IGP-M registra queda acentuada em fevereiro, superando expectativas e indicando desaceleração da inflação.
O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) apresentou uma queda significativa de 0,73% em fevereiro, revendo a alta de 0,41% observada em janeiro. Esta retração foi mais acentuada do que o previsto pelo mercado, que esperava um recuo de 0,6%.
O resultado de fevereiro impactou o acumulado de 12 meses, que agora registra uma deflação de 2,67%. A principal força por trás dessa queda foi o desempenho do setor atacadista, que sentiu o peso da desvalorização de commodities importantes.
A análise detalhada dos componentes do IGP-M revela que o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), responsável por 60% do índice geral e que mede a variação dos preços no atacado, caiu 1,18% em fevereiro. No mês anterior, o IPA havia apresentado uma alta de 0,34%.
Commodities impulsionam queda no atacado
Segundo André Braz, economista do FGV IBRE, a forte queda no IPA em fevereiro foi puxada pelo recuo expressivo nos preços de commodities relevantes. Entre os destaques negativos, o minério de ferro registrou uma retração de 6,92%, a soja caiu 6,36% e o café apresentou uma desvalorização de 9,17% no período.
Esses movimentos no mercado de matérias-primas têm um impacto direto nos custos de produção e, consequentemente, podem influenciar os preços ao consumidor final, embora com defasagem.
Desaceleração no varejo e custos de construção
Em contrapartida, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do índice geral e mede a variação de preços para o consumidor final, mostrou uma desaceleração em sua alta. Em fevereiro, o IPC avançou 0,30%, comparado a 0,51% em janeiro. A FGV atribui essa desaceleração ao menor aumento nas mensalidades escolares.
Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) apresentou uma alta de 0,34% em fevereiro, um ritmo menor do que os 0,63% registrados em janeiro, indicando uma moderação nos custos do setor.
Entenda o cálculo do IGP-M
O IGP-M é um indicador econômico que abrange a variação de preços em três grandes setores da economia: o de produtor, o de consumidor e o da construção civil. Sua apuração ocorre entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência, oferecendo um panorama abrangente da dinâmica de preços no país.
A queda expressiva em fevereiro, especialmente no segmento atacadista, sugere um cenário de desinflação que pode trazer alívio para alguns setores e consumidores, mas também levanta questões sobre a saúde da economia e a demanda por produtos.

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