Copasa (CSMG3) em xeque: renúncia e escândalo abalam a estatal de saneamento em meio à privatização
A Copasa (CSMG3) enfrenta um momento turbulento com a renúncia de Hamilton Amadeo, presidente do conselho de administração. A decisão ocorreu no mesmo dia em que vieram à tona informações sobre um depoimento do executivo ao Ministério Público Federal (MPF), levantando suspeitas sobre o pagamento de propinas.
As revelações surgiram após reportagem do UOL, que detalhou o relato de Amadeo em delação premiada. Ele teria admitido autorizar o pagamento de propina a políticos com o objetivo de assegurar contratos de concessão para a Aegea, líder no setor de saneamento no Brasil e empresa que ele dirigiu entre 2011 e 2020.
Esses desdobramentos já impactam o mercado. Na manhã desta sexta-feira (13), as ações da Copasa apresentavam queda de 1,65% na B3, negociadas a R$ 55,53, refletindo a apreensão dos investidores com a instabilidade gerada pelo caso.
Um divisor de águas para a Copasa e a Aegea
A saída de Amadeo do conselho da Copasa ocorre em um período crucial para a companhia mineira de saneamento, que está em processo de privatização por meio de oferta de ações. A empresa, em comunicado ao mercado, assegurou que a sucessão na presidência do conselho seguirá os trâmites estatutários e de governança, visando garantir a estabilidade e a continuidade da gestão.
Em nota, a Copasa reforçou que os fatos noticiados pela imprensa são estritamente relacionados à trajetória profissional anterior de Amadeo, **sem qualquer vínculo com sua atuação na Copasa** ou com a integridade de suas operações. Hamilton Amadeo não se manifestou publicamente sobre o assunto.
Aegea em foco: acordo de leniência e impactos financeiros
A Aegea, por sua vez, confirmou que o acordo de leniência, firmado em abril de 2021, trata de fatos anteriores a 2018. A empresa informou que as apurações foram resultado de investigações internas e independentes, cujos resultados foram compartilhados voluntariamente com o MPF. Os termos do acordo permanecem sob sigilo legal.
A companhia esclareceu que os impactos financeiros do acordo já estavam refletidos em suas demonstrações financeiras desde 2021, ano em que a ressalva dos auditores relacionada às investigações foi retirada. A Aegea também enfatizou que o acordo **não gera efeitos para a companhia ou suas concessionárias**, garantindo a solidez de sua estrutura de capital e capacidade de honrar compromissos.
Crise na Aegea: intervenção e sigilo contratual
A Aegea Saneamento também divulgou, no início deste mês, um fato relevante sobre sua atuação como interveniente-garantidora em um acordo de R$ 439 milhões firmado em 2021 pela antiga controlada Montese Engenharia e Comércio com o MPF. A empresa reiterou que as circunstâncias investigadas são anteriores a 2018.
Segundo a Aegea, os termos do acordo permaneceram sob sigilo contratual até o recente vazamento das informações. A empresa reafirmou que o acordo **não afeta a companhia e suas concessionárias**, que possuem forte capacidade de investimento e pagamento de dívidas, e que os reflexos patrimoniais e contábeis já foram incorporados às demonstrações financeiras desde 2021.

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