Transparência Internacional critica falhas estruturais na luta contra a corrupção no Brasil
Investigações envolvendo o Banco Master e fraudes milionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) expõem a fragilidade dos mecanismos de controle contra a corrupção no Brasil. A Transparência Internacional destacou esses episódios em seu relatório “Retrospectiva 2025”, apontando para a infiltração do crime organizado no Estado e para falhas na governança de setores econômicos cruciais. O país segue estagnado em sua posição no Índice de Percepção da Corrupção (IPC).
O documento, divulgado nesta terça-feira (10), reitera a preocupante situação brasileira no cenário global de combate à corrupção. O Brasil se manteve na 107ª posição entre 182 países avaliados, com uma pontuação de 35 em 100, a segunda pior marca histórica registrada pela organização. A análise sublinha como a corrupção mina as instituições e permite que redes criminosas manipulem o funcionamento do Estado para fins ilícitos.
O relatório cita especificamente a Operação Sem Desconto, que desvendou o maior esquema previdenciário do país, prejudicando milhares de aposentados, e a Operação Compliance Zero, que investigou a maior fraude bancária já registrada no Brasil. No caso do Banco Master, a Transparência Internacional levanta suspeitas sobre contratos de alto valor com escritórios de advocacia ligados a autoridades públicas, indicando potenciais conflitos de interesse e interferências em investigações em andamento, conforme informação divulgada pela Transparência Internacional.
Fraudes no INSS e no Banco Master: Sinais de alerta para o Estado
Os casos do INSS e do Banco Master servem como exemplos gritantes das vulnerabilidades do sistema brasileiro. A Transparência Internacional aponta que a corrupção não apenas desvia recursos públicos, mas também compromete a **eficiência e a integridade das instituições**. A ONG também critica a resposta do governo federal ao escândalo do INSS, alertando para o aumento expressivo das emendas parlamentares, que ultrapassaram R$ 60 bilhões no orçamento de 2026, consolidando o fenômeno da “captura orçamentária”.
Recomendações para fortalecer o combate à corrupção
Diante deste cenário, a Transparência Internacional apresentou um conjunto de recomendações aos três Poderes da República. Ao Executivo, a entidade sugere maior **transparência orçamentária** e o fortalecimento das estruturas de investigação. Para o Judiciário, propõe a criação de um código de conduta no Supremo Tribunal Federal e a redistribuição do inquérito do Banco Master. Já ao Legislativo, defende a regulamentação do lobby, o aprimoramento do Estatuto da Advocacia e a criação de uma comissão parlamentar para investigar irregularidades no sistema bancário.
CGU contesta metodologia e destaca avanços no controle
Em resposta ao relatório, a Controladoria-Geral da União (CGU) contestou o uso do IPC como medida direta da corrupção. O órgão argumentou que o índice reflete percepções de grupos específicos e pode variar sem relação direta com a atuação estatal. A CGU exemplificou o caso do INSS, destacando que o esquema foi identificado e interrompido pelo governo, que iniciou o ressarcimento de aposentados e adotou medidas corretivas. A Controladoria ressaltou que a ampliação das investigações e da transparência demonstra, na verdade, uma **maior capacidade do Estado de enfrentar a corrupção**.
Avanços e desafios no panorama anticorrupção
Apesar das críticas, o relatório da Transparência Internacional reconhece alguns avanços. A Operação Carbono Oculto, conduzida pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo, é citada como um exemplo positivo pelo uso de inteligência financeira para rastrear fluxos ilícitos de capital. A rejeição da “PEC da Blindagem” no Senado também é mencionada como um sinal de mobilização social contra retrocessos na responsabilização de autoridades. No entanto, os casos do Banco Master e do INSS continuam sendo **símbolos das falhas estruturais** que ainda persistem no combate à corrupção no Brasil.

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