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Nevasca nos EUA: Bitcoin em Xeque? Entenda por que mineradores desligam máquinas e o futuro da criptomoeda

Nevasca nos EUA impacta mineração de Bitcoin e levanta questões sobre sua resiliência

Uma intensa tempestade de neve assola os Estados Unidos, trazendo consigo temperaturas extremas e pressionando a rede elétrica em diversas regiões. Esse cenário climático severo reacende um debate antigo e crucial sobre o Bitcoin: o que acontece com a maior criptomoeda do mundo quando falta eletricidade?

Mineradores de criptomoedas, especialmente em estados como o Texas, onde a infraestrutura elétrica é mais vulnerável a picos de demanda, foram forçados a reduzir ou até mesmo suspender suas operações. Este movimento, embora não inédito, ganha relevância considerável uma vez que os Estados Unidos concentram hoje a maior parcela da mineração global de Bitcoin.

A situação levanta questionamentos sobre a sustentabilidade e a robustez da rede Bitcoin diante de eventos climáticos extremos e a sua dependência de um recurso energético fundamental. Mas será que o Bitcoin corre o risco de acabar devido a fatores como este? Conforme divulgado em reportagens recentes, a resposta da rede e o seu mecanismo de autorregulação são os pontos chave para entender a sua continuidade.

A queda da taxa de hash da Foundry e o impacto na rede

Durante o pico da tempestade, a taxa de hash, que representa o poder computacional dedicado à mineração de Bitcoin, sofreu uma redução significativa. Dados indicam que a taxa atribuída à Foundry, uma das maiores empresas do setor, despencou de aproximadamente 260 exahashes por segundo (EH/s) para cerca de 124 EH/s em um único dia, antes de uma recuperação parcial. Essa queda reflete diretamente a decisão de muitos mineradores em desligar seus equipamentos ou operá-los em capacidade mínima.

A concentração de mineradores em locais como o Texas, que possui um sistema elétrico mais suscetível a sobrecargas, intensifica o impacto dessas reduções. Menos máquinas minerando significam, na prática, menos poder computacional competindo para validar as transações na rede Bitcoin, o que pode afetar o tempo de processamento dos blocos.

Por que os mineradores desligam suas máquinas no frio intenso?

A resposta para o desligamento de máquinas durante nevascas está ligada aos programas de resposta à demanda nos quais muitos mineradores participam. Em momentos de crise energética, onde a demanda por eletricidade dispara, grandes consumidores como os mineradores voluntariamente reduzem seu consumo para evitar apagões generalizados.

O cenário de nevascas agrava a situação, pois o uso de aquecedores aumenta drasticamente a demanda por energia, enquanto a oferta pode ser comprometida por linhas elétricas afetadas por gelo e ventos fortes. Nesse contexto, os mineradores, por serem grandes consumidores, frequentemente são os primeiros a serem solicitados a reduzir seu consumo. Essa atitude não só ajuda a equilibrar a rede elétrica, como também é uma decisão economicamente prudente, já que operar em condições de escassez energética pode se tornar proibitivamente caro e arriscado.

O Bitcoin atrasa, mas não para, graças ao ajuste de dificuldade

A redução na taxa de hash, como a observada durante a nevasca, pode de fato causar um atraso temporário no processamento de blocos. Em vez da média histórica de 10 minutos por bloco, o intervalo pode se estender para 11 ou 12 minutos enquanto a rede se ajusta. No entanto, este é um cenário previsto e gerenciado pelo próprio protocolo do Bitcoin.

Entra em cena um dos pilares fundamentais do Bitcoin: o ajuste automático de dificuldade. A cada ciclo de aproximadamente duas semanas, o protocolo recalibra o nível de dificuldade necessário para minerar novos blocos, levando em consideração o poder computacional total disponível na rede. Se menos máquinas estão operando, a dificuldade de mineração diminui, garantindo que o tempo médio para encontrar um novo bloco permaneça estável. O objetivo é manter a rede operando da forma mais consistente possível, independentemente das flutuações no poder de hash.

A resiliência global do Bitcoin: um sistema distribuído e à prova de choques

A ideia de que o Bitcoin pode parar devido a eventos como uma nevasca nos EUA é um mito. A rede Bitcoin é projetada para ser globalmente distribuída e não depende de um único país, empresa ou infraestrutura. Mesmo com grandes pools de mineração reduzindo suas atividades em uma região específica, a rede continua funcionando plenamente.

A mineração de Bitcoin é um processo descentralizado que valida transações, assegura a segurança da rede e coloca novos Bitcoins em circulação. Isso ocorre através de computadores especializados que competem para resolver problemas matemáticos complexos. O primeiro a encontrar a solução valida um bloco de transações e é recompensado com novos Bitcoins e taxas. Esse processo, de fato, consome uma quantidade considerável de energia elétrica, o que o torna sensível a eventos climáticos extremos e a flutuações no fornecimento de energia. Contudo, a natureza distribuída da mineração e os mecanismos de ajuste automático garantem que o Bitcoin permaneça operacional, mesmo diante de desafios significativos como ondas de calor, blecautes regionais e, agora, nevascas intensas.

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