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Vorcaro e ex-presidente do BRB trocam acusações sobre origem de carteiras ‘podres’ vendidas ao banco estatal

Divergência sobre origem de carteiras ‘podres’ em negócio de R$ 12,2 bilhões entre Master e BRB expõe contradições em acareação no STF

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, apresentaram versões opostas sobre a origem de carteiras de crédito vendidas ao banco estatal em 2025. As declarações ocorreram durante uma acareação realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) e divulgada em vídeo pelo portal Poder360.

A investigação da Polícia Federal aponta que o BRB comprou R$ 6,7 bilhões em carteiras do Master e pagou um prêmio adicional de R$ 5,5 bilhões, totalizando um negócio de R$ 12,2 bilhões. Essas carteiras teriam sido originadas pela Tirreno, uma empresa descrita como ‘de prateleira’ pela PF, criada em dezembro de 2024 e que iniciou o repasse de créditos ao Master em janeiro de 2025.

As divergências surgem no momento em que se busca esclarecer a procedência desses ativos financeiros, que foram posteriormente classificados como ‘carteiras podres’, conforme divulgado pelo Poder360.

Vorcaro afirma que BRB sabia da origem de terceiros, mas Costa nega

Durante a audiência no STF, Daniel Vorcaro declarou que o BRB estava ciente de que as carteiras não eram originadas diretamente pelo Master, mas sim por terceiros. Ele mencionou que houve conversas sobre um novo modelo de comercialização, envolvendo carteiras de originadores externos, e que ele próprio desconhecia a existência da empresa Tirreno na época.

“A gente anunciou que a gente faria vendas, naquela ocasião, de originadores terceiros. A Tirreno nem eu mesmo sabia naquela ocasião, se eu não me engano, que existiu o nome Tirreno”, afirmou Vorcaro. Ele ainda acrescentou que o modelo envolveria “carteiras originadas por terceiros, e não mais originação própria”.

Ex-presidente do BRB alega desconhecimento sobre Tirreno e identifica ‘padrão comportamental diferente’

Em contrapartida, Paulo Henrique Costa refutou a versão de Vorcaro. Segundo ele, o entendimento do BRB era de que as carteiras eram originadas pelo próprio Master, vendidas ou negociadas a terceiros, e que o Master estaria recomprando e revendendo esses ativos. “O meu entendimento, e que eu coloquei aqui mais cedo, é que eram carteiras originadas pelo Master, que haviam sido vendidas ou negociadas a terceiros e que o Master estava recomprando e revendendo pra gente”, disse Costa.

Vorcaro, por sua vez, reiterou que não havia informação sobre recompra pelo Master e que as carteiras provinham de originadores que já atuavam no mesmo ambiente de negócios, mas não eram originadas pela instituição. “Eram carteiras dos mesmos originadores que faziam originação para o Master, mas não especificamente originadas por nós”, explicou.

Técnicos do BRB identificaram anomalias e questionaram a origem das carteiras

Paulo Henrique Costa detalhou que os técnicos do BRB começaram a identificar um “padrão comportamental diferente” nas carteiras a partir de abril de 2025, o que levou a questionamentos sobre a origem dos créditos. Foi somente em maio que o banco obteve informações de que os créditos eram originados pela Tirreno, embora ele ressalte que a Tirreno atuava como uma consolidadora, e não necessariamente como produtora direta do crédito.

“Na nossa visão, eram créditos originados pelo Master, vendidos em algum momento e que estavam sendo comprados, e nesse ponto específico a gente seguiu comprando essas carteiras específicas até abril”, declarou o ex-presidente do BRB.

Negócio fechado ‘mais pela pessoa’ e investigação em curso

Em depoimento anterior à Polícia Federal, Daniel Vorcaro admitiu não ter investigado profundamente os contratos, justificando que fechou o negócio “menos pela empresa e mais pela pessoa”, referindo-se ao empresário Henrique Peretto, proprietário da Tirreno e da Cartos, outra empresa de crédito com a qual o Master já tinha relações comerciais. O caso faz parte das investigações que levaram à liquidação do Banco Master pelo Banco Central e à prisão de Vorcaro, que foi posteriormente solto. O caso é relatado no STF pelo ministro Dias Toffoli.

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