Ibovespa despenca mais de 3% com tensão no Oriente Médio e expectativa de corte menor na Selic; dólar sobe a R$ 5,26
O Ibovespa (IBOV) não segurou as pontas na véspera e cedeu à pressão externa, encerrando o dia em forte queda. Nesta terça-feira, 3, o principal índice da bolsa brasileira recuou 3,28%, fechando aos 183.104,87 pontos. Nas primeiras horas de negociação, o índice chegou a cair mais de 4%, flertando com os 180 mil pontos.
O dólar à vista (USDBRL) acompanhou o movimento de aversão ao risco, encerrando o pregão em alta de 1,92%, cotado a R$ 5,2652. O cenário internacional dominou as atenções dos investidores, moldando as expectativas para a política monetária brasileira.
A escalada das tensões no Oriente Médio e a disparada do preço do petróleo levaram o mercado a precificar um corte menor na taxa Selic. A aposta majoritária agora é de uma redução de apenas 0,25 ponto percentual na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, um recuo significativo em relação à expectativa anterior de 0,50 ponto percentual.
Conflito no Oriente Médio e Impacto nos Juros
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que ordenou às forças americanas que se juntassem ao ataque de Israel contra o Irã, citando a crença de que o país persa estava prestes a atacar os EUA. Trump também afirmou que os EUA garantirão a segurança financeira do comércio marítimo na região, incluindo petroleiros, por meio da Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos.
Essa escalada de conflito global impactou diretamente os mercados. A elevação do preço do petróleo, um dos principais reflexos da tensão, alimenta receios de novos impulsos inflacionários. Essa perspectiva contribuiu para a mudança nas expectativas quanto ao ritmo de afrouxamento monetário no Brasil.
Autoridades do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) também comentaram o cenário. Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis, considerou prematuro avaliar o impacto na inflação doméstica, mas ressaltou que o desenrolar do conflito pode influenciar a política monetária dos EUA. John Williams, do Fed de Nova York, alertou para o risco de elevação da inflação no curto prazo.
PIB e Emprego: Sinais de Resiliência Doméstica
No cenário doméstico, apesar da pressão externa, novos dados econômicos trouxeram algum alento. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro apresentou um crescimento de 0,1% no quarto trimestre de 2025, com uma expansão acumulada de 2,3% no ano, em linha com as expectativas do mercado. O economista Rodolfo Margato, da XP, destacou que o crescimento do PIB foi impulsionado por setores menos sensíveis ao ciclo econômico, como o agronegócio e a indústria extrativa.
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) também foram positivos, com a criação de 112.334 vagas formais de trabalho em janeiro. Este número superou as expectativas de economistas, que previam a criação de cerca de 92 mil postos de trabalho com carteira assinada. Segundo Margato, o emprego formal segue em trajetória de alta, embora com uma desaceleração no ritmo de criação de vagas.
Ações em Destaque e Quedas Bruscas
O Ibovespa registrou poucas altas no dia, com apenas três ações da carteira teórica encerrando em terreno positivo: Raízen (RAIZ4), Braskem (BRKM5) e Vivara (VIVA3). Na ponta negativa, o destaque foi o GPA (PCAR3), que sofreu uma queda expressiva de 16,5%.
As ações do GPA foram pressionadas pelo rebaixamento de sua nota de crédito pela Fitch, de ‘A’ para ‘CCC’. A agência citou crescentes riscos de refinanciamento, com R$ 1,7 bilhão em dívidas a serem pagas até julho, além do enfraquecimento da liquidez e a perspectiva de fluxo de caixa livre negativo a médio prazo.
Mercados Internacionais em Alerta
Os índices de Wall Street também operaram em queda, refletindo o temor de novos impactos inflacionários decorrentes do conflito no Oriente Médio e da alta do petróleo. O Dow Jones caiu 0,83%, o S&P 500 recuou 0,94%, e o Nasdaq teve baixa de 1,02%.
Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou o dia com queda de 3,18%. Na Ásia, o pessimismo também prevaleceu, com o Nikkei japonês em queda de 3,06% e o Hang Seng de Hong Kong recuando 1,12%. A incerteza global paira sobre os mercados, elevando a aversão ao risco entre os investidores.

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