Fitch Ratings não vê elevação do rating do Brasil antes do fim de 2026, apesar de crescimento econômico. Entenda os motivos.
A Fitch Ratings observa um desempenho positivo da economia brasileira em 2025, com projeção de crescimento do PIB de 2,3%. Apesar de ser um número considerado bom diante de uma política monetária restritiva e da ausência de grandes estímulos fiscais, a agência mantém o rating soberano do Brasil em ‘BB’ com perspectiva estável. Uma elevação dessa nota, segundo Todd Martinez, cochefe de ratings soberanos para América Latina da Fitch, não está no radar antes do último trimestre de 2026.
O principal entrave para uma melhora na classificação do país reside na situação fiscal delicada. Em 2025, o déficit do governo geral atingiu 8,1% do PIB, com a dívida bruta em 78,7% do PIB, patamares significativamente acima da mediana para ratings ‘BB’, que gira em torno de 51%. Para que haja uma estabilização da dívida, mesmo com a perspectiva de queda da Selic, seria necessário um avanço de cerca de 2 a 2,5 pontos percentuais do PIB no resultado primário.
Martinez enfatiza que, embora não seja preciso um ajuste fiscal de magnitude total para a melhora da nota, é fundamental que o Brasil demonstre avanços em um plano fiscal crível. A agência projeta que, em 2026, o Brasil se tornará o maior mercado emergente de grande porte mais endividado do mundo, superando a Índia. Contudo, o país possui vantagens como um mercado de capitais doméstico robusto e menor dependência de financiamento externo, o que permite conviver com um endividamento mais elevado que outros emergentes.
Para alcançar um upgrade para BB+, seria necessário observar sinais de que a dívida pública brasileira se estabilizará em torno de 80% do PIB. Uma elevação ainda maior, rumo ao grau de investimento, exigiria que a dívida entrasse em uma trajetória de queda consistente.
Desafios Fiscais: Dívida e Déficit sob Lupa da Fitch
Apesar de avanços pontuais, como o déficit primário federal de 0,5% do PIB em 2025 (abaixo do limite de 0,6% da regra fiscal), a consolidação fiscal ainda é um gargalo. O orçamento de 2026 prevê uma melhora para 0,2% do PIB, mas o crescimento das despesas obrigatórias, que somam 91% das despesas primárias, dificulta o controle. Essas despesas incluem folha de pagamento, pensões e benefícios sociais com indexação rígida.
A Fitch destaca que um plano de contenção de gastos eficaz dependerá de mudanças nos mecanismos de indexação que determinam o crescimento das despesas obrigatórias. A agência sugere que o foco principal para a consolidação fiscal deve ser a contenção de gastos, dado o esgotamento do apetite por novas medidas de aumento de receita após as iniciativas já implementadas, como elevação de impostos sobre fintechs, jogos de azar e juros sobre capital próprio.
Cenário Eleitoral de 2026 Pesa na Decisão da Fitch
A proximidade das eleições presidenciais de 2026 adiciona uma camada de incerteza ao cenário. Todd Martinez aponta que, independentemente do resultado eleitoral, o apetite político para novos aumentos de impostos tende a ser baixo. Portanto, os ajustes fiscais dependerão, em grande medida, da capacidade de conter o avanço das despesas públicas.
O executivo da Fitch observa que, mesmo um governo de direita, que teoricamente seria mais propenso a cortes de gastos, não oferece garantia de sucesso, citando que o atual Congresso, de perfil mais à direita, já desidratou medidas de contenção propostas pelo governo Lula e apresentou iniciativas para aumentar despesas. Por outro lado, autoridades governamentais reconhecem a necessidade de controlar gastos obrigatórios, mas a implementação enfrenta dificuldades e há pressão por aumento de despesas em outras áreas.
O Que a Fitch Espera para um Upgrade do Rating Brasileiro
Para que a Fitch Ratings considere uma elevação do rating do Brasil, a agência busca sinais claros de que a dívida pública estabilizará em torno de 80% do PIB. Para um avanço ainda maior, rumo ao grau de investimento, a dívida precisaria entrar em uma trajetória descendente. A ausência de progresso na consolidação fiscal ou uma deterioração das contas públicas pode levar a um ciclo vicioso, pressionando juros reais e impactando negativamente o crescimento econômico do país.
O risco de uma ação negativa de rating por parte da Fitch estaria associado a um cenário de falta de progresso na consolidação fiscal ou a uma deterioração das contas públicas, que por sua vez pressionaria ainda mais os juros reais e prejudicaria o crescimento econômico. Assim, a trajetória fiscal e a capacidade de o país gerenciar sua dívida são os pontos cruciais que a agência continuará monitorando de perto.

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