Exportações de café verde brasileiro registram forte retração em fevereiro, afetadas por cenário internacional e oferta nacional.
As exportações brasileiras de café verde apresentaram uma queda expressiva de 26,9% em fevereiro, totalizando 2,29 milhões de sacas de 60 kg. Este recuo significativo, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, foi atribuído principalmente à desvalorização dos preços no mercado internacional e à estratégia de dosagem da oferta brasileira.
O desempenho do maior produtor e exportador global de café foi particularmente pressionado pela redução nos embarques de grãos arábica, que caíram 28,9%, enquanto os canéforas (robusta e conilon) registraram uma baixa menor, de 2%. Essa dinâmica reflete as complexidades do mercado cafeeiro global.
Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a acentuada queda nos preços na bolsa de Nova York levou fundos a liquidarem posições compradas, antecipando uma maior disponibilidade do produto na próxima safra brasileira. Essa situação, combinada com um dólar menos valorizado frente ao real e produtores brasileiros capitalizados, resultou em uma oferta nacional que se tornou menos competitiva em comparação com outras origens produtoras.
O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, destacou que essa tendência de redução nas exportações brasileiras deve persistir até a entrada da nova safra, o que pode acarretar uma perda de participação de mercado (market share) para outros países produtores. Ferreira ressaltou que essa perda não é favorável para o Brasil em termos de médio e longo prazos, indicando a necessidade de estratégias para mitigar esses efeitos.
Impacto nos grãos Arábica e Canéfora
A maior parte da retração nas exportações de café verde em fevereiro foi observada nos embarques de arábica, que caíram 28,9%, totalizando 2,07 milhões de sacas. Já os cafés da espécie canéfora, que incluem o robusta e o conilon, apresentaram uma queda mais modesta de 2%, com 226,2 mil sacas exportadas. Essa diferença evidencia a maior sensibilidade do segmento arábica às flutuações de preço e à dinâmica de oferta e demanda.
Projeções e Recuperação esperada
Apesar do cenário desafiador em fevereiro, o Cecafé projeta uma recuperação nas exportações de café arábica a partir de junho, com a chegada da nova safra brasileira. A expectativa é que o aumento na oferta nacional e a renovação das safras impulsionem novamente os embarques, contribuindo para a retomada do fluxo comercial.
Café Industrializado e Receita em Dólar
Em contrapartida ao desempenho do café verde, as exportações de café industrializado apresentaram um crescimento de 13,3% em fevereiro de 2026, alcançando 323,9 mil sacas. Deste total, o café solúvel respondeu pela maior parte, com 320,7 mil sacas. Considerando o total de café exportado, incluindo verde e industrializado, os embarques brasileiros somaram 2,62 milhões de sacas, uma queda de 23,5%.
A receita em dólar obtida com as exportações de café também sofreu um impacto, registrando uma queda de 14,7% na comparação anual, totalizando US$ 1,06 bilhão. Essa diminuição na receita reflete tanto o menor volume exportado quanto a pressão sobre os preços no mercado internacional, evidenciando os desafios enfrentados pelo setor cafeeiro brasileiro.

O Pra Quem Investe é um portal dedicado a transformar informação financeira em conhecimento acessível. Aqui, você encontra notícias, análises, insights e conteúdos educativos criados para ajudar investidores — iniciantes ou experientes — a entender o mercado, tomar decisões mais seguras e construir um futuro financeiro sólido. Nosso objetivo é simplificar o mundo dos investimentos e mostrar, na prática, como uma boa gestão financeira pode mudar vidas.













