IPCA-15 dispara e juros futuros reagem: entenda o impacto na sua vida financeira
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) de fevereiro apresentou uma **surpresa inflacionária**, vindo acima das expectativas do mercado financeiro. Este resultado justifica o comportamento recente da curva de juros, marcada pela abertura das taxas e pela perda de inclinação.
A divulgação do IPCA-15 agitou o mercado, levando os contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) a registrarem altas. A apreciação do real e a atenção dos operadores às pesquisas eleitorais para 2026 haviam dado algum fôlego aos DIs em fevereiro, mas o novo dado de inflação mudou o cenário.
A principal consequência é a reavaliação das expectativas sobre os próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom). A aposta majoritária em um corte de 0,50 ponto porcentual na Selic em março, embora ainda prevalente, perdeu força. Conforme informação divulgada pelo Banco BMG, a precificação de Selic no fim de 2026 foi ajustada para 12,25%, de 12,10% anteriormente.
IPCA-15 de fevereiro: o que revelam os números
O IPCA-15 registrou uma alta de 0,84% em fevereiro, um salto significativo em comparação com os 0,20% de janeiro. Este número superou o teto das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast, que era de 0,69%. Em um horizonte de 12 meses, o índice acumula uma variação de 4,10%, também acima do projetado.
A surpresa no indicador foi notável. A Ativa Investimentos, por exemplo, revisou sua projeção para o IPCA fechado de fevereiro de 0,50% para 0,65%. O economista Guilherme Souza, da Ativa, destacou que o núcleo de serviços subjacentes, que exclui itens voláteis como passagens aéreas, subiu 0,65%, superando a estimativa de 0,50%. As medidas de núcleos, em geral, vieram mais fortes.
Mercado reage: juros futuros sobem e curva de inclinação diminui
O aumento nos juros futuros reflete a percepção de que o Banco Central pode ter um espaço menor para cortes agressivos na taxa Selic, especialmente se a inflação de serviços continuar resiliente. Essa é a visão de León Santiago Lucas, head de renda fixa da Ville Capital.
No fechamento desta sexta-feira, a taxa do DI para janeiro de 2027 avançou para 13,28%, ante 13,179% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2029 subiu para 12,645%, de 12,536%, e o para janeiro de 2031 aumentou para 13,035%, de 12,953% no ajuste de quinta-feira.
Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, ressaltou que o IPCA-15 “bagunçou tudo”, chegando a afetar a expectativa para a próxima reunião do Copom. Ele explica que a surpresa inflacionária faz com que a minoria do mercado que via um corte de 0,75 ponto porcentual na Selic em março descarte essa possibilidade. Além disso, algumas casas de análise começam a discutir se o corte não poderia ser de apenas 0,25 ponto porcentual.
Selic em março: o que esperar após o IPCA-15?
Ainda que o IPCA-15 de fevereiro tenha vindo forte, ele não é suficiente, por si só, para mudar a expectativa majoritária de um corte de 0,50 ponto porcentual na Selic em março. Isso ocorre porque o Banco Central, em seu Relatório de Política Monetária (RPM), já projetava uma variação de 0,60% para o mês de fevereiro.
No entanto, a perda de inclinação na curva de juros indica que o mercado está ajustando suas projeções para uma inflação corrente mais pressionada. A precificação do corte de 0,50 ponto porcentual na Selic em março, que na quinta-feira estava perto de 100%, caiu para cerca de 85%, segundo dados de mercado.
O cenário exige atenção dos investidores e consumidores, pois qualquer alteração no ritmo de cortes da Selic pode impactar o custo do crédito e o desempenho de investimentos de renda fixa e variável. A evolução da inflação nos próximos meses será crucial para definir os próximos passos da política monetária brasileira.

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