Apesar da liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada pelo Banco Central na última quarta-feira (21), ter suspendido todas as operações da instituição, muitos clientes se deparam com uma situação confusa: o aplicativo continua acessível, exibindo saldos e limites, mas impede qualquer movimentação financeira. Esta aparente funcionalidade do app, que mostra dados como saldos e faturas, tem gerado dúvidas sobre a disponibilidade real dos recursos.
Desde a noite de terça-feira (20), usuários relataram instabilidades no aplicativo, com um pico de notificações de erro registrado no Downdetector. Os problemas mais comuns incluíam falhas em transferências, dificuldades com o cartão de crédito e erros no acesso ao saldo da conta. A confirmação da liquidação na quarta-feira intensificou essas reclamações.
O acesso ao aplicativo do Will Bank, neste momento, tem caráter puramente informativo. A visualização de saldos e outros dados não significa que os recursos estejam disponíveis para movimentação. Segundo a advogada Andrea Sano Alencar, com a liquidação, o Will Bank perdeu sua autorização para operar no Sistema Financeiro Nacional. Os registros digitais permanecem visíveis enquanto o liquidante, nomeado pelo Banco Central, organiza a massa de credores e consolida as informações dos clientes. Mesmo que o aplicativo pareça funcional, todas as operações financeiras estão congeladas, impedindo rendimentos ou novas transações.
A instituição, em processo de liquidação, não opera mais sob as regras normais de mercado. Seus ativos e passivos são administrados por um interventor, com o objetivo de pagar os credores conforme a ordem legal. Um aviso na tela inicial do aplicativo já informa aos usuários que, por determinação do Banco Central, as operações estão suspensas e que eventuais saldos só serão liberados após novas orientações oficiais.
A administração do Will Bank passou para a EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda., nomeada pelo Banco Central. Embora a instituição continue emitindo cobranças, como faturas de cartão de crédito e empréstimos, o objetivo é sanear suas contas. Clientes têm relatado o aumento nos valores das faturas, o que pode ocorrer devido a um processo de “aceleração de dívidas” implementado pela EFB, que visa concentrar a cobrança para obter recursos para o pagamento das dívidas do banco. As chaves Pix foram canceladas, exigindo que os clientes busquem outras formas de receber valores.
Especialistas orientam que os clientes que possuem dívidas com o Will Bank verifiquem o custo efetivo total das dívidas e solicitem negociações através dos canais oficiais da EFB ou do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), desconfiando de contatos não oficiais para evitar golpes.
O que acontece com contas, Pix e cartões:
- Contas correntes e de pagamento: Deixam de funcionar.
- Transferências e Pix: São desativados, com a retirada do banco do sistema de pagamentos instantâneos.
- Cartões de crédito: São suspensos e cancelados. A Mastercard já havia bloqueado autorizações antes mesmo da liquidação.
- Dinheiro em conta: Permanece indisponível até a conclusão do processo formal do FGC.
E o saldo que estava na conta?
Quem possuía dinheiro na conta do Will Bank torna-se credor da instituição. O saldo integra o passivo do banco e sua liberação dependerá da apuração pelo liquidante. Recursos protegidos pelo FGC (conta corrente, poupança, CDB, RDB, LCI e LCA) têm garantia de até R$ 250 mil por CPF/CNPJ por instituição, mas o pagamento pode levar semanas ou meses após o recebimento das informações oficiais pelo FGC.
Investimentos e dívidas:
- Investimentos cobertos pelo FGC: Congelados no valor da data da liquidação, sem rentabilidade posterior.
- Fundos e aplicações não cobertos pelo FGC: Entram na fila de liquidação, dependendo da venda de ativos do banco.
- Dívidas: Empréstimos, financiamentos e faturas de cartão continuam válidos e podem ser cobrados. A inadimplência pode resultar em registro no SPC/Serasa. O dinheiro em conta não pode ser usado para quitar dívidas com o banco.
O que o cliente deve fazer agora?
- Guardar todos os comprovantes e extratos de saldo.
- Acompanhar os comunicados oficiais do Banco Central, do liquidante e do FGC.
- Evitar tentativas de movimentação financeira fora dos canais oficiais.
- Desconfiar de promessas de liberação antecipada de valores, pois a liberação depende do andamento da liquidação, não do aplicativo.

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