BTG Pactual Analisa Trajetória da Selic em 2026: Otimismo Cauteloso com Olho no Risco Fiscal
Após o Comitê de Política Monetária (Copom) manter a Taxa Selic em 15% ao ano e sinalizar um possível início de ciclo de afrouxamento monetário em março, o mercado financeiro volta suas atenções para a magnitude dessas reduções. A principal questão que paira no ar é: até onde a taxa básica de juros pode cair ao longo de 2026?
Tiago Berriel, sócio e estrategista-chefe do BTG Pactual, apresentou um cenário base que projeta um corte total de 3 pontos percentuais em 2026, com potencial para uma redução acumulada de até 4,5 pontos percentuais na taxa básica de juros em um horizonte mais estendido.
Essas projeções foram compartilhadas durante um painel na CEO Conference 2026, onde Berriel destacou a elevada incerteza, especialmente por o Brasil atravessar um ano eleitoral, fator que historicamente aumenta a volatilidade no mercado. Conforme informação divulgada pelo BTG Pactual, o estrategista afirmou: “É muito difícil prever a trajetória dos juros este ano porque tem muita coisa acontecendo. Se a gente parar para pensar, a gente nunca teve, em ano eleitoral, uma perspectiva de ciclo tão grande”.
Início Cauteloso e Condições para Aceleração dos Cortes
Na visão de Berriel, o Banco Central deve iniciar o ciclo de cortes de forma gradual e cautelosa. “A ideia é não acelerar muito. Eu acho que começa com 50 bps [0,5 ponto percentual, pp]”, explicou. Ele ressaltou que o desenvolvimento do cenário eleitoral, a definição de candidatos e a possível volatilidade cambial influenciarão o ritmo das decisões.
Se as eleições de outubro transcorrerem sem grandes surpresas, Berriel vislumbra espaço para uma aceleração maior no ritmo de cortes da Selic. No entanto, essa perspectiva está atrelada a algumas condições cruciais: a ausência de uma política fiscal mais expansionista, a inexistência de novos aumentos de gastos públicos, indicadores de atividade econômica sem surpresas negativas e a ausência de eventos extremos no câmbio.
“A preço de hoje, isso significa que a gente não vai ter uma política fiscal muito mais expansionista, nem eventos cambiais extremos, ou seja, uma eleição calma, que não tenha tanto impacto no mercado”, pontuou o estrategista. Nesse contexto, as próximas reuniões do Copom serão determinantes para clarear o cenário, com a expectativa de que os primeiros 100 bps de corte ocorram em breve, permitindo ao Banco Central avaliar melhor as incertezas.
Alerta Fiscal: A Urgência do Controle de Gastos
Mansueto Almeida, sócio e economista-chefe do BTG Pactual, aproveitou o mesmo painel para enfatizar a situação delicada das contas públicas brasileiras. Ele defendeu a necessidade imperativa de um controle rigoroso de gastos, independentemente do próximo governo a assumir a Presidência da República.
Almeida explicou que o atual governo precisou aumentar a arrecadação justamente devido ao expressivo crescimento das despesas. “Para se ter uma ideia, o crescimento do gasto público federal nos últimos oito anos foi de 9%. A gente vai terminar esse governo com o gasto público federal em quatro anos subindo 20%”, alertou. Esse aumento de despesas, segundo o economista, é um dos fatores que contribuem para o patamar elevado dos juros no Brasil.
“Como o governo gastou muito, levando a inflação para cima, o Brasil hoje tem a maior taxa de juros do mundo”, afirmou. Ele destacou ainda que o país deve fechar o ano com um déficit nominal médio de 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB), um nível considerado elevado quando comparado internacionalmente, citando que países como França, Inglaterra e EUA, que enfrentam problemas fiscais, apresentam déficits nominais entre 5% e 6% do PIB.
Perspectivas de Crescimento Limitadas e o Papel dos EUA
Almeida também trouxe um alerta sobre as perspectivas de crescimento da economia brasileira. Segundo ele, os fundamentos atuais não são favoráveis para a manutenção do desempenho observado nos últimos anos. O ciclo de crescimento pós-pandemia partiu de um ponto com desemprego elevado, o que permitiu a reinserção de muitos trabalhadores no mercado. Atualmente, o desemprego está em 5,1%, o que limita esse potencial.
O economista estima que o crescimento potencial do PIB brasileiro seja baixo, dificilmente ultrapassando 1,5% ao ano, considerando o crescimento da força de trabalho e um crescimento otimista da produtividade. Sem um ajuste fiscal focado no controle de despesas, a situação se agrava, impedindo a redução dos juros e levando a um crescimento insustentável da dívida pública.
No que tange à política monetária internacional, Eduardo Loyo, sócio do BTG Pactual, defendeu uma postura mais restritiva por parte do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos. Ele argumenta que uma abordagem mais “hawkish” seria adequada para consolidar a desinflação e reduzir o risco de inflação persistente acima da meta de 2%, mesmo que isso signifique, temporariamente, juros abaixo desse patamar. Loyo observa que as condições para corte de juros nos EUA são consideravelmente mais desfavoráveis do que no Brasil.

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