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Inflação e Eleições: Analista Revela Por Que Selic Poderia Cair Mais, Mas Fica Travada em 2024

Selic em 2024: O que esperar dos juros no Brasil e nos EUA?

O mercado financeiro já se movimenta com a expectativa de cortes na taxa Selic em 2024. A maioria dos analistas e investidores prevê que o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciará o ciclo de reduções já em março, com um corte de 0,50 ponto percentual, levando a taxa básica de juros a 14,50% ao ano. As projeções indicam que essa tendência de queda deve continuar ao longo do ano.

No entanto, surge a dúvida sobre o ritmo e a profundidade desses cortes. Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, há um espaço maior para a redução da Selic do que o atualmente precificado pelo mercado. A inflação esperada para o final do ano, em torno de 4%, com juros projetados em 12,25% em dezembro, resultaria em uma taxa de juros real de aproximadamente 8%, considerada ainda muito elevada.

A avaliação de Shahini é que o Banco Central tem condições de promover cortes mais expressivos, impulsionados pela desaceleração recente da inflação, um movimento já reconhecido pelo próprio Copom. A ata da última reunião do comitê destacou um arrefecimento nos índices de inflação, embora ainda permaneçam acima da meta. Além disso, o enfraquecimento do dólar também contribui para um cenário mais favorável ao afrouxamento monetário, visto que a divisa americana influencia diretamente o IPCA.

Conforme informação divulgada pelo Money Times, Bruno Shahini, especialista de investimentos da Nomad, afirmou: “A simetria do Brasil é para mais cortes. Hoje, a expectativa para inflação é de quase 4% no final do ano e com os juros que o mercado projeta [de 12,25% em dezembro], a gente está falando de uma taxa de juros real perto de 8%. É extremamente elevado”. Ele acrescentou que, “seguindo essa lógica, o Banco Central tem um orçamento de corte maior do que o mercado precifica”.

O impacto das eleições no ritmo de cortes da Selic

Apesar do cenário econômico apresentar oportunidades para cortes mais acentuados na taxa Selic, o especialista aponta que o período eleitoral no Brasil pode ser um fator limitante. A proximidade das eleições tende a aumentar a volatilidade no mercado financeiro no segundo semestre, o que pode levar o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa.

Shahini ressalta que, em um ano sem eleições, a perspectiva seria de cortes mais significativos, com a Selic potencialmente caindo para 10%. Contudo, ele estima que o Banco Central, conhecido por sua retórica conservadora, optará por uma abordagem mais prudente, aguardando a evolução da dinâmica inflacionária e das expectativas do mercado antes de acelerar o ciclo de afrouxamento monetário.

Juros nos Estados Unidos: um olhar sobre o Federal Reserve

Nos Estados Unidos, o mercado também antecipa cortes nos juros pelo Federal Reserve (Fed) ao longo de 2024, com pelo menos duas reduções já precificadas. A taxa de juros americana atualmente se encontra na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. A trajetória futura desses juros é crucial, pois qualquer desvio significativo em relação às expectativas do mercado pode impactar a força do dólar globalmente.

O mercado de trabalho resiliente nos EUA no último ano deu suporte ao ciclo de cortes promovido pelo Fed. No entanto, a inflação, medida pelo índice PCE (gastos com consumo pessoal), voltou a ser a principal preocupação da autoridade monetária americana, permanecendo acima da meta. Isso indica que o Fed continuará a monitorar de perto os dados econômicos antes de tomar decisões.

Kevin Warsh no Fed: uma nova perspectiva para a política monetária

Uma novidade no radar do Fed é a possível indicação de Kevin Warsh para a presidência da autoridade monetária. Ex-diretor do Fed, Warsh foi indicado pelo presidente Donald Trump e, caso seu nome seja aprovado pelo Senado, assumirá o posto após o término do mandato de Jerome Powell. Sua indicação foi bem recebida pelo mercado, que o vê como um nome técnico e com maior independência para conduzir a política monetária.

Warsh tem se mostrado crítico a algumas práticas recentes do Fed, como o tamanho do balanço patrimonial e a manutenção prolongada de políticas monetárias expansionistas. Ele defende que a redução das reservas de títulos do BC, atualmente superiores a US$ 6 trilhões, pode permitir o corte de juros sem gerar pressões inflacionárias. Essa mudança no comando pode trazer uma nova dinâmica para a atuação do Fed no mercado.

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