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Aplicativos Revolucionam Emprego e Renda no Brasil, Mas Podem Atrasar Inflação à Meta de 3%

Mercado de Trabalho em Transformação: O Impacto dos Aplicativos na Economia Brasileira

A forma como os brasileiros trabalham está passando por uma revolução silenciosa, impulsionada pela tecnologia e pela ascensão dos aplicativos. Essa mudança, que permite uma transição rápida entre empregos formais e a informalidade, está impactando diretamente a massa de rendimentos e, consequentemente, pode atrasar o controle da inflação, de acordo com análises de especialistas.

Mesmo diante de um cenário de juros elevados e sinais de desaceleração econômica, a flexibilidade proporcionada por plataformas digitais tem sustentado o poder de compra, desafiando as expectativas de uma queda mais acentuada nos salários. Essa dinâmica complexa exige uma compreensão aprofundada das novas realidades do mercado.

Os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE revelam um quadro multifacetado, com recordes de desemprego baixo convivendo com um saldo modesto de empregos formais. Conforme informação divulgada pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, essa realidade aponta para uma mudança estrutural que merece atenção.

A Ascensão dos ‘Plataformizados’ e Seus Rendimentos

Um estudo do próprio IBGE, divulgado em outubro do ano passado, já indicava que trabalhadores de plataformas digitais, como aplicativos de transporte e entrega, tendem a ter uma renda média maior do que aqueles que não atuam nesse segmento. Em 2024, o rendimento médio dos “plataformizados” foi de R$ 2.996, superando os R$ 2.875 dos demais. No entanto, essa vantagem vem acompanhada de jornadas de trabalho mais extensas, com uma média de 44,8 horas semanais, contra 39,3 horas dos outros trabalhadores.

O número de trabalhadores em aplicativos cresceu cerca de 25% entre 2022 e 2024, atingindo pelo menos 1,7 milhão de pessoas. Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre, destaca que a popularização desses aplicativos contribui significativamente para as baixas taxas de desemprego atuais. Ele estima que, sem o trabalho via plataformas, a taxa de desocupação poderia ser até 1 ponto percentual mais alta.

Aplicativos como ‘Colchão de Renda’ e Impulsionadores da Inflação

Duque também ressalta que, nos últimos anos, houve um ganho de renda maior entre os grupos mais propensos a ingressar no trabalho via plataformas, em comparação com o restante da força de trabalho. Essa diferença pode chegar a R$ 300, evidenciando que os aplicativos não apenas ampliam oportunidades, mas também elevam o rendimento desses perfis. Ele compara essa dinâmica a um “programa de emprego garantido”, que funciona como um “colchão de renda” capaz de amortecer perdas mais agudas em momentos de crise.

Essa sustentação da massa de rendimentos, mesmo com os sinais de desaceleração econômica, é um dos fatores que preocupam especialistas em relação à convergência da inflação para a meta de 3% ao ano. A economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, aponta que, apesar de alguns números do Caged indicarem um aquecimento menor do mercado de trabalho formal, a informalidade impulsionada por aplicativos tende a manter a massa de rendimentos pouco alterada.

Formalidade em Alta e a Discussão sobre Novos Arranjos

Por outro lado, o economista Henrique Danyi, do Santander, observa uma resiliência notável no mercado de trabalho formal, com a taxa de formalidade atingindo patamares recordes desde 2023. Ele sugere que, em vez de uma migração expressiva do formal para o informal, o que se observa é uma absorção de trabalhadores informais pelo mercado formal. Danyi também defende que trabalhadores por conta própria com CNPJ devem ser considerados formais, mudando o foco da discussão de informal-formal para a composição da alocação de emprego.

Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, prevê que a taxa de desemprego fechará 2026 em 6%, ligeiramente acima da estimativa anterior, mas ainda refletindo a complexidade do cenário. Ele destaca que a queda na taxa de participação, ou seja, pessoas em idade de trabalhar que estão no mercado de trabalho, também influenciou a taxa de desemprego em 2025, que terminaria mais alta sem essa variação. A persistência de uma massa de rendimentos aquecida, em parte pelos aplicativos, continua sendo um ponto de atenção para as autoridades monetárias na busca pela estabilidade de preços.

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