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Gás Natural: O “Grande Prêmio” da Venezuela Superando o Petróleo com Apoio da Shell e EUA

O Gás Natural Venezolano: Uma Oportunidade Subestimada em Meio a Desafios Políticos e Econômicos

A Venezuela, conhecida mundialmente por suas vastas reservas de petróleo, pode estar prestes a descobrir um novo e lucrativo “grande prêmio”: o gás natural. Em contraste com o setor petrolífero, que enfrenta complexidades e relutância de grandes investidores, o gás natural offshore, especialmente em campos descobertos décadas atrás na costa leste, apresenta um potencial de desenvolvimento mais rápido e atrativo para empresas como a Shell.

Esses campos, localizados em bolsões de gás natural presos no leito oceânico, foram largamente ignorados enquanto o país concentrava seus esforços na extração e comercialização de petróleo. A relutância em explorar essas reservas, no entanto, pode estar prestes a mudar, impulsionada por um ambiente regulatório mais favorável e pela busca de novas fontes de energia.

Apesar dos obstáculos impostos pelas sanções dos Estados Unidos, o Departamento do Tesouro tem flexibilizado gradualmente as restrições, abrindo portas para negociações e operações. A cooperação com Trinidad e Tobago, vizinho com infraestrutura de exportação de gás já estabelecida, é vista como um fator determinante para o sucesso desses projetos. Conforme informações divulgadas pelo The New York Times Company, a Venezuela pode estar diante de uma nova era de exploração energética, focada em seus recursos de gás natural.

A Vantagem do Gás Natural Offshore e o Interesse da Shell

Diferentemente dos campos de petróleo, que são protegidos de perto pelo governo venezuelano, as autoridades têm demonstrado maior disposição em conceder acesso a empresas estrangeiras para o desenvolvimento de seus recursos de gás natural. A Shell, por exemplo, demonstra um interesse de longa data em explorar esses campos offshore, que são descritos como “um brinquedo velho, mas novo”, pois “você nunca abriu a caixa”, segundo Antero Alvarado, consultor de energia baseado em Caracas.

A exploração desses campos representa uma oportunidade única, pois muitos deles foram descobertos há décadas, mas permaneceram intocados. A viabilidade econômica de projetos como o campo de gás Dragon, localizado na fronteira marítima com Trinidad e Tobago, reside na possibilidade de construir um pequeno gasoduto para a infraestrutura já existente no país vizinho, evitando os altos custos de construir terminais de exportação na Venezuela.

Trinidad e Tobago: Um Parceiro Essencial e um Desafio Geopolítico

A viabilidade dos projetos de gás natural na Venezuela está intrinsecamente ligada à cooperação com Trinidad e Tobago. Grande parte das reservas de gás venezuelano se encontra ao longo da fronteira marítima com a nação insular, que possui a infraestrutura necessária para o transporte e exportação do combustível. Essa interdependência torna o projeto de gás Dragon, por exemplo, mais promissor, pois a Venezuela não teria como monetizar o gás em outro lugar, segundo Francisco J. Monaldi, da Universidade Rice.

No entanto, a relação entre os dois países tem sido marcada por tensões. A Venezuela expressou descontentamento com o alinhamento de Trinidad e Tobago aos Estados Unidos em relação ao governo de Nicolás Maduro. A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, chegou a declarar a interrupção de negociações e o cancelamento de contratos de gás, o que gerou incertezas sobre o futuro de projetos como o Dragon.

Sanções dos EUA e a Flexibilização para o Setor de Gás

As sanções impostas pelos Estados Unidos têm sido um obstáculo significativo para o aumento da produção de gás na Venezuela. Contudo, o Departamento do Tesouro tem, gradualmente, afrouxado essas restrições, emitindo novas diretrizes que visam facilitar a atuação de petroleiras e empresas de gás no país. A Shell afirmou estar analisando o impacto dessas novas permissões em seus projetos offshore.

Essa flexibilização regulatória, aliada ao interesse de empresas como a BP em projetos como o Cocuina, sugere um ambiente mais propício para investimentos. Rachel Ziemba, pesquisadora sênior associada do Center for a New American Security, aponta que os EUA estão “costurando um ambiente que permita aos atores já presentes continuar operando”, embora ainda existam preocupações com acesso à eletricidade, segurança e o sistema bancário venezuelano.

Potencial Econômico e o Futuro do Gás Venezolano

O campo de gás Dragon, se desenvolvido, tem o potencial de gerar cerca de US$ 500 milhões por ano em receita, com pelo menos 45% desse valor revertendo para a Venezuela em impostos e royalties, de acordo com estimativas de Luisa Palacios, ex-presidente da Citgo Petroleum. O CEO da Shell, Wael Sawan, destacou que “são oportunidades que poderiam ser ativadas em questão de meses, com potencial de alguns bilhões de dólares em investimentos e produção nos próximos anos”.

O desenvolvimento do gás venezuelano é visto como um “ganha-ganha” para Trinidad e Tobago, um ganho para o mercado global de GNL e um ganho para a Venezuela, conforme declarado pelo Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright. A Venezuela, que atualmente desperdiça grande parte do gás produzido através de queima em tochas, tem um forte incentivo para explorar esses recursos de forma mais eficiente e sustentável, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

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