Guerra no Irã freia alta esperada das Small Caps brasileiras, segundo análise do BNP Paribas Asset
A eclosão de conflitos na região do Irã lança uma sombra sobre as expectativas de uma forte recuperação das Small Caps no mercado brasileiro. A avaliação é de Marcos Kawakami, líder de renda variável da BNP Paribas Asset Management Brasil, que gerencia R$ 83,1 bilhões.
Segundo Kawakami, a guerra introduz uma “incógnita de curto prazo” que afeta diretamente a dinâmica de corte de juros e, por consequência, o interesse dos investidores em ações de menor porte. As Small Caps, por sua natureza, são mais sensíveis às variações na taxa básica de juros, a Selic.
Antes do agravamento da tensão geopolítica, o mercado esperava uma redução da Selic em cerca de 315 pontos-base. Com o cenário de guerra, essa projeção foi revisada para aproximadamente 250 pontos-base. O executivo alerta que, caso o conflito se prolongue e o preço do petróleo atinja patamares próximos a US$ 100, haverá revisões de inflação para cima, pressionando ainda mais a política monetária. Essas informações foram divulgadas pelo Money Times.
Impacto dos Juros nas Small Caps
Kawakami explica que, se o Banco Central for forçado a realizar cortes menos expressivos na Selic do que o previsto inicialmente, investidores locais, que já possuem uma exposição limitada à bolsa, podem retrair ainda mais seus recursos do mercado. Isso prejudica as empresas de maior potencial de crescimento, as Small Caps, que possuem o que se chama de “maior duração de fluxo de caixa”.
“Qualquer aumento de taxa de desconto impacta mais as empresas de maior duração”, pontua o especialista. Em contrapartida, as Large Caps, por serem empresas mais maduras com geração de caixa imediata e maiores dividendos, mostram-se mais resilientes em cenários de juros elevados.
O executivo reforça que empresas com maior potencial de crescimento tendem a ser mais alavancadas, necessitando de financiamento para investir no curto prazo e impulsionar o crescimento futuro. Juros mais altos encarecem esse tipo de operação, inibindo o desenvolvimento dessas companhias.
Mudança de Estratégia e Perspectivas Futuras
Kawakami admite que, no início do ano, ele era um entusiasta do potencial de valorização das Small Caps, impulsionado pelo forte fluxo de capital estrangeiro. Contudo, o atual cenário macroeconômico o levou a ajustar sua estratégia de investimento.
“Dado essa incerteza com relação a prazo e horizonte de guerra, eu prefiro não enfatizar Small Caps versus Large Caps”, declara. Para ele, o retorno ao otimismo anterior dependerá diretamente da evolução da geopolítica.
O líder de renda variável do BNP Paribas Asset sugere que, caso a guerra tenha um fim mais antecipado, a performance do mercado de ações deve retornar aos níveis pré-conflito, o que o levaria a favorecer novamente as Small Caps. No entanto, por ora, a cautela prevalece devido à pressão inflacionária e ao custo do capital mais elevado, conforme também apontado em outra análise da gestora sobre a postura defensiva diante do conflito no Irã.

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