Lula aposta em acordo comercial com EUA, mas alerta Trump sobre impacto de tarifas e busca cooperação contra crime organizado
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou otimismo em relação a um possível acordo com os Estados Unidos durante sua próxima visita ao país, apesar das novas tarifas globais de 15% impostas pelo presidente Donald Trump. Lula acredita que a cooperação é benéfica para ambas as nações e que o diálogo direto com Trump é o caminho para superar impasses.
Em entrevista concedida na Índia, o presidente destacou que impor tarifas sobre produtos brasileiros poderia gerar inflação nos EUA, prejudicando o próprio povo americano. Ele também fez um apelo para evitar uma nova Guerra Fria e reafirmou o desejo do Brasil por relações de igualdade com todas as nações, sem preferência por blocos específicos.
A declaração de Lula foi feita ao final de sua visita de quatro dias à Índia, onde reforçou a parceria estratégica com o país asiático e assinou acordos importantes. A busca por um entendimento com os EUA, contudo, permanece como um ponto central de sua agenda externa, com ênfase na segurança e no combate ao crime organizado, conforme divulgado pelo g1.
Combate ao crime organizado: uma prioridade na agenda internacional
Um dos focos centrais da próxima visita de Lula aos Estados Unidos será a intensificação do combate ao crime organizado. O presidente tem levado consigo o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em suas viagens internacionais para reforçar essa pauta. Lula já havia manifestado, em dezembro, o desejo de que os EUA colaborem enviando criminosos brasileiros refugiados em território americano.
“Se o governo americano estiver disposto a combater o narcotráfico e o crime organizado, nós estaremos dispostos, na linha de frente, a acabar de uma vez por todas. Inclusive, reivindicamos a eles que mandem para nós os bandidos que estão lá”, afirmou Lula, reiterando a seriedade do Brasil em lidar com a questão. Ele também se colocou à disposição para trabalhar em conjunto para prender aqueles que chamou de “magnatas da corrupção”.
Relações comerciais equilibradas e críticas a práticas colonizadoras
Lula ressaltou a importância de negociações baseadas na igualdade, contrastando a abordagem que pretende ter com os EUA com a que percebe em países historicamente colonizadores. Ele descreveu a visita à Índia como um “marco” nas relações bilaterais, destacando que, ao negociar com a Índia, o Brasil não trata com um “colonizador”, mas sim com um parceiro em pé de igualdade.
“Quando se vai fazer negócio com um país rico, com aqueles países habituados a serem colonizadores, é uma espécie de autoritarismo nas negociações, não levando em conta a especificidade de cada nação, sempre querendo que prevaleça a lei do mais forte. Com a Índia é diferente”, explicou o presidente. Ele enfatizou que Brasil e Índia são “dois necessitados” e que “ninguém é superior a ninguém”, sinalizando o tipo de relação que busca estabelecer globalmente.
Tarifas de Trump e a busca por consenso
Apesar do anúncio de novas tarifas globais de 15% pelo presidente Donald Trump, Lula mantém a confiança na capacidade de chegar a um acordo. Ele prefere não comentar diretamente a decisão da Suprema Corte americana que suspendeu tarifas recíprocas, mas vê as novas medidas como uma forma de Trump de manter a pressão. No entanto, o presidente brasileiro acredita que a imposição dessas tarifas pode não afetar a competitividade das exportações brasileiras, uma vez que atingem a todos os países.
Lula indicou que percebe sinais de resistência em alguns setores do governo americano para negociar, o que o leva a insistir na importância de um diálogo direto com Trump. A expectativa é que a conversa entre os líderes possa restabelecer a normalidade nas relações Brasil-EUA, visando interesses mútuos e evitando medidas que prejudiquem ambas as economias.

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