Deputado Lindbergh Farias aciona PGR contra Roberto Campos Neto por suposta omissão na supervisão do Banco Master
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a abertura de uma investigação criminal contra Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central. A acusação central é de suposta omissão na supervisão do Banco Master, que teve sua liquidação decretada posteriormente.
A ação também requer o acesso a documentos internos do Banco Central, que seriam cruciais para entender as decisões tomadas sobre a fiscalização da instituição financeira. Além disso, o deputado pede o depoimento de Campos Neto e de outros servidores envolvidos neste processo de supervisão.
A representação argumenta que, segundo relatos, já existiam sinais de fragilidade financeira no Banco Master que eram acompanhados pelo Banco Central ao longo dos anos. No entanto, medidas mais rigorosas, como intervenção ou direção fiscal, não teriam sido adotadas na época, o que, segundo o deputado, poderia ter mitigado a deterioração do banco.
Sinais de fragilidade ignorados, afirma deputado
Lindbergh Farias sustenta que relatórios internos e alertas técnicos indicavam problemas de liquidez e qualidade de ativos no Banco Master. Ele alega que a falta de ações contundentes por parte do Banco Central, sob a gestão de Campos Neto, permitiu que a situação se agravasse.
“Esses sinais, ao que se noticia, teriam sido objeto de relatórios internos e alertas técnicos, circunstância que exige investigação detalhada quanto ao tratamento dado a essas informações”, declarou o deputado em sua representação.
Norma do BC teria beneficiado o Banco Master
A petição cita uma reportagem do Estadão, publicada em abril do ano passado, que aponta para uma norma editada pelo Banco Central em outubro de 2023, ainda sob a presidência de Campos Neto. Segundo o deputado, essa norma teria criado uma brecha que dispensava o Banco Master e outras instituições de contabilizar o risco de carregar precatórios e direitos creditórios em seus balanços.
Essa flexibilização, de acordo com o parlamentar, permitiu que o Banco Master, com forte participação desses ativos, continuasse operando sem a necessidade de novos aportes dos sócios ou de vender seus bens, mesmo diante de fragilidades financeiras.
“Tecnicamente, a norma do BC editada à época da presidência do ora representado, alterou os chamados fatores de ponderação de risco (FPR), uma classificação que aumenta o risco de determinados ativos no balanço das instituições financeiras”, explicou o deputado.
Campos Neto teria conhecimento dos problemas do Master
Conforme noticiado pelo Estadão, Roberto Campos Neto teria tido conhecimento dos graves problemas de liquidez enfrentados pelo Banco Master durante sua gestão no Banco Central. Apesar disso, o ex-presidente teria evitado a adoção de medidas mais severas contra a instituição financeira.
O crescimento expressivo do Banco Master, pertencente a Daniel Vorcaro, ocorreu entre 2019 e 2024, período em que Campos Neto liderava a autoridade monetária. Em novembro de 2024, o Banco Master comprometeu-se com o Banco Central a adotar medidas para recompor sua saúde financeira até maio de 2025, após um ultimato da autarquia.
No entanto, a instituição foi liquidada em novembro de 2025 pelo atual presidente do BC, Gabriel Galípolo. A representação de Lindbergh Farias busca esclarecer se a omissão na supervisão contribuiu para a situação final do Banco Master.

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