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IA Ameaça Lucros Corporativos: Investidores Vendem Ações em Massa, Ignorando Crescimento Sólido

Inteligência Artificial: O Fantasma que Assombra os Lucros e Assusta Investidores no Mercado Financeiro

Em um trimestre marcado por resultados corporativos robustos, o foco de executivos e investidores se desviou para uma preocupação crescente: o impacto disruptivo da inteligência artificial (IA). As discussões sobre a IA em teleconferências dispararam, quase dobrando em relação ao período anterior, segundo análise da Bloomberg News.

Embora a tecnologia ainda não tenha se traduzido em cortes significativos nas projeções de lucros, o mercado já demonstra sua aversão ao risco. Investidores estão antecipando possíveis perdas e se desfazendo de ações de empresas consideradas vulneráveis à inteligência artificial, configurando um cenário de incerteza.

Essa movimentação ocorre mesmo diante de um desempenho financeiro positivo de muitas companhias. A inteligência artificial, com seu potencial transformador, tornou-se o principal fator de volatilidade, eclipsando os dados de crescimento. Conforme informação divulgada pela Bloomberg, os lucros do quarto trimestre das empresas do S&P 500 aumentaram 12% em relação ao ano anterior, superando as expectativas iniciais.

Mercado em Alerta: IA Muda o Jogo para Empresas e Investidores

A preocupação com a inteligência artificial está moldando as estratégias de investimento. Um exemplo notório foi o caso da CBRE Group, empresa de imóveis comerciais. Após divulgar resultados acima do esperado, seu CEO mencionou o potencial da IA em reduzir a demanda por escritórios a longo prazo. A declaração provocou uma queda de 20% em suas ações em apenas dois dias.

Roberto Scholtes, chefe de estratégia do Singular Bank, comentou que “os mercados agem primeiro e perguntam depois”. Ele explica que os investidores colocaram o ônus da prova sobre as empresas, que precisam demonstrar resiliência diante da IA para atrair capital. “Não há pressa para entrar nessas águas turbulentas”, afirmou.

Apesar do forte crescimento de lucros, o índice S&P 500 tem oscilado. Inicialmente, a preocupação era o alto investimento em IA por grandes empresas de tecnologia, e agora, o receio se volta para a ameaça aos lucros. Essa dualidade reflete a complexidade do cenário atual.

Setores em Risco e a Busca por Resiliência na Era da IA

Ao longo do último ano, investidores têm identificado potenciais vencedores e perdedores da revolução da inteligência artificial. Setores como mídia, software e recrutamento, considerados mais expostos, já sentiram o impacto. Recentemente, essa tendência se ampliou, afetando também empresas dos setores financeiro, de serviços profissionais e até mesmo de logística.

Em contrapartida, na Ásia, índices importantes alcançaram recordes, impulsionados por gigantes como a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC) e a SK Hynix, fornecedoras cruciais para a infraestrutura de IA. Essas empresas representam o lado da oferta da corrida tecnológica.

Carteiras de ações consideradas em risco pela inteligência artificial, compiladas pelo UBS Group AG, sofreram quedas expressivas de 40% a 50% no último ano. Nos EUA, nomes como Salesforce, Unity e ServiceNow estão na lista, enquanto na Europa, figuram London Stock Exchange Group, WPP, Wolters Kluwer e Capgemini.

Jean-Edwin Rhea, gestor de fundos da Sunny Asset Management, resumiu a situação: “se é digital, é vulnerável”. Ele sugere que, no curto prazo, o mundo físico oferece mais certeza do que o ambiente digital, impactado pela velocidade das mudanças tecnológicas.

Empresas Tentam Reverter o Cenário e Demonstrar Benefícios da IA

Diante da pressão do mercado, executivos corporativos têm redobrado esforços para destacar os benefícios que a inteligência artificial já traz para seus negócios. Empresas como Expedia Group e RELX têm compartilhado como utilizam a IA para desenvolver produtos e oferecer ferramentas de análise de dados aos clientes.

A Zillow Group, atuante no mercado imobiliário residencial, argumenta que seu setor é menos suscetível à IA devido à sua natureza profundamente local. Essas narrativas buscam mitigar o receio dos investidores e reforçar a proposta de valor de seus negócios.

Apesar da onda de vendas, muitos analistas de Wall Street acreditam que o movimento foi exagerado, e algumas ações já mostram sinais de recuperação neste mês. No entanto, investidores focados em apostas de curto prazo continuam atentos, especialmente na Europa, com crescente interesse em posições vendidas em empresas mais vulneráveis à disrupção da IA.

O Futuro Incerto e os Gastos Contínuos em Infraestrutura de IA

O percentual de ações emprestadas em relação ao total em livre circulação, um indicador de vendas a descoberto, saltou para mais de 5% em algumas cestas europeias, ante cerca de 2% há dois anos, segundo dados da S&P Global Market Intelligence. Nomes como Randstad, Ubisoft Entertainment e WPP estão entre os mais afetados.

Mark Hiley, fundador da The Analyst, observa que “os investidores que apostam na queda das ações estão se aglomerando nesse tema porque a narrativa é muito forte”. Ele aponta que o impacto nos modelos de negócio pode ser quase imediato, tornando o potencial de lucro futuro extremamente incerto.

Mesmo com o mercado precificando o impacto da IA, os gastos com a infraestrutura que a sustenta, como os grandes data centers, não dão sinais de arrefecimento. Os investimentos de capital das cinco maiores empresas do setor – Amazon, Alphabet, Meta, Microsoft e Oracle – aumentaram 72% em 2025, com previsão de um novo aumento de 63% neste ano, de acordo com estrategistas do Bank of America Corp.

A expectativa agora recai sobre um possível corte nesses gastos por parte dos gigantes da tecnologia. Tal anúncio poderia ser o catalisador para desacelerar a atual onda de vendas no mercado, trazendo um pouco mais de estabilidade para o cenário de investimentos.

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