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CBA em Queda: Gigantes Chinesa e Australiana Assumem Controle em Negócio Bilionário; Entenda a Estratégia e o Futuro das Ações

Venda da CBA pela Votorantim Agita o Mercado de Alumínio

As ações da Companhia Brasileira de Alumínio (CBAV3) apresentaram queda no pregão desta sexta-feira (30) após o anúncio de um acordo bilionário. A Votorantim acertou a venda de sua participação de 68,6% na CBA para um consórcio formado pela chinesa Chinalco e a mineradora australiana Rio Tinto, em uma transação avaliada em R$ 4,7 bilhões.

O negócio prevê a criação de uma joint-venture no Brasil, que será controlada pela Chinalco com 67% das ações, enquanto a Rio Tinto ficará com o restante. Essa nova entidade lançará uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) para adquirir as ações remanescentes da CBA no mercado, a um preço base de R$ 10,50 por ação. O valor proposto representa um prêmio modesto sobre o preço de fechamento do dia anterior, o que gerou reações mistas entre os investidores.

A CBA, empresa com forte atuação na produção de bauxita e alumínio, possui uma história que remonta a 1941. Sua infraestrutura inclui minas de bauxita, capacidade de produção de alumina e um portfólio diversificado de usinas hidrelétricas e eólicas. O acordo, no entanto, levanta questões sobre o futuro da empresa na bolsa de valores, com analistas prevendo a possibilidade de seu capital fechado em breve. Conforme informação divulgada pelas empresas, a venda da CBA pela Votorantim e as análises subsequentes dos especialistas indicam um cenário de reconfiguração estratégica no setor.

Detalhes da Transação e Impacto nos Acionistas

O acordo estabelece um preço base de R$ 10,50 por ação da CBA, totalizando R$ 4,69 bilhões. Este valor está sujeito a ajustes, como a correção pelo CDI entre a data da assinatura e o fechamento do negócio, além de possíveis reduções caso haja distribuição de dividendos ou outras formas de remuneração aos acionistas antes da conclusão da transação. A intenção é que a joint-venture lance uma oferta para o cancelamento do registro da CBA na bolsa, embora essa decisão possa ser reavaliada.

A operação ainda depende da aprovação de órgãos reguladores, como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), além de agências do setor de energia. A governança corporativa da CBA garante direitos de acompanhamento aos acionistas minoritários, o que pode influenciar os próximos passos da oferta pública.

Análises Divergentes: UBS BB e Santander Avaliam o Negócio

O UBS BB considerou a transação justa, avaliando o negócio em cerca de 5 vezes o múltiplo EV/Ebitda projetado para 2026, com base no preço atual do alumínio. O banco mantém uma recomendação neutra para as ações da CBA, destacando que o preço ofertado representa um prêmio limitado frente à recente valorização dos papéis.

Por outro lado, o Santander classificou a notícia como neutra em termos de impacto imediato no preço das ações, mas ressaltou o potencial de investimento no projeto de bauxita Rondon. Este projeto, localizado no Pará, tem capacidade de produção significativa e sua proximidade com a Estrada de Ferro Carajás aumenta seu atrativo estratégico. O Santander mantém uma recomendação de “outperform”, equivalente a compra, para a CBA.

Estratégia por Trás da Venda: Diversificação e Controle de Suprimentos

Do ponto de vista estratégico, a aquisição pela Chinalco alinha-se ao objetivo chinês de garantir acesso de longo prazo à bauxita, diversificando suas fontes de suprimento além de Austrália e Guiné. A XP Investimentos avalia que a compra da CBA fortalece o controle upstream da China no ecossistema global da commodity.

Para a Votorantim, o desinvestimento na CBA faz parte de uma estratégia contínua de rebalanceamento de portfólio. O grupo tem reduzido sua exposição a commodities cíclicas, realocando capital para setores como infraestrutura e utilidades, através de suas participações na Motiva e Auren. A venda da CBA se encaixa nessa mudança para negócios mais estáveis e com retorno regulado.

Histórico e Capacidade Operacional da CBA

Fundada em 1941, a CBA opera três minas de bauxita com produção anual de cerca de 2 milhões de toneladas e capacidade de alumina de 800 mil toneladas por ano. A empresa também detém participação em 21 usinas hidrelétricas e quatro eólicas, com uma capacidade instalada total de 1,6 gigawatts, demonstrando sua robustez e integração vertical no setor de alumínio.

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