Petrobras divulga resultados do 4T25 com analistas prevendo dividendos menores e impacto do Brent
As ações da Petrobras (PETR4) estão sob os holofotes do mercado nesta quinta-feira (5), com a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) após o fechamento do pregão. Analistas antecipam um trimestre mais modesto em comparação com o período anterior, com projeções indicando um recuo tanto no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) quanto nos dividendos a serem distribuídos.
As estimativas do mercado apontam para um Ebitda entre US$ 10,5 bilhões e US$ 11,5 bilhões, com uma mediana próxima de US$ 11 bilhões. Este valor é inferior aos cerca de US$ 11,7 bilhões registrados no terceiro trimestre. O Santander, por exemplo, projeta um Ebitda ajustado de aproximadamente US$ 11,2 bilhões, o que representa uma queda de cerca de 5% em relação ao trimestre anterior.
A equipe de análise do Santander, liderada por Yuri Pereira, afirma que “o trimestre deve mostrar resultados sequencialmente mais fracos, com Ebitda menor e dividendos reduzidos”. Eles também alertam que, mesmo com um desempenho operacional sólido, espera-se um aumento da alavancagem devido ao pagamento de dividendos que pode superar a geração de caixa.
Impacto da Queda do Brent nos Resultados
Um dos fatores que pressionam os resultados da Petrobras no 4T25 é a cotação do petróleo Brent. Durante o período em questão, o Brent registrou uma queda de aproximadamente 7%, negociado em níveis próximos a US$ 63 por barril. Essa desvalorização tende a impactar negativamente os números da área de exploração e produção (E&P) da companhia.
Apesar da pressão nos preços do petróleo, a operação da Petrobras demonstrou força. A empresa encerrou o quarto trimestre com uma produção média de 3,081 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), um avanço de 18,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2025, a produção média foi de 2,960 milhões de boed, representando um crescimento de 11,1% frente a 2024.
No entanto, em comparação com o terceiro trimestre, a produção apresentou uma leve queda de 1,1%. Esse recuo é atribuído a paradas de manutenção e outros fatores operacionais típicos do período. A Petrobras destaca que o crescimento anual foi impulsionado pelo aumento da capacidade de plataformas importantes, como Almirante Tamandaré e Marechal Duque de Caxias, além da melhoria na eficiência operacional, especialmente nas unidades da Bacia de Santos.
Operação Sólida e Vendas que Sustentam Receita
A XP Investimentos avaliou os dados operacionais divulgados como marginalmente positivos. A leve queda na produção já era esperada e estava incorporada nas estimativas para o trimestre. A casa de análise ressalta que, apesar dos volumes de produção praticamente neutros, o relatório operacional pode trazer um viés positivo para os resultados.
Isso se deve, segundo a XP, aos dados de vendas que indicaram uma desestocagem relevante, de cerca de 178 mil barris por dia. Essa redução nos estoques tende a sustentar a geração de receita da Petrobras no período, o que é um ponto positivo. A XP Investimentos afirmou que “o relatório adiciona um potencial positivo ao resultado do trimestre, já que as vendas implicaram uma redução significativa dos estoques”.
No segmento de refino, transporte e comercialização (RTM), as vendas de combustíveis totalizaram 1,771 milhão de barris por dia. Esse volume ficou ligeiramente abaixo do registrado no terceiro trimestre, devido a fatores sazonais, mas alinhado com as expectativas dos analistas.
Foco nos Dividendos da Petrobras
Com a questão operacional em foco, a atenção dos investidores se volta agora para a distribuição de dividendos da Petrobras. O consenso do mercado trabalhava com valores próximos a US$ 1,7 bilhão, mas parte dos analistas acredita que este montante pode ser inferior.
O Goldman Sachs projeta cerca de US$ 1,3 bilhão em dividendos ordinários, o que resultaria em um rendimento próximo de 1% no trimestre. Essa projeção considera a política da empresa de distribuir 45% do fluxo de caixa livre. O banco explica que a distribuição deve ser afetada por eventos pontuais, como o pagamento de US$ 1,3 bilhão relacionado ao leilão do pré-sal e US$ 285 milhões ligados ao campo de Jubarte.
O Itaú BBA também antecipa pressão na geração de caixa e estima um Ebitda de aproximadamente US$ 10,6 bilhões para o trimestre. Neste cenário, o banco projeta dividendos em torno de US$ 1,0 bilhão, com um rendimento de cerca de 1,1%. O BTG Pactual endossa essa visão, indicando que a combinação da queda do Brent, aceleração do capex e desembolsos extraordinários deve limitar a distribuição de proventos.
Segundo o BTG Pactual, o Ebitda pode ficar próximo de US$ 11,25 bilhões, uma queda de cerca de 5% na comparação trimestral, enquanto os dividendos devem ficar perto de US$ 1,2 bilhão, abaixo das expectativas iniciais do mercado.

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