Inteligência Artificial promete turbinar a produtividade, mas seus reflexos no PIB ainda são incertos, segundo Moody’s.
A inteligência artificial (IA) surge como uma força transformadora no mercado de trabalho global. A Moody’s Ratings estima que a tecnologia tem o potencial de aumentar a produtividade do trabalho em cerca de 1,5% ao ano, em um horizonte de dez anos. Esse cenário considera a complementaridade entre humanos e máquinas.
No entanto, a agência de classificação de risco pondera que o impacto no Produto Interno Bruto (PIB) pode não ser tão direto. O cálculo do PIB foca no valor de mercado e na produção, e não apenas em melhorias de eficiência, o que pode atenuar a percepção dos ganhos.
O relatório da Moody’s detalha como diferentes países e setores podem ser afetados pela IA, apresentando nuances importantes sobre a adoção e os resultados esperados. Acompanhe os detalhes dessa análise que pode moldar o futuro do trabalho.
Variações globais e o caso do Brasil
O impacto da IA na produtividade não será uniforme entre as nações. Economias avançadas, com maior concentração de ocupações cognitivas e infraestrutura digital robusta, devem observar ganhos anuais entre 1,2% e 2,9%. Em contrapartida, mercados emergentes, com menos empregos tecnológicos e salários mais baixos, tendem a ter um efeito mais moderado, estimado entre 0,4% e 1,4% ao ano.
O Brasil, segundo a Moody’s, pode se beneficiar de um crescimento na produtividade entre 1,8% a 2,1% ao ano, desde que invista em sua base digital e em políticas públicas de inovação. Esses números indicam um potencial significativo, mas que depende de fatores estratégicos.
Como a IA impulsiona a produtividade: três frentes de ação
A Moody’s identifica três mecanismos principais pelos quais a IA eleva a produtividade: automação de tarefas, aumento de capacidades e reemprego da mão de obra. A automação substitui atividades manuais e repetitivas, reduzindo custos e otimizando a eficiência.
O canal de aumento de capacidades é onde se concentram muitos dos ganhos estimados. A IA atua como uma ferramenta de apoio, permitindo que profissionais realizem mais ou com maior qualidade. Por exemplo, advogados podem usar IA para analisar documentos mais rapidamente, e pesquisadores para sintetizar grandes volumes de informação.
O terceiro ponto é o reemprego da mão de obra. Trabalhadores deslocados pela automação podem migrar para novas funções. Se esses novos postos forem mais sofisticados e melhor remunerados, o impacto econômico líquido pode ser positivo, superando as estimativas iniciais.
Setores e empregos mais impactados pela IA
A inteligência artificial afetará diferentes tipos de emprego de maneira distinta. Funções administrativas e operacionais, como escriturários e assistentes, estão entre as mais expostas à automação, devido à capacidade da IA de executar tarefas padronizadas com rapidez e menor custo.
Por outro lado, profissões nas áreas jurídica, financeira, de pesquisa, consultoria e setores criativos tendem a se beneficiar do uso da IA como ferramenta de aumento de produtividade, sem necessariamente uma eliminação de vagas. A tecnologia potencializa as capacidades desses profissionais.
Atividades físicas e presenciais, como as de construção civil, serviços pessoais e agricultura, têm menor exposição à automação no curto prazo. Contudo, avanços em robótica podem ampliar essa influência no futuro. A capacidade de requalificação dos trabalhadores será crucial para a transição para novas funções, muitas delas ligadas à própria IA.
IA e o PIB: uma relação a ser observada
A Moody’s ressalta que, embora a IA possa gerar ganhos expressivos em produtividade, esses benefícios podem não se traduzir diretamente em um aumento substancial do Produto Interno Bruto (PIB). Isso ocorre porque o PIB é medido pelo valor de mercado e pela produção final, e não apenas pela eficiência operacional.
A disseminação da IA agêntica, capaz de executar tarefas complexas com pouca supervisão, tende a aumentar ainda mais o potencial de ganho de produtividade. A agência enfatiza que a dinâmica de reemprego e a criação de novas tarefas moldarão o impacto econômico geral.
Em suma, a inteligência artificial promete uma revolução na forma como trabalhamos, aumentando a eficiência e abrindo novas possibilidades. Contudo, a tradução desses ganhos em crescimento econômico robusto exigirá estratégias adaptativas e investimentos contínuos em inovação e qualificação profissional.

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