Investidores mantêm cautela com Petrobras (PETR4), mesmo com entrada de capital estrangeiro e valorização das ações.
Apesar da alta de cerca de 20% das ações da Petrobras (PETR4) neste ano, que atraem o olhar de investidores estrangeiros em busca de exposição ao Brasil, gestores e analistas do mercado financeiro demonstram um apetite limitado para aumentar suas participações na estatal. A percepção predominante é de que a cautela deve persistir na ausência de catalisadores mais claros ou alterações significativas na estrutura de capital da companhia.
Essa análise foi apresentada em um recente comentário do BTG Pactual, após conversas com diversos participantes do mercado. Muitos fundos ainda se encontram subalocados ou totalmente fora do papel, uma dinâmica que, segundo os analistas, tende a se prolongar diante do cenário atual.
As discussões com investidores têm se concentrado em temas como os dividendos esperados para o quarto trimestre de 2025, o desempenho operacional da produção e assuntos como etanol e a possível aquisição da Braskem. A informação é do próprio BTG Pactual, conforme divulgado em seu comentário de mercado. As projeções indicam um dividend yield em torno de 7% a 8% para 2026, com o FCFE yield (Free Cash Flow to Equity yield) em patamar ligeiramente inferior, segundo o banco.
Rebaixamentos e Avaliações de Analistas
No início de janeiro, o próprio BTG Pactual rebaixou a recomendação da Petrobras para neutra, estabelecendo um preço-alvo de US$ 15 para as ADRs. A justificativa incluiu a baixa visibilidade macro-política, a flexibilidade financeira considerada limitada e um valuation que o banco avaliou como justo. Os analistas observaram uma discrepância entre a política de dividendos e a geração efetiva de caixa, o que, em sua visão, pode levar a um aumento da alavancagem em 2026 e 2027.
Apesar das ressalvas, o BTG destacou que a execução operacional da Petrobras permanece sólida, com projeções de produção alcançando 2,7 milhões de barris por dia até 2028, impulsionada pela entrada de novas plataformas de produção (FPSOs). O banco considera a estratégia de longo prazo da estatal crível e alinhada aos acionistas minoritários, interpretando a pressão atual sobre o caixa como consequência de um ciclo intensivo de capital no offshore, e não de deterioração estratégica.
Bradesco BBI Também Reduz Recomendação
Na semana passada, o Bradesco BBI seguiu a mesma linha, cortando sua recomendação de compra para neutra para as ações da Petrobras. A decisão foi baseada na estimativa de um preço de longo prazo de US$ 65 para o barril de petróleo Brent. Segundo o banco, embora a Petrobras possa apresentar surpresas positivas na produção, a agenda de fusões e aquisições da empresa continua a representar riscos.
Em seu relatório, os analistas do Bradesco BBI apontaram que a relação entre risco e retorno da Petrobras se tornou menos atrativa. Eles destacaram que o rendimento de dividendos projetado para 2026 é de 6,5%, inferior à média de empresas do setor nos Estados Unidos (7%) e também aos 8% estimados para a Vale. Essa perspectiva de dividendos, em sua visão, tornou-se excessivamente apertada.
Fluxo Estrangeiro Contribui para Alta da PETR4
Em contrapartida à cautela de parte dos gestores, as ações da Petrobras figuram entre as principais formas de investidores estrangeiros acessarem o mercado brasileiro. Esse movimento ocorre em um contexto de rotação global de carteiras, atribuído mais a uma mudança de percepção sobre o mercado como um todo do que a alterações específicas na avaliação do mercado brasileiro ou da própria estatal. O desempenho positivo de PETR4, com alta de cerca de 20% no ano, reflete esse interesse.
Perspectivas Futuras e Dividendos
Apesar do otimismo pontual de alguns investidores, a maioria parece aguardar por sinais mais concretos que justifiquem um aumento de exposição. A expectativa de um dividend yield em torno de 7% a 8% em 2026, conforme projetado pelo BTG Pactual, embora razoável, não parece ser suficiente para reverter a postura cautelosa de muitos fundos, especialmente diante dos riscos percebidos e da concorrência com outras oportunidades de investimento.

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