Ações da Braskem (BRKM5) sofrem com dados operacionais do 4T25, BTG Pactual adota tom de cautela
As ações da Braskem (BRKM5) apresentaram queda significativa no Ibovespa (IBOV) nesta segunda-feira, refletindo a reação do mercado ao relatório operacional da companhia referente ao quarto trimestre de 2025 (4T25). A divulgação trouxe dados preocupantes sobre a performance da empresa no Brasil, gerando um tom de cautela entre os analistas do BTG Pactual.
O mercado está digerindo a retração nas vendas de resinas e principais químicos no mercado brasileiro. Esses resultados operacionais abaixo do esperado para o final de 2025 são o principal gatilho para a desvalorização das ações BRKM5.
As projeções para os próximos resultados financeiros também não animam, com os analistas apontando para desafios persistentes. Conforme informação divulgada pelo BTG Pactual, a combinação de volumes menores no Brasil e margens de lucro reduzidas são pontos de atenção.
Queda nas Vendas e Margens no Brasil Pressionam Braskem (BRKM5)
No quarto trimestre de 2025, a Braskem registrou uma queda de 8% nas vendas de resinas em comparação anual, totalizando 743 mil toneladas. Os principais químicos também sofreram um recuo expressivo de 13%, alcançando 595 mil toneladas. Além disso, a empresa observou uma redução de 3% nos spreads de principais químicos e de 15% no caso das resinas. Essa métrica, que representa a diferença entre o preço de venda e o custo da matéria-prima, é crucial para a rentabilidade da companhia.
A taxa de utilização de eteno no Brasil também apresentou uma queda notável, fechando dezembro em 59% contra 70% no final de 2024. Essa ociosidade nas plantas brasileiras é um indicativo de menor demanda ou de dificuldades operacionais, impactando diretamente a eficiência da produção.
BTG Pactual emite parecer cauteloso e mantém recomendação neutra
Os analistas Rodrigo Almeira e Gustavo Cunha, do BTG Pactual, ressaltam em relatório que os números do 4T25 indicam uma situação ainda desafiadora para a Braskem. Embora reconheçam sinais positivos em outras regiões, como melhores volumes nos Estados Unidos e México, a expectativa é de resultados financeiros pouco animadores.
A principal unidade de negócios da Braskem, o Brasil, tem apresentado resultados inferiores, o que pesa na avaliação geral. Os spreads fracos e os volumes em queda no mercado doméstico são os principais focos de preocupação para o banco.
O BTG Pactual mantém uma recomendação neutra para as ações BRKM5, com um preço-alvo de R$ 9, reforçando a visão de cautela diante do cenário atual da petroquímica.
Desempenho Misto nas Operações Internacionais, mas com Margens em Queda
Nos Estados Unidos e Europa, a Braskem apresentou uma taxa de utilização de suas instalações de 71% no último trimestre, superior aos 67% registrados um ano antes. As vendas nessas regiões registraram um aumento de 7%, atingindo 479 mil toneladas. Contudo, o spread de produtos químicos nessas áreas caiu 10%, ficando em US$ 347 por tonelada.
No México, a companhia demonstrou um crescimento mais robusto nas vendas, com um aumento de 14% para 221 mil toneladas. A taxa de utilização das instalações mexicanas atingiu 92%, um avanço significativo em relação aos 77% do quarto trimestre de 2024. Apesar disso, os spreads no México sofreram uma queda acentuada de 20%, terminando o período em US$ 625 por tonelada, indicando uma pressão sobre a rentabilidade mesmo com o aumento do volume.
Projeções de Ebitda e Alavancagem Preocupam Analistas
As projeções do BTG Pactual indicam que a Braskem pode registrar um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de US$ 86 milhões no 4T25. Além disso, a expectativa é de uma nova queima de caixa, o que levaria a um aumento na alavancagem da companhia.
O banco destaca a necessidade de um ajuste na estrutura de capital da Braskem, mesmo com a recente aprovação do Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (PRESIQ). Potenciais medidas como conversão de dívida em capital, descontos (haircuts) na dívida ou injeção de capital são discutidas, mas podem resultar em diluição para acionistas minoritários, o que sustenta a visão cautelosa do BTG.
Com a geração de caixa negativa esperada, a alavancagem da Braskem tende a subir, e a posição de caixa da empresa pode se aproximar de US$ 2 bilhões. A petroquímica tem previsão de divulgar seus resultados completos do quarto trimestre de 2025 no dia 26 de março de 2026.

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