Dívida Pública Federal Cresce 18% em 2025 e Pode Superar R$ 10 Trilhões em 2026
A dívida pública federal encerrou o ano de 2025 em R$ 8,635 trilhões, registrando um **aumento expressivo de 18%** em comparação com o ano anterior. A informação foi divulgada pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira, que também alertou para a possibilidade de o estoque da dívida atingir até R$ 10,3 trilhões ao final de 2026.
Este resultado ficou dentro da meta revisada do Plano Anual de Financiamento (PAF) para 2025, que previa um intervalo entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões. No entanto, o valor superou as expectativas iniciais da pasta, que projetava um montante de até R$ 8,5 trilhões no começo do ano passado.
O **nível elevado dos juros** tem sido um dos principais fatores que elevam os custos para o governo, impactando diretamente a gestão da dívida pública. Conforme informação divulgada pelo Tesouro Nacional, o custo médio do estoque da dívida subiu para 11,85% ao ano em 2025, ante 11,80% no encerramento de 2024. O custo médio das emissões da dívida interna também registrou alta, passando para 13,81%.
Crescimento Mensal e Composição da Dívida
Apenas em dezembro de 2025, a dívida pública federal apresentou um crescimento de 1,82% em relação a novembro. Desse total, a dívida interna avançou 1,76%, somando R$ 8,309 trilhões, enquanto a dívida externa cresceu 3,53%, totalizando R$ 326 bilhões.
Projeções para 2026 e Impacto dos Juros
Para 2026, o Tesouro Nacional estima que a dívida pública federal possa variar entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões, um patamar significativamente mais alto do que o observado em 2025. O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, destacou que o **custo da dívida pública é impactado pela alta dos juros nos Estados Unidos**, que pressiona as taxas globais, e pelo **nível da taxa básica de juros (Selic)** implementada pelo Banco Central do Brasil.
Ceron ressaltou que, embora o Banco Central esteja próximo de atingir seus objetivos de controle da inflação, o que deve trazer um alívio futuro na política monetária e auxiliar na gestão da dívida, o **impacto da política monetária do BC sobre o endividamento é brutal**.
Composição da Dívida Pública e Metas do Tesouro
A participação dos títulos atrelados à Selic na dívida pública passou de 46,3% no final de 2024 para 48,3% em dezembro de 2025, dentro da meta estabelecida. Para 2026, a previsão é que essa participação fique entre 46% e 50%. Já os papéis prefixados representaram 22,0% do total no fim de 2025, com projeção de 21% a 25% para 2026.
Os títulos indexados à inflação fecharam 2025 em 25,9% da dívida, abaixo do patamar de 27,0% registrado um ano antes. Para 2026, a expectativa é que representem entre 23% e 27%. Os títulos remunerados pelo câmbio tiveram participação de 3,8% em dezembro de 2025, ante 4,8% em dezembro de 2024, com projeção de manutenção entre 3% e 7% para 2026.
O Tesouro Nacional também planeja uma **ampliação gradual da atuação do Brasil nos mercados internacionais**, com emissões de títulos da dívida pública mais agressivas e frequentes. A meta de longo prazo é que a participação de títulos cambiais no estoque da dívida pública alcance 7%.
Reserva de Liquidez e Prazo Médio da Dívida
A reserva de liquidez, que funciona como um colchão de segurança para a gestão da dívida pública, encerrou 2025 em R$ 1,19 trilhão, o suficiente para cobrir 7,3 meses de vencimentos futuros, um patamar considerado confortável pelo Tesouro. Essa estratégia visa preparar o país para eventuais volatilidades de mercado, especialmente em ano eleitoral, e para os vencimentos relevantes de títulos previstos para 2027.
Quanto ao prazo médio da dívida, ele ficou em 4,0 anos em 2025, com a meta para 2026 na faixa entre 3,8 anos e 4,2 anos. A parcela da dívida com vencimento em 12 meses ficou em 17,5% ao final de 2025, com a meta para 2026 no intervalo de 18% a 22%.

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