Crise hídrica em SP: Um fantasma eleitoral que Tarcísio tenta afastar em 2026
O Sistema Cantareira, vital para o abastecimento da Grande São Paulo, opera em níveis preocupantes, reacendendo o debate sobre a gestão da água. Com o reservatório em torno de 24% da capacidade, a possibilidade de uma nova crise hídrica ganha contornos políticos, especialmente com as eleições de 2026 se aproximando e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de olho na reeleição.
A situação evoca memórias de 2014, quando uma grave crise hídrica marcou o mandato do então governador Geraldo Alckmin. Naquele ano, a falta de água dominou o noticiário e o debate eleitoral, mesmo com Alckmin sendo reeleito. Agora, a gestão da água, somada à privatização da Sabesp e aos problemas com a Enel, se configuram como pontos sensíveis para o governo atual.
Especialistas alertam que crises em serviços básicos como água e energia podem gerar forte desgaste político, sendo percebidas como falhas de planejamento. A oposição pode explorar esses temas, associando a lógica de mercado a riscos na segurança hídrica e energética. As informações foram divulgadas pelo Money Times.
2014: A Crise Hídrica que Pautou Eleições
Em 2014, o Sistema Cantareira operava com 27,2% de sua capacidade em janeiro. A seca prolongada levou ao esvaziamento progressivo do reservatório, que abastece metade da população da Grande São Paulo. Em 10 de julho daquele ano, o nível chegou a zero, forçando a Sabesp a usar o volume morto, um alerta máximo para a população.
Na época, a população foi forçada a mudar hábitos e economizar água diariamente. O governo estadual buscou alternativas para reforçar o abastecimento, mas enfrentou pressão crescente da oposição. Apesar do cenário crítico, Geraldo Alckmin foi reeleito com 57,31% dos votos válidos.
2026: Alerta Preventivo e o Peso da Privatização da Sabesp
Mais de uma década depois, a situação se repete com um alerta preventivo. Desde agosto de 2025, o governo de São Paulo implementou a redução da pressão da água durante a madrugada na Região Metropolitana para preservar os reservatórios. Essa medida, segundo a Sabesp, já resultou na economia de cerca de 70,3 bilhões de litros, volume suficiente para abastecer 12,3 milhões de pessoas por um mês.
Tarcísio de Freitas também reforçou pedidos de uso consciente da água. Contudo, diferentemente de 2014, o debate atual ocorre após a privatização da Sabesp, uma decisão que adiciona uma nova camada política. A oposição pode argumentar que a lógica de mercado prioriza o lucro em detrimento da segurança hídrica.
Enel: Outro Flanco Aberto Contra o Governo
Além da questão hídrica, os problemas com a Enel, concessionária de energia elétrica, também pesam na percepção pública. Interrupções recorrentes no fornecimento têm gerado insatisfação na Grande São Paulo. Especialistas apontam que a Enel já é vista como um exemplo de deterioração do serviço após a privatização.
A oposição tende a conectar os problemas da Enel com a potencial crise hídrica, usando a privatização como argumento central. A mensagem seria clara: se a energia já sofre com a lógica de mercado, o abastecimento de água pode correr riscos ainda maiores. A combinação desses fatores pode ser explorada para desgastar a imagem do governador.
Análise: Paralelos e Diferenças entre 2014 e 2026
Especialistas como a analista política Isadora Brizola e o cientista político Rafael Cortez analisam o cenário. Brizola destaca que Tarcísio tem, por enquanto, níveis de rejeição mais baixos e uma imagem de gestor técnico, o que pode criar um “colchão político”.
No entanto, Cortez pondera que uma crise hídrica, embora não seja o fator determinante, pode sim se somar a outros questionamentos sobre a imagem de Tarcísio. O risco maior, segundo Brizola, está na combinação de agravamento do quadro, impacto visível no cotidiano da população e a capacidade da oposição de sustentar o tema ao longo da campanha eleitoral. A percepção pública de falha de gestão, em vez de prevenção, pode gerar um desgaste acumulado ao longo do tempo.

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