Economia dos EUA: Uma Análise Detalhada da “Era Dourada” Afirmada por Trump
O presidente Donald Trump, em seu discurso do Estado da União, pintou um quadro de prosperidade econômica para os Estados Unidos, declarando que o país vivia sua “era dourada”. Ele destacou a queda de preços e o aumento acelerado de empregos como pilares dessa afirmação. Contudo, a percepção pública e diversos indicadores econômicos apresentam uma visão mais matizada, com desafios que contrastam com o otimismo presidencial.
Pesquisas recentes, como a do The Conference Board, revelam que a confiança do consumidor permanece em níveis historicamente baixos, apenas ligeiramente acima do piso atingido durante a crise da COVID-19. A insatisfação com os preços elevados e a percepção de poucas vagas de emprego são apontadas como fatores chave para esse pessimismo generalizado entre os americanos.
A discrepância entre as declarações de Trump e a realidade econômica sentida por muitos cidadãos levanta questões sobre a real extensão da “era dourada” econômica. Uma análise aprofundada dos dados revela que, embora haja pontos positivos, a economia americana enfrenta obstáculos significativos que precisam ser considerados para uma compreensão completa do cenário atual. As informações compiladas de diversas fontes, como o The Conference Board e o Associated Press-NORC Center for Public Affairs Research, são cruciais para entender essa complexidade.
Crescimento Econômico Moderado e Longe do Auge Histórico
A economia dos Estados Unidos está, de fato, em expansão, mas o ritmo de crescimento em 2023 foi de 2,2%, um número inferior aos 2,8% registrados no último ano da administração anterior e aos 2,9% de 2023. Para que se possa falar em uma “era dourada” de crescimento econômico, os padrões históricos indicam a necessidade de taxas superiores a 4% por anos consecutivos, como observado no final dos anos 1990, ou consistentemente acima de 3,5%, como na década de 1980.
Consumidores Ainda Lidam com Preços Elevados, Apesar da Desaceleração da Inflação
Embora a inflação subjacente tenha recuado para o menor nível em cinco anos em janeiro, a percepção de preços altos persiste como um dos principais motivos de insatisfação entre os consumidores americanos. Indicadores acompanhados de perto pelo Federal Reserve (Fed) mostram que a inflação, excluindo itens voláteis, ainda se encontra 3% acima da meta de 2% estabelecida pelo banco central em dezembro. Quase metade dos participantes da pesquisa de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan em fevereiro mencionou espontaneamente que os preços elevados estão corroendo suas finanças pessoais.
Mesmo com a queda no preço de alguns itens, como os ovos, o custo de bens essenciais como alimentos, aluguel e eletricidade permanece significativamente mais alto do que há cinco anos. A eletricidade, por exemplo, teve um aumento de 6,3% nos últimos 12 meses. Além disso, as tarifas impostas pelo governo Trump encareceram muitos produtos importados, e alimentos básicos como carne moída, café e bananas registraram aumentos expressivos, com a carne moída subindo 17% no último ano.
Contratações Quase Estagnadas e Perda de Empregos na Indústria
Um dos fatores que contribuem para o pessimismo dos consumidores é a acentuada desaceleração no ritmo de contratações em 2025. Os empregadores adicionaram apenas 181 mil empregos no total, uma média de 15 mil por mês, configurando o pior desempenho fora de recessões desde 2002. O setor industrial, em particular, sofreu perdas significativas, com 108 mil empregos eliminados em 2025, somando-se às perdas dos anos anteriores. A indústria automobilística e de autopeças, por exemplo, cortou quase 74 mil postos de trabalho nos últimos dois anos.
As tarifas de importação implementadas por Trump contribuíram para o aumento dos custos de matérias-primas e peças para muitas fábricas. As altas taxas de juros também impactaram negativamente o setor manufatureiro. A automação, acelerada pela pandemia, também contribui para a redução da necessidade de mão de obra em algumas fábricas.
Benefícios das Tarifas Incertos e Déficit Comercial Persistente
A alegação de que as tarifas de Trump impulsionaram a economia dos EUA com a entrada de investimentos e empregos não se reflete totalmente nos dados. As tarifas, na realidade, são pagas pelos importadores americanos, que frequentemente repassam esses custos aos consumidores. Estudos indicam que os consumidores americanos arcaram com 43% dos custos adicionais impostos pelas tarifas, enquanto empresas americanas absorveram a maior parte restante.
Contrariando o objetivo de reduzir o déficit comercial dos EUA, as amplas taxas de importação não apresentaram resultados expressivos nesse sentido. O déficit comercial em bens como automóveis e eletrodomésticos, foco das políticas protecionistas de Trump, atingiu um recorde de US$ 1,24 trilhão no ano passado, um aumento de 2% em relação a 2024, indicando que os exportadores estrangeiros não sentiram o impacto esperado das tarifas americanas.

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