como um desafio enorme no início de 2025 e o que vimos foi o mercado sustentando esse novo patamar e fechando acima de 2024, que já tinha sido excepcional.”

A renda fixa se destacou como o principal impulsionador do mercado. Em um cenário de juros que continuou a atrair investidores, as empresas recorreram amplamente ao mercado local para obter financiamento. As debêntures alcançaram R$ 492,9 bilhões, um aumento de 4% em relação ao ano anterior, enquanto as notas comerciais registraram um crescimento notável de 18,9%, totalizando R$ 51,8 bilhões em captações.

Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, ressaltou a importância dos títulos de securitização, como FIDCs, CRIs, CRAs e debêntures de securitização. “A cada dez ofertas de renda fixa, sete são de securitização, que é uma porta de entrada para as empresas no mercado de capitais”, explicou Maranhão. O volume captado por esses instrumentos cresceu de R$ 220,5 bilhões em 2024 para R$ 241,8 bilhões em 2025. Os FIDCs, em particular, tiveram uma captação recorde de R$ 90,8 bilhões, e os fundos de recebíveis lideraram em número de ofertas, representando 42% do total de ofertas de renda fixa.

Os fundos imobiliários (FIIs) também apresentaram um desempenho positivo, com um crescimento de 77,2% no volume de ofertas, captando R$ 79,2 bilhões em 2025, comparado a R$ 44,7 bilhões no ano anterior. Esse avanço é atribuído à antecipação do mercado a uma potencial queda da taxa Selic em 2026.

Para os investidores pessoa física, os fundos imobiliários foram a escolha principal, absorvendo 27,6% dos R$ 81 bilhões aportados pelo público em 2025. CRAs (26,7%), CRIs (19,3%), debêntures incentivadas (12,3%) e FIDCs (6,7%) completaram o portfólio preferido do varejo.

A liquidez do mercado secundário, um indicador crucial da saúde financeira, também demonstrou força. O volume negociado em debêntures no mercado secundário foi quase o dobro do emitido no primário, atingindo R$ 947,4 bilhões contra R$ 492,9 bilhões. “Isso colabora para um primário saudável. Na medida em que você tem um secundário bastante ativo e uma liquidez imensa, você acaba beneficiando novas emissões”, destacou Maranhão.

As companhias brasileiras também retomaram o acesso ao capital estrangeiro. A captação de renda fixa no mercado externo atingiu US$ 31,6 bilhões, o maior volume desde 2014, sinalizando uma reabertura de oportunidades internacionais.

Enquanto a renda fixa prosperou, a renda variável continuou em um ritmo mais lento. Pelo quarto ano consecutivo, não houve novas ofertas públicas iniciais (IPOs) na Bolsa brasileira, e o volume captado em operações de follow-on caiu de R$ 25 bilhões em 2024 para R$ 15,5 bilhões em 2025. No entanto, as perspectivas para 2026 são de recuperação. Mindof projeta um ambiente mais favorável para o mercado de ações, com a expectativa de queda nos juros e um cenário externo positivo, o que pode reabrir a janela para novos IPOs.

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