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Dólar despenca para R$ 5,22 com alívio nas tensões EUA-Irã e incerteza no Payroll, impulsionando o real

Dólar recua para R$ 5,22 com atenuação de tensões globais e cautela com dados americanos, favorecendo o real brasileiro.

O dólar à vista encerrou a semana em queda, cotado a R$ 5,2204, uma desvalorização de 0,63%. A moeda americana sentiu o impacto do alívio nas tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, além da expectativa do mercado em relação ao relatório de emprego (Payroll) nos Estados Unidos, a ser divulgado na próxima semana.

A tendência de enfraquecimento do dólar foi observada também no cenário internacional. O índice DXY, que mede a força da moeda americana contra uma cesta de seis divisas globais, registrou queda de 0,19%, indicando um movimento de aversão ao risco por parte dos investidores.

Essa busca por ativos mais arriscados, impulsionada pela alta das bolsas de Nova York, favorece moedas de mercados emergentes, como o real brasileiro. Conforme análise de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o real também se beneficia do **elevado diferencial de juros no Brasil**, que continua atrativo mesmo com a perspectiva de cortes na taxa Selic a partir de março.

Shahini destaca que esse cenário tem estimulado a **entrada de fluxo estrangeiro** para a bolsa de valores e a renda fixa no Brasil, reforçando a valorização da moeda brasileira. Na semana, o dólar acumulou um recuo de 0,52% frente ao real.

Fatores Internacionais Influenciam o Câmbio

No exterior, o índice de sentimento do consumidor nos Estados Unidos, medido pela Universidade de Michigan, surpreendeu positivamente, avançando para 57,3% em fevereiro, acima da projeção de 54,3%. No entanto, a presidente da unidade do Federal Reserve de San Francisco, Mary Daly, expressou cautela quanto à saúde do mercado de trabalho e à inflação, que ainda se encontra acima da meta de 2% estabelecida pelo Fed.

Daly ressaltou a importância de observar ambos os lados do mandato do Fed, que incluem a estabilidade de preços e o pleno emprego, alertando que nenhum dos dois pode ser considerado garantido. Essa percepção de incerteza sobre a política monetária americana contribui para a desvalorização do dólar.

Diplomacia e Impacto Geopolítico

As conversas indiretas entre Estados Unidos e Irã em Omã também desempenharam um papel importante na recente movimentação do mercado. O Irã informou o encerramento das negociações “por enquanto”, sem detalhar o conteúdo. A posição de Teerã é que as discussões devem se limitar à questão nuclear.

A atenuação das tensões geopolíticas no Oriente Médio reduz a percepção de risco global, levando investidores a buscar ativos mais rentáveis em mercados emergentes. Isso, por sua vez, contribui para a apreciação do real brasileiro.

Cenário Econômico Doméstico e Projeções do Ministério da Fazenda

No âmbito doméstico, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou ligeiramente para baixo a projeção de crescimento do PIB em 2026, estimando agora 2,3%, contra 2,4% anteriormente. Para 2025, a estimativa de crescimento da atividade foi elevada de 2,2% para 2,3%.

Em relação à inflação, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 foi levemente ajustada para cima, de 3,5% para 3,6%. O relatório da SPE também aponta para um aumento significativo nos gastos com o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que devem saltar de R$ 127 bilhões em 2025 para R$ 300 bilhões em 2035, potencialmente superando os gastos com o Bolsa Família já em 2028.

As despesas com a Previdência Social também projetam alta expressiva, saindo de R$ 1 trilhão em 2025 para R$ 3,4 trilhões em 2035, considerando a evolução demográfica do país. O secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, enfatizou que a estabilização da dívida pública brasileira não depende apenas da gestão fiscal, mas também da política monetária conduzida pelo Banco Central.

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