FGC Sob Pressão: O Que ITUB4, SANB11 e BBAS3 Revelam Sobre o Caso Master e o Futuro do Fundo Garantidor de Crédito
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) tem sido o centro das atenções no mercado financeiro brasileiro. A liquidação de instituições como o Banco Master e o Pleno gerou temores devido à sua expressiva exposição ao fundo, que tem a responsabilidade de proteger depositantes e investidores.
Com passivos bilionários em jogo, o sistema financeiro como um todo precisará arcar com os custos. As grandes instituições financeiras, que representam a maior parte das contribuições ao FGC, já começam a detalhar os impactos e as medidas que serão tomadas para garantir a solidez do sistema.
Em meio a essa conjuntura, os CEOs de bancos como Itaú Unibanco (ITUB4), Santander (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3) compartilharam suas visões e os planos em andamento para a recomposição do fundo. Conforme informações divulgadas, o FGC já está arcando com valores significativos e um plano de adiantamento de contribuições está sendo implementado.
O Impacto das Liquidações no FGC
A situação se agravou com a recente liquidação do banco Pleno, que se soma aos R$ 40,6 bilhões de investidores do Master e aos R$ 6,3 bilhões de clientes do Will Bank. O Pleno possuía cerca de 160 mil credores elegíveis, com garantias estimadas em R$ 4,9 bilhões. Ao todo, já são R$ 51,8 bilhões que o FGC precisará cobrir.
Essa magnitude de saídas exige uma ação coordenada. A CEO do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, comparou o FGC a um condomínio, onde a inadimplência de um morador obriga os demais a cobrir o déficit. Essa analogia ilustra a necessidade de cooperação entre as instituições financeiras para manter a saúde do fundo.
O sistema como um todo terá que pagar a conta, segundo as discussões em curso. O Conselho do FGC já aprovou um plano de recomposição que inclui o adiantamento de cinco anos de contribuições pelos bancos, com antecipações adicionais em 2027 e 2028, totalizando sete anos de repasses antecipados. Além disso, discute-se um aumento extraordinário de 30% a 60% nas contribuições mensais.
Posicionamento dos Grandes Bancos: ITUB4, SANB11 e BBAS3
Durante as coletivas de resultados do quarto trimestre, os executivos dos maiores bancos do país foram questionados sobre o caso Master e seu impacto no FGC. Os cinco maiores bancos brasileiros, que respondem por cerca de 80% das contribuições ao fundo, estão ativamente envolvidos nas discussões.
Mário Leão, CEO do Santander, enfatizou que um novo Master não poderá ocorrer no Brasil, mas evitou antecipar detalhes sobre a recapitalização do fundo. Ele destacou que o diálogo entre os grandes bancos, o FGC e o regulador é frequente e que se espera uma definição nas próximas semanas ou meses.
Milton Maluhy, CEO do Itaú Unibanco (ITUB4), descreveu o evento como de magnitude relevante, um dos maiores já observados no sistema financeiro brasileiro. Ele ressaltou que a recomposição do montante exigirá recursos dos bancos, o que pode levar a um repasse de custos aos consumidores por meio de tarifas e spreads mais elevados.
Maluhy defendeu a busca por mecanismos inteligentes para recapitalizar o FGC, minimizando o impacto para bancos e, consequentemente, para a sociedade. Ele também apontou que interesses próprios foram colocados à frente dos interesses do sistema, citando os lucros bilionários de plataformas que distribuíram os produtos em questão.
Custos para o Banco do Brasil e a Importância de um FGC Sólido
O CFO do Banco do Brasil (BBAS3), Giovanne Tobias, informou que a instituição terá que desembolsar R$ 5 bilhões devido ao caso Master. Ele afirmou que o banco buscará recompor a liquidez o mais rápido possível, pois o FGC é fundamental para garantir a solidez do sistema financeiro.
Tobias explicou que a antecipação das contribuições tem um efeito patrimonial, deslocando recursos do banco para o fundo. No entanto, há um custo de oportunidade, pois o dinheiro deixa de render. “Tiramos R$ 5 bilhões do caixa e perdemos a receita de oportunidade desse dinheiro na tesouraria, que poderia render a Selic”, declarou o executivo.
Apesar do custo, a necessidade de manter um FGC sólido é inegável. A perda de receita é vista como um sacrifício necessário para garantir a segurança e a confiança no sistema financeiro brasileiro, protegendo os depositantes e investidores em momentos de crise.

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