Juros futuros fecham em queda com conflito no Irã no radar e reforça expectativa de corte na Selic
As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) apresentaram quedas firmes nesta terça-feira (10), refletindo um otimismo crescente entre os investidores quanto a um corte mais expressivo na taxa Selic. A expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) promova uma redução de 0,50 ponto percentual na próxima semana.
Essa movimentação positiva no mercado de juros está diretamente ligada à queda acentuada nos preços do petróleo no cenário internacional e ao recuo do dólar frente ao real. Esses fatores combinados criam um ambiente mais favorável para a redução da inflação e, consequentemente, para uma política monetária mais expansionista.
A diminuição das tensões no Oriente Médio, em especial o alívio nas preocupações com um conflito em larga escala envolvendo o Irã, tem sido o principal motor por trás dessa mudança de sentimento. Conforme informações divulgadas, declarações recentes sobre o possível fim da guerra entre EUA e Irã têm enfraquecido as taxas futuras no Brasil.
Impacto da Geopolítica nos Mercados Financeiros
A taxa do DI para janeiro de 2027, por exemplo, encerrou o dia em 13,6%, com uma redução de 14 pontos-base em relação ao dia anterior. Na ponta mais longa da curva de juros, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou 13,68%, registrando uma baixa de 15 pontos-base. Esse movimento demonstra a confiança do mercado em uma trajetória de queda para os juros.
No exterior, a queda do petróleo contribuiu para a estabilidade da curva de juros americana. O rendimento do Treasury de dois anos, que antecipa as decisões de curto prazo, recuou 1 ponto-base, enquanto o título de dez anos, referência global, subiu ligeiramente 1 ponto-base. A queda do petróleo, que saiu de perto de US$ 120 para cerca de US$ 84 o barril, diminuiu os receios inflacionários globais.
Apostas em Corte Maior da Selic Crescem
A principal razão para essa reviravolta no mercado de juros brasileiro reside nas declarações recentes de Donald Trump, que indicaram um possível desfecho rápido para as tensões com o Irã. A esperança de normalização do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, crucial para o abastecimento global, impulsionou a queda da commodity e aliviou as preocupações inflacionárias.
Luciano Rostagno, estrategista-chefe da EPS Investimentos, resumiu o cenário: “A curva de juros no Brasil subiu com o receio da guerra e agora, com alguns sinais de que ela pode ter curta duração, o mercado está voltando”. A percepção é que os Estados Unidos estariam alcançando seus objetivos rapidamente, o que tenderia a estabilizar os preços do petróleo.
Como resultado direto dessa conjuntura, as apostas em um corte de 0,50 ponto percentual na Selic, atualmente em 15%, aumentaram significativamente. Dados da EPS Investimentos indicam que, nesta terça-feira, o mercado precificava cerca de 76% de probabilidade para um corte de 50 pontos-base, contra apenas 24% de chance de uma redução de 25 pontos-base. Na segunda-feira, essa distribuição era de 28% e 72%, respectivamente, evidenciando a forte virada de expectativa.
O que esperar para os próximos passos do Copom
A queda nos juros futuros, impulsionada pelo alívio nas tensões geopolíticas, sinaliza uma maior convicção do mercado de que o Copom tem espaço para realizar um corte mais ousado na taxa Selic. A diminuição das pressões inflacionárias, decorrente da queda do petróleo, fortalece o argumento para uma política monetária mais frouxa.
A expectativa de um corte de 0,50 ponto percentual, que antes parecia menos provável, agora domina as projeções. Essa mudança reflete a capacidade do mercado em reagir rapidamente a novas informações e ajustar suas apostas de acordo com o cenário macroeconômico e geopolítico. O foco agora se volta para a próxima reunião do Copom, onde os agentes financeiros esperam confirmação dessa tendência de afrouxamento monetário.

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