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Conflito no Oriente Médio eleva preço do petróleo: CNA pede urgência no aumento da mistura de biodiesel para 17% no diesel

CNA propõe B17 para frear alta do diesel em meio a tensões globais

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou uma proposta ao governo federal para elevar a mistura obrigatória de biodiesel no diesel de 15% para 17%. A medida visa mitigar os efeitos da escalada do conflito no Oriente Médio, que tem pressionado os preços do petróleo e, consequentemente, do diesel no mercado interno.

O pleito foi formalizado em um ofício encaminhado ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e assinado pelo presidente da CNA, João Martins da Silva. A entidade expressa preocupação com a volatilidade do mercado de petróleo, os custos logísticos e o potencial impacto na macroeconomia nacional.

A CNA argumenta que a expansão do uso do biodiesel, especialmente com preços competitivos, é uma medida urgente para estabilizar os custos de transporte e fortalecer a segurança energética do país. A proposta surge em um momento crítico, com a colheita da primeira safra e a preparação para a segunda, períodos de alta demanda por diesel no agronegócio.

Impacto da geopolítica nos combustíveis é preocupação central

O diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, destacou em entrevista ao Broadcast Agro que o impacto dos conflitos internacionais nos combustíveis é a principal preocupação do setor produtivo. A alta do preço do barril de petróleo já se reflete em relatos de aumento de até R$ 1 no preço do diesel nas bombas, um cenário que a CNA considera um exagero.

“Pedimos de forma preventiva o B17 para evitar aumento maior no preço do diesel e coibir possíveis abusos identificados”, afirmou Lucchi. A entidade ressalta que a antecipação do B17 é uma medida sustentável para ampliar a oferta de combustível, reduzir pressões logísticas e fortalecer a segurança energética nacional.

Soja em alta garante competitividade do biodiesel

Do ponto de vista da oferta, Lucchi aponta que a safra recorde de soja, com preços abaixo dos observados desde a pandemia, garante o abastecimento das indústrias esmagadoras e a competitividade do biodiesel. Isso possibilita que o biocombustível atue tanto na contenção do aumento dos custos logísticos quanto na produção.

A CNA também alerta para os riscos de efeitos negativos como a criação de demanda artificial e oscilações no abastecimento, caso o preço dos combustíveis sofra aumentos considerados exagerados. A entidade lembra que a implementação do B16, prevista para 1º de março, não ocorreu, reforçando a necessidade de avanço imediato para o B17.

Decisão sobre a mistura de biodiesel está sob análise do CNPE

O percentual mínimo de biodiesel misturado ao diesel é definido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Uma reunião do conselho está agendada para a próxima semana, e há a possibilidade de o tema do aumento da mistura ser incluído na pauta de discussões.

A CNA cita que o preço do petróleo Brent atingiu US$ 84 por barril, com uma alta de mais de 20% desde o fim de fevereiro. Em comparação, durante a iminência da guerra entre Rússia e Ucrânia, o barril de petróleo subiu 40%, resultando em aumentos de 21% e 23% nos preços de distribuição e revenda do diesel, respectivamente. A proposta do B17 busca, portanto, antecipar e prevenir impactos negativos semelhantes para a população brasileira.

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